Enfrentamento à pandemia

Imunização avança, mas Paraná participa e investe no desenvolvimento de vacinas

Vacina contra a Covid em desenvolvimento na UFPR: esperança
Vacina contra a Covid em desenvolvimento na UFPR: esperança (Foto: Franklin de Freitas)

A vacinação contra a Covid-19 avança no Paraná, que no domingo atingiu a marca de 80% do público adulto e de 55,8% de toda a população paranaense ao menos parcialmente imunizada. O andamento do programa de imunização, no entanto, não significa que o estado tenha deixado de fazer parte dos esforços científicos em busca de outros fármacos para o enfrentamento da crise sanitária. Pelo contrário. Além da vacina paranaense, que está sendo desenvolvida pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), outros dois imunizantes estão sendo ou serão testados em breve no Paraná.

Um deles, a ser fabricado pela canadense Medicago R&D Inc, promete ser a primeira vacina do mundo produzido à base de plantas e está em busca de voluntários (especialmente homens e mulheres, de 18 a 25 anos, que não tenham tido Covid e ainda não se vacinaram). O outro é a nova versão da vacina produzida pela AstraZeneca, modificada para também fornecer imunidade contra a emergente cepa da variante africada da Covid-19, identificada em abril.

No caso da vacina da Medicago, as pesquisas clínicas estão sendo conduzidas no Hospital do Rocio, em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), pela Science Valley Research Institute (SVRI) e mais de 300 voluntários elegíveis para o estudo já passaram pelo centro de pesquisa na RMC – a meta é chegar a 480 voluntários sadios no Paraná, 10 mil no Brasil e cerca de 30 mil no mundo.

Os testes de fase 1 e 2 dessa vacina à base de plantas, inédita no mundo, começaram globalmente em 2020 e os de fase 3, em março de 2021. No Brasil, os testes da fase clínica começaram em maio último e devem se encerrar em agosto

Já a nova versão da vacina da Astrazeneca, que será fabricada pela empresa Symbiosis Pharmaceutical Services, sediado no Reino Unido, recebeu autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ser pesquisada no último mês. O fármaco utiliza a tecnologia de vetor de adenovírus recombinante, a mesma utilizada no imunizante que é aplicado atualmente no país, mas foi modificada para também proteger contra a variante africana do coronavírus.

O estudo, randomizado, será aplicado em adultos de 18 anos de idade ou mais, previamente vacinados e não vacinados, para determinar a segurança e a imunogenicidade da vacina. Segundo a Anvisa, a intenção da AstraZeneca é verificar a eficácia do imunizante, que serviria como uma espécie de terceira dose para vacinas atualmente em uso, como a da própria Astrazeneca, da Pfizer e da Moderna.

‘Coronavírus veio para ficar’, diz especialista

Além das vacinas que vêm de fora e estão sendo testadas aqui, o Paraná também trabalha para ter uma vacina própria, que utiliza matéria-prima nacional, tem baixo custo e tecnologia que também poderá ser usada para combater outras doenças. Desenvolvida por cientistas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e fruto de pesquisas realizadas com polímeros biodegradáveis (macromoléculas que se degradam pela ação de microorganismos naturais) e partes de proteínas virais, o imunizante deve ter a fase pré-clínica encerrada até o final deste ano e deve iniciar em 2022, com a aprovação da Anvisa, os testes clínicos (em seres humanos).

Presidente da comissão de especialistas criada na UFPR para o enfrentamento e prevenção da Covid-19 e também o líder das pesquisas da vacina paranaense, o cientista Emanuel Maltempi de Souza explica que esforços como esse são importantes para que o Brasil crie, finalmente, uma capacidade nacional de produção de vacinas. Além disso, ele destaca também o fato de que imunizantes contra a Covid-19 deverão ser necessários pelos próximos anos ou até mesmo décadas, com a expectativa de que a vacinação contra a Covid-19 aconteça periodicamente.

“Não sei se pelos próximos cinco, dez anos ou para sempre [as vacinas contra a Covid serão necessárias]. Mas esse vírus veio para ficar, não vai embora”, diz o cientista. “Temos de construir capacidade de produção de vacinas e de diferentes vacinas para os próximos anos. Minha aposta inicial é que a vacinação de Covid é para sempre. Com o aparecimento de variantes, percebemos que muda a resposta para a vacina. A cada ano, a cada seis meses, talvez tenhamos de repensar a vacina. Por isso é necessário ter vários tipos de vacina, várias plataformas de vacina, que sejam desenvolvidas no Brasil, para a gente poder fazer essas modificações”, ressalta.

Vacinas

Outros imunzantes testados no Estado

Com a vacina paranaense, a outra à base de plantas e a nova versão do imunizantes da AstraZeneca, já são cinco as vacinas de Covid-19 testadas por aqui. Ainda em 2020 foram feitos testes clínicos da Coronavac no Hospital de Clínicas da UFPR, em Curitiba, com a vacinação de 1,4 mil voluntários na capital paranaense, que receberam duas doses do imunizante, em estudo coordenado pelo Instituto Butantan. Também no ano passado, a Johnson & Johnson testou no estado a vacina Janssen-Ciliag, em pesquisa coordenada pelo infectologista paranaense Clóvis Arns da Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia. Ao todo, 400 voluntários de Curitiba participaram do estudo. Além disso, a vacina Sputnik V, da Rússia, chegou a estar na mira do governo do Paraná, que chegou a assinar uma intenção de parceria com o instituto Gamaleya. O acordo, porém, teria desandado após um fundo de investimento russo alterar o projeto que havia sido negociado com o Brasil e há meses não há novidade sobre a iniciativa, que parece ter naufragado.

Curitiba vacina os nascidos no segundo semestre de 1992

Com a confirmação de chegada de nova remessa de vacinas anticovid, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) imunizará hoje, com a primeira dose, os moradores de Curitiba nascidos no segundo semestre de 1992. Também serão atendidas gestantes e puérperas.

O atendimento será feito em 19 pontos de vacinação, das 8h às 17h. São esperadas dez mil pessoas nascidas entre 1º de julho e 31 de dezembro de 1992. Hoje, não haverá repescagem.

A continuidade do cronograma por faixas etárias será feita com a nova remessa de imunizantes que deverá ser entregue ao município ainda hoje.
Hoje, também será aplicada a segunda dose para pessoas que receberam a primeira da Coronavac em 16 de julho e da Astrazeneca ou Pfizer em 17 de maio.

Boletins Covid-19
Dia 09/08

Curitiba
Novos casos 565
Mortes 17
Total
Casos 264.331
Mortes 6.809

Paraná
Novos casos 982
Mortes 94
Total
Casos 1.397.064
Mortes 35.729

Brasil
Novos casos 12.085
Mortes 411
Total
Casos 20.177.757
Mortes 563.562