No limite

Governo do Paraná deve adotar medidas restritivas mais duras contra a Covid-19

Paraná se encontra pressionado por leitos de UTI Covid
Paraná se encontra pressionado por leitos de UTI Covid (Foto: Rodrigo Felix Leal/AN-PR)

O governo do Estado deve publicar ainda nesta semana novo decreto com medidas mais restritivas de combate ao novo coronavírus. Com o aumento das internações desde as últimas semanas, esta será uma maneira de conter o avanço da doença. Ontem, a taxa de ocupação de UTIs no Estado atingiu o nível de 92%, colocando o sistema no limite.

Na noite de ontem, o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, disse em entrevista o telejornal Boa Noite, da RPC, que o Paraná vive o momento mais crítico da pandemia de Covid. “É um colapso iminente no sistema de saúde”. O Paraná bateu um novo recorde de internações relacionadas à pandemia de Covid-19, de acordo com boletim da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) de ontem.

Eram 3.165 pessoas hospitalizadas com suspeita ou diagnóstico da doença na rede pública e privada de saúde do Estado. O boletim indica ainda taxa de ocupação de 92% nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI) para adultos no Sistema Único de Saúde (SUS) e 69% nas enfermarias. Restavam apenas 100 vagas em UTIs no Paraná.

Entre as medidas previstas, estão o aumento do período de toque de recolher e proibição de consumo de bebidas alcóolicas, que hoje funciona da meia-noite à 5 horas, e a suspensão das cirurgias eletivas. De acordo com ele, o governo ainda estuda se a suspensão das cirurgias valerá apenas para o SUS ou também para os hospitais privados.

A macrorregião com maior pressão no sistema de saúde, levando em conta os leitos do SUS para adultos, é a Oeste, com taxa de ocupação de 97% para UTI adulto, seguida da Leste (93%), que inclui Curitiba, Noroeste (88%) e Norte (86%).

Grande Curitiba

Na Grande Curitiba, o Hospital do Rocio, em Campo Largo, alcançou taxa de 100% de ocupação na UTI para adultos ontem. Os demais hospitais apresentam taxas de ocupação que variam de 20%, caso do Erasto Gaertner, a 98% no Hospital de Reabilitação. Restavam 50 vagas de UTIs na Região Metropolitana, segundo boletim.

A secretaria tem reativado unidades de UTI conforme a necessidade, mas já estaria no seu limite. Nas enfermarias, são três hospitais sem vagas, ou seja, com 100% de ocupação: Hospital de Reabilitação, Hospital do Trabalhador e Hospital Oswaldo Cruz. No fim de semana, a Sesa reativou 62 leitos clínicos.

A Sesa desenha e organiza a ampliação da rede de leitos para atender pacientes em todas as regiões e para a esta semana existe a previsão de ativação de leitos de UTI: 5 em Sarandi e 6 em Francisco Beltrão. Na sequência, a Sesa prevê a ativação de 10 leitos UTI em Maringá.

Curitiba também teve um fim de semena atípico em relação às últimas semanas, com uma alta de novos casos e mortes, além da ocupação de leitos de UTI.

Ontem, a taxa de ocupação dos 363 leitos de UTI SUS exclusivos para Covid-19 estava em 90% na Capital. Até ontem haviam 37 leitos livres. Foram ativados dez leitos de UTI no Hospital Municipal do Idoso Zilda Arns.

Em dois dias, Curitiba vê números mais altos que os da semana passada

Curitiba registrou, no domingo e ontem, 1.158 novos casos de Covid-19 e 21 óbitos de moradores da cidade infectados pelo novo coronavírus, conforme boletim da Secretaria Municipal da Saúde. Os números dos últimos dois dias são mais altos que os registrados nas últimas semanas.

Até agora são 2.841 mortes na cidade provocadas pela doença neste período de pandemia. Com os novos casos confirmados, 137.188 moradores de Curitiba testaram positivo para a Covid-19.

Paraná — A Secretaria de Estado da Saúde divulgou 2.078 novos casos confirmados e 14 mortes em decorrência da infecção causada pelo novo coronavírus. São no total 612.683 casos confirmados e 11.070 mortos em decorrência da doença.

País — O Brasil registrou mais 26.986, totalizando 10.195.160 de casos. Ontem foram mais 639 óbitos, e o total chegou a 247.143.