Pandemia

Governo do Paraná diz estar aberto para negociar vacinas da Covid-19, mas aguarda liberação da Anvisa

(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O governo do Paraná divulgou nota nesta terça (8) informando que já tem reservado R$ 200 milhões para a compra de vacinas contra a Covid-19. Segundo a nota, o Estado está aberto a negociar com todos os laboratórios que vêm testando vacinas contra o coronavírus, mas aguarda liberação da Agência Nacional de Vigilância (Anvisa). O comunicado foi emitido após reunião entre governadores e o ministro da Saúde Eduardo Pazuello.

"A reunião desta terça-feira (8) mostrou que o Ministério da Saúde está empenhado com a vacinação contra o novo coronavírus e acredita no Programa Nacional de Imunização (PNI), uma das grandes conquistas da saúde pública. O governo federal manteve a disposição de dialogar com diversos laboratórios e com os outros estados, e garantiu distribuição igualitária e volume necessário de imunizantes para atender todo o País, desde que aprovados pela Anvisa. O Governo do Estado do Paraná está agindo para trazer vacinas com eficácia garantida e que possam ser usadas com segurança pela população no menor tempo possível, tendo reservado R$ 200 milhões para a aquisição daquela que apresentar os resultados mais satisfatórios. O Estado está aberto a negociar com todos os laboratórios que vêm testando vacinas contra o coronavírus, mas aguarda liberações do órgão regulador federal". diz a nota do governo do Paraná. 

A pressão para a liberação de vacinas começou com o anúncio do governador de São Paulo, João Doria, na segunda (7) anunciando o início da vacinação no Estado no dia 25 de janeiro com a CoronaVac, produzida em parceria com a China e o Instituto Butantan. Logo em seguida, o prefeito de Curitiba Rafael Greca disse que fechou parceria com Dória para o envio de doses para Curitiba e que separou R$ 20 milhões para a vacinação dos curitibanos contra a Covid-19.

Pazuello garante que todas as vacinas 
“Todas as vacinas que tiverem sua eficácia e registros da maneira correta na Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária], se houver necessidade, vão ser adquiridas. O presidente Jair Bolsonaro já deixou isso de forma clara”. A declaração foi feita pelo ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, em uma reunião, nesta terça-feira (8), com os governadores de 15 estados para discutir a compra de vacinas contra a covid-19, no Palácio do Planalto.

Ao grupo que participou do encontro – parte presencialmente e parte por videoconferência –, Pazuello lembrou os acordos já feitos pelo governo federal com o laboratório AstraZeneca para a compra de 260 milhões de doses e insumos para fabricação, e a entrada no consórcio Covax Facility, para compra de 42 milhões de doses de vacinas. “O SUS já tem capacidade [para compra] de 300 milhões de doses para 2021”, disse.

Críticas a Doria
Os governadores criticaram o anúncio feito ontem (7) pelo colega de São Paulo, João Doria, que começaria a imunizar os paulistanos a partir do dia 25 de janeiro com a CoronaVac, vacina contra a covid-19 desenvolvida pela empresa chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan. Doria se comprometeu a iniciar a vacinação antes da aprovação do imunizante pela Anvisa e causou mal-estar entre os colegas, que cobraram do ministro da Saúde que nenhum estado saia na frente na imunização da população. “Isso é algo que coloca em jogo a credibilidade dos demais governadores. O plano nacional não é responsabilidade dos governadores”, ressaltou Ronaldo Caiado, governador de Goiás.

Os governadores disseram que o Ministério da Saúde se comprometeu que a vacinação seria nacional, sem privilégios para determinados estados. “O [Plano Nacional de Imunização] PNI é nacional. Não pode ser paralelo. A gente tem que falar a mesma linguagem. Nós só temos um inimigo, o vírus. Temos que nos unir”, disse Pazuello.

Data
Apesar da pressa dos governadores, a data de início da vacinação ainda não está definida, já que ainda depende do registro na Anvisa. “A AstraZeneca e Oxford estão concluindo a Fase 3. Algumas etapas da Fase 3 serão concluídas para, aí sim, submeter à Anvisa para registro. Qual é a previsão? Até o final de dezembro. E a Anvisa, dentro da sua responsabilidade para analisar o registro dessas vacinas, precisa de tempo para concluir essa ação. E, pelo que demonstrou, tempo próximo a 60 dias. Pode ser menos, um pouco. Se tudo estiver redondo, sem recomendações incompletas. Se isso acontecer, vamos ter o registro definitivo da AstraZeneca no final de fevereiro. Mesmo que tenha chegado às 15 milhões de doses em janeiro”, explicou Pazuello.

Logística
Enquanto o registro não sai, o ministro disse aos governadores que o Ministério da Saúde já elaborou a logística de distribuição nacional das vacinas, que será apresentada em breve. “É muito importante que se sigam todos os passos. Quando falamos de saúde, não podemos abrir mão de eficácia, segurança e responsabilidade. Quando nós colocarmos uma vacina, seremos nós os responsáveis”, disse o ministro aos governadores.

Na reunião, também foram destacadas as tratativas do Ministério da Saúde com o laboratório Pfizer e com o Instituto Butantan, além dos prazos para o início da campanha de vacinação no Brasil conduzida pelo PNI, que será dividida em quatro fases.

Pazuello destacou que 15 milhões de doses da vacina de Oxford/AstraZeneca – das 100 milhões acordadas – já começam a chegar em janeiro de 2021. “Nós vamos vacinar todo mundo na maior velocidade possível”, garantiu o ministro da Saúde.