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Independente de edições em áudio, Temer cometeu crime, diz OAB

LUCAS VETTORAZZO BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente da OAB, Claudio Lamachia, disse nesta segunda-feira (22) que independentemente de ter havido ou não edições em áudio do presidente Michel Temer, houve crime de responsabilidade que justifique pedido de impeachment. A OAB mantém, portanto, a decisão de protocolar pedido de impedimento do presidente ainda esta semana.

A ordem se baseia não somente no áudio no qual Temer é gravado em conversa com o empresário Joesley Batista, em reunião sem registro, no Palácio Jaburu, em Brasília. Segundo Lamachia, a maior prova de que Temer cometeu crime de responsabilidade está na confirmação, pelo próprio presidente, em seus dois pronunciamentos, de que se reunira com o delator e que ouvira dele que comprava juízes e procuradores da Lava Jato.

Em pronunciamento no sábado (21), Temer confirmou a reunião e teor desse trecho específico da conversa, mas disse que não teria tomado atitude por julgar estar diante de um mentiroso, que cometia uma "fanfarronice". Lamachia afirmou que não cabia ao presidente fazer julgamentos naquele momento. A postura esperada, disse, seria encerrar a conversa e denunciar o empresário às autoridades. "Muito está se discutindo sobre alguma edição do áudio, mas a peça que a OAB irá apresentar tem como base também as declarações do presidente sobre a reunião. Ele em nenhum momento nega os fatos [relativos à conversa sobre compra de autoridades]", disse Lamachia. "Na medida que ele diz que Joesley é um fanfarrão e delinquente, agrava ainda mais o fato. Ele nem deveria o ter recebido", disse.

O presidente da Ordem lembrou ainda que um dos procuradores que teria recebido dinheiro da empresa, Ângelo Goulart, também foi preso. Lamachia afirmou que independentemente do resultado da avaliação que o STF (Supremo Tribunal Federal) fará tanto sobre o áudio quanto sobre o inquérito contra o presidente, o pedido de impeachment será mantido.

A ideia é protocolar nesta semana o pedido na Câmara. Inicialmente a OAB havia divulgado que seria nesta terça ou quarta. Lamachia admitiu, contudo, que pode ficar para quinta-feira (25). Outro fato grave apontado por Lamachia diz respeito ao trecho em que Joesley pede favores ao presidente na área econômica, ao que Temer sugere que ele procure o deputado (agora afastado) Rogério Rocha Loures (PMDB-PR), mais tarde filmado carregando malas de dinheiro. "Tudo ali é gravíssimo. Se algum ponto não estiver correto, o presidente terá a chance de se defender durante o processo", afirmou.

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