Alerta

Incêndios ambientais: está aberta a ‘temporada de fogo’ no Paraná

Incêndios ambientais tradicionalmente sobem após as primeiras geadas no Estado: vegetação seca
Incêndios ambientais tradicionalmente sobem após as primeiras geadas no Estado: vegetação seca (Foto: Frankin de Freitas)

A cada 49 minutos, um incêndio ambiental é registrado no Paraná. Pelo menos tem sido assim desde 2017, com o Paraná tendo registrado 57.844 incêndios em vegetação entre janeiro de 2017 e 16 de maio de 2022. Os dados são do Sistema Digital de Dados Operacionais do Corpo de Bombeiros do Paraná (SYSBM-CCB).

Um alerta, no entanto, se faz importante. É que a ‘temporada de fogo’, quando os incêndios ambientais são mais comuns, ainda está para chegar. Isso geralmente ocorre durante o outono e inverno, quando se costuma ter um período de estiagem que propicia um tempo mais seco e frio e com área de matas mais secas, fáceis de incendiar.

Entre 2017 e 2021, por exemplo, os meses de julho, agosto e setembro concentraram mais da metade (50,5%) das ocorrências de incêndio ambiental no Paraná, com 28.599 registros no terceiro trimestre do ano.

Na sequência, os meses de abril (9,49%) e maio (7,74%) concentram o maior número de ocorrências. Curiosamente, no entanto, o mês de junho costuma ser o segundo com menos registros (3,7% do total), atrás apenas de janeiro (2,47%).

Estiagem alavancou números na pandemia

No período analisado, o ano com mais ocorrências foi 2019, que teve 12.717 registros, sendo que nos anos anteriores, em 2018 (8.854) e 2017 (10.869), não houve mais de 11 mil ocorrências em todo o estado. Já em 2020 (12.013) e 2021 (12.178), período no qual o Paraná conviveu com uma grave crise hídrica (que havia se iniciado em meados de 2019), o número de registros permaneceu acima de 12 mil.

Por outro lado, os primeiros meses de 2022 trazem alguns dados positivos. Após um verdadeiro salto nas ocorrências em janeiro (366, contra 93 no mesmo mês do ano anterior), o estado tem visto uma queda significativa nas ocorrências de incêndio ambiental. Até o final de abril foram registradas 1.120 situações desse tipo, o menor valor desde 2017 e bem abaixo dos 2.758 registros de 2021.

Em março, por exemplo, os bombeiros atenderam 149 ocorrências de incêndio em vegetação no Paraná. Em 2021, no mesmo mês, haviam atendido 567 situações. Já em abril houve 180 situações em todo o estado, contra 1.428 no mesmo mês do ano passado.

Como ajudar a evitar tragédias

Segundo o Corpo de Bombeiros, todos nós podemos evitar incêndios de pequena ou grande proporção, Para isso, basta seguir algumas dicas de segurança simples, como não jogar lixo em terrenos baldios ou qualquer outro lugar inapropriado para isso. Isso é importante porque papéis refletivos de balas, garrafas de vidro e qualquer outro material refletivo pode gerar calor suficiente para iniciar um incêndio.

Outra medida importante é não descartar bitucas de cigarro para fora do carro (o que pode gerar incêndios na vegetação limítrofe com estradas e ainda é passível de multa, de acordo com o Código de Trânsito Brasileiro) e também não fazer queimadas para limpeza de terrenos, pois facilmente perde-se o controle sobre elas e a catástrofe é certa, além de ser crime ambiental.

Na hora da diversão, alguns cuidados também são necessários. Ao acampar, por exemplo, não se deve fazer fogueiras em matas ou locais de acampamentos, pois uma fagulha que deixe acesa é o suficiente para ocorrer a combustão da mata. Também é importante não soltar balões, pois eles costumam cair em regiões de mata e frequentemente provocam incêndios, além de ser um risco quando caem em redes elétricas, rodovias ou até mesmo sobre residências.

Por último, caso se depare com um pequeno foco de incêndio (nada maior que uma pequena fogueira), você pode apagá-lo com uma mangueira de jardim ou até com um balde d’água, evitando que aconteçam maiores prejuízos. Mas se o incêndio já ganhou muita altura ou uma extensão muito avantajada, ligue imediatamente para o Corpo de Bombeiros, informe o local, tamanho e direção para onde o incêndio está indo. Também pprocure um lugar seguro longe do fogo ou fumaça para permanecer.

Equipes treinam combate a ocorrências da estação

O Parque Vila Velha, nos Campos Gerais, foi palco de um treinamento do Programa de Prevenção de Incêndios na Natureza (Previna), na semana passada. O programa é desenvolvido de maneira integrada entre diversas instituições, envolvendo o Instituto Água e Terra (IAT), Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Defesa Civil, Sanepar e Simepar.

De acordo com o comandante de aeronaves e oficial de comunicação do BPMOA, tenente Maikon Venâncio Correa, o treinamento acontece todo ano, entre os meses de março e junho, pois a partir de julho aumenta a possibilidade de incêndios florestais. “A temporada de incêndios começa no decorrer do mês de junho e julho e segue durante o inverno. Isso porque a vegetação do local começa a ficar seca com as temperaturas mais baixas e, consequentemente, mais suscetível ao fogo”, afirma.

Ainda segundo ele, esta foi a primeira vez que o treinamento envolveu um drone adquirido dentro do Previna. Os incêndios florestais durante o inverno são influenciados pela baixa umidade, a característica da vegetação, a incidência de ventos e a ação externa, como queima controlada e limpeza de terreno.