'Não pode ficar atrás da curva'

Após furar teto de gastos, Guedes diz que BC tem de ficar de olho na inflação

Jair Bolsonaro e Paulo Guedes
Jair Bolsonaro e Paulo Guedes (Foto: Wilson Dias / Agência Brasil)

Em meio à escalada dos preços do País, com impacto no bolso dos brasileiros, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta sexta-feira, 22, que o Banco Central precisa ficar de olho na inflação - e na frente da curva. "Obrigação do BC é não ficar atrás da curva, tem de correr", declarou o ministro, em coletiva de imprensa. "O fiscal piorou um pouco? Tem de correr um pouco atrás com juro, também", acrescentou.

De acordo com o ministro, quem precisa ser observado em situação de aumento generalizado dos preços é o Banco Central. "Toda vez que tiver aumento localizado, comida, material de construção, é temporário. Agora, está ficando generalizado, está subindo tudo? Todo mundo tem de olhar para o BC", declarou, ressaltando, em seguida, que sua obrigação é "dar cobertura" para a autoridade monetária.

Com o mesmo discurso do presidente Jair Bolsonaro, Guedes destacou que a inflação é um processo mundial e defendeu sua atuação à frente da política fiscal, mesmo após o governo fechar acordo para alterar o teto de gastos e viabilizar um Auxílio Brasil de R$ 400. "Quando eu saí para ir aos Estados Unidos, o fiscal estava super arrumado", avaliou. O ministro esteve em solo americano na semana de 11 de outubro para participar de reuniões do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Após dias de tensão no mercado financeiro com a decisão do governo em alterar o teto de gastos e oferecer ajuda a caminhoneiros, além da repercussão negativa da debandada na Economia, Guedes ainda afirmou hoje que a política "testa os limites da economia" e provoca reações no mercado. "Mostram que o caminho não é certo e todo mundo corrige um pouco", declarou o ministro.

Fura-teto

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta sexta-feira, 22, que detesta furar o teto de gastos. A fala vem apesar de o governo ter decidido alterar a regra considerada âncora fiscal do País para viabilizar o pagamento de R$ 400 no Auxílio Brasil até dezembro de 2022, ano em que o presidente Jair Bolsonaro pretende buscar a reeleição.

"Não é confortável flexibilizar teto, mas estamos falando de milhões de brasileiros", declarou o ministro, justificando o peso da crise econômica sobre a população para tomar a medida. Ele reconheceu que o teto era um "símbolo", mas disse que o País está "muito longe de ameaçar qualquer sustentabilidade fiscal".

"Não é licença para gastar, não vai acontecer nada disso", acrescentou Guedes, apesar de, na quarta-feira, ter citado justamente a expressão "licença para gastar" como forma de ajudar os mais necessitados neste momento de crise. "Se falarem que começou a gastança, não é esse meu acordo com o presidente", garantiu, em meio à desconfiança no mercado sobre a trajetória da questão fiscal brasileira após o acordo para mudar o teto.