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Gestão de RH: assédio ou brincadeira? Uma pausa para reflexão

Como quase tudo nesta vida, os excessos podem ser prejudiciais. Assim, nunca é demais lembrarmos que brincadeiras demais, fora de hora ou exageradas podem levar a consequências desagradáveis para os envolvidos.
No ambiente de trabalho, os excessos de descontração e animação também não fogem à regra, podendo desencadear situações deselegantes, embaraçosas e, até mesmo, desrespeitosas.

Aquela piadinha sobre o time que ganhou ou que perdeu, insinuações ou provocações de caráter sexual, brincadeiras (às vezes sem limites) relacionadas ao não atingimento das metas e outra infinidade de situações que povoam o ambiente de trabalho podem, efetivamente, deixar de ser uma simples e aparentemente inofensiva brincadeira e ganhar outros contornos, podendo, sem exagero algum, adquirir a configuração de assédio, que é um tipo de violência praticado contra alguém.
De maneira sutil ou explícita, assediar significa humilhar, vexar, constranger o outro – no âmbito público ou privado - em investidas frequentes, que visam afetar uma pessoa ou um grupo, de maneira intencional. Marie France Hirigoyen, escritora francesa que apresenta notória contribuição nos estudos sobre assédio e difusão desta temática em nível mundial, faz menção a estas situações como “violências perversas do cotidiano”.

Diferente do que possamos pensar inicialmente, o processo de assédio nem sempre parte apenas daqueles que exercem o papel de liderança, podendo ser estabelecido também entre colegas, fornecedores, clientes, entre outros.
Não é novidade que vivemos em um momento em que os discursos que proclamam a humanização, a flexibilização, o respeito à diversidade e a democratização no mundo do trabalho ganham espaços cada vez maiores. Em contrapartida, os altos níveis de desemprego e a competitividade acirrada, hoje no âmbito mundial, podem contribuir na compreensão dos fatores que favorecem as práticas de assédio nas empresas, uma vez que, diante deste cenário, muitos profissionais acabam se sujeitando a situações constrangedoras e indesejáveis em seus ambientes de trabalho, por medo de fragilizar seus laços com a liderança, com os colegas e, sobretudo, perder seu emprego.

Por ser uma forma de violência, as consequências do assédio para quem o sofre podem ser graves, provocando, desde queda de auto estima, sensações e sentimentos desagradáveis, até doenças das mais diversas naturezas. Para as empresas, vale lembrar que podem ter consequências relacionadas a afastamentos de funcionários e possibilidade de danos a sua imagem, só para falar de algumas.
Que o bom humor e a alegria não se percam, mas que também pensemos sempre nos seus limites e em suas consequências.

Miriam Rodrigues é doutora em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas. Atua como docente na área de Gestão de Pessoas e Comportamento Organizacional e Coordena os Cursos de Graduação Tecnológicos EaD do Centro de Ciências Sociais e Aplicadas da Universidade Presbiteriana Mackenzie

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