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Avós dos shoppings

Galerias comerciais resistem ao tempo em Curitiba

São tantas as galerias de passagem por Curitiba – a maioria localizada na região central da cidade – que fica até difícil contabilizá-las. Numa contagem informal, o Bem Paraná identificou 20 galerias de passagem ou galerias comerciais na cidade. É apenas uma estimativa, já que o número pode ser bem maior, se considerada a definição de galeria como “o pavimento térreo de uma edificação e com acesso transversal ao logradouro público”.

Numa época em que não haviam shoppings centers no Brasil, o coração do comércio curitibano girava em torno dessas galerias, até hoje local de passagem diário para milhares de pessoas, que ainda podem aproveitar as vantagens de um espaço que agrega as características de um centro comercial com as de lojas de calçada. Assim, a diversidade de serviços é grande, bem como há opções para todos os bolsos.

As primeiras galerias comerciais de Curitiba surgiram nos anos 1950 e, na época, eram símbolo de modernidade por aliarem a parte comercial com a residencial, ampliando ainda os espaços de uso público para pedestres na Zona Central. Em 1954, por exemplo, foi criado o Edifício ASA. Em 1958, foi vez da inauguração do Edifício Tijucas.

Salomão Woller, proprietário da Joalheria Woller, foi um dos primeiros comerciantes a se instalar no Tijucas, ainda em 1958, e até hoje está lá, tocando o negócio ao lado de seu filho, Miguel. A loja da família ficava no Calçadão da Rua XV, mas eles acabaram ‘despejados’ por conta do alargamento da via, promovido pelo então prefeito Ivo Arzua.

“Estamos aqui desde 1958.Sempre teve seu charme a Rua XV, e aqui pegamos o movimento do calçadão também. É praticamente igual a um shopping”, relata Miguel Woller. “Reduziu um pouco (o movimento nos últimos anos). A cidade cresceu muito. Antigamente, nossos avós até diziam ‘vou para a cidade fazer compras’, e a ‘cidade’ era o Centro. Hoje os bairros estão mais independentes”, complementa.

Ferdinando Nardelli: 83 anos de vida e 60 de Tijucas

Já o alfaiate Ferdinando Nardelli, proprietário da Alfaiataria Nardelli, está desde 1959 na Galeria Tijucas. Ele é, inclusive, o atual síndico do edifício, posto que ocupa pela quinta vez. “Fico até maio do ano que vem e depois vou descansar o esqueleto. Querem que eu continue, mas já estou com 83 anos...”, relata o altaiate.
Sua mudança para o Tijucas aconteceu após seu mestre dizer que ele estava apto a trabalhar por conta. “Aí comecei a procurar um lugar. Pensei primeiro na antiga Boca Maldita, que ficava na Inácio Lustosa, o Café Alvorada. Mas eu queria algo mais pro Centro mesmo. E o Edifício aqui tinha sido inaugurado faz pouco tempo, estava quase tudo vazio.”

Hoje, são 419 unidades existentes no edifício, entre salas e lojas. Só de salas são cerca de 380 unidades. “Fácil de alugar, bem central. Aqui é perto de tudo”, comenta.

“Queria morar pertinho do céu”

Além da parte comercial, o edifício Tijucas também possui diversas residências. E um dos moradores históricos do prédio é Luiz Carlos Chacon de Oliveira, conhecido por ser o cover de Roberto Carlos e que há 50 anos mora no local - e não pretende nunca se mudar.

“Morava na Voluntários da Pátria, mas sempre via o prédio aqui e falava que queria morar pertinho do céu”, conta o artista, atualmente no ar com o programa Salada Mista, que vai ao ar todos os dias no Canal 4. Por muitos anos, inclusive, o Tijucas foi o mais altos edifício da cidade. “Fui um dos primeiros moradores e sou o mais antigo aqui. Tão pertinho do céu que quando faço uma oração a resposta vem mais rápido".

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