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Iniciativa leva educação física de graça para praça de Curitiba

Gabriel Lesak: aulas todos os dias na Praça do Athletico
Gabriel Lesak: aulas todos os dias na Praça do Athletico (Foto: Franklin de Freitas)

A Praça Afonso Botelho, também conhecida como a Praça do Athletico por ficar em frente ao estádio rubro-negro, no bairro Água Verde, em Curitiba, passou a receber uma iniciativa voluntária que busca incentivar a realização de atividades físicas, de forma segura, por pessoas de todas as idades e classes sociais. No local, o jovem Gabriel Lesak, de 26 anos, oferece todos os dias (da semana e também finais de semana) aulas de bicicleta, estrelinha, bananeira, flic, mortal, skate, patins e outros.

Segundo o rapaz, que é estudante de Educação Física na Universidade Federal do Paraná (UFPR), as aulas começaram a ser ofertadas no local há cerca de dois meses e foram uma forma que ele encontrou para se manter na ativa. Desde que ingressou no curso superior, em 2019, ele começou a dar aulas em projetos coordenados pela própria universidade, em lugares como a Praça Bento Munhoz da Rocha Neto (também conhecida como Praça do Paraná Clube) e a Vila Guaíra.

“Na pandemia a faculdade parou, aí [as aulas na PraçadoAthletico] foi uma maneira de me manter na ativa”, diz o estudante, que está todos os dias no local, a partir das 15 até 18 ou 19 horas, dependendo do movimento. “Estou lá quase todos os dias, a partir das 15 horas. Fico bem no Centro da Praça, é fácil de achar porque coloco umas placas que chamam a atenção, coloco cone, equipamentos...”, complementa.

Para participar, é simples: só chegar na Praça e procurar pelo professor. Nestes primeiros dois meses da iniciativa, a maioria dos participantes são crianças e adolescentes, com um interesse em especial pelo skate. Outras atividades, porém, também são ofertadas e pessoas de todas as idades estão convidadas a participar: na hora mesmo o Gabriel já avalia a condição física do indivíduo para analisar quais as atividades mais adequadas, criando ainda um processo para seu desenvolvimento físico.

“Quem quiser me encontrar, só chegar lá [na Praça do Athletico] e vou estar disposto”, diz.

Ajudando a tapar um buraco na educação

Conforme Gabriel Lesak, a ideia de oferecer aulas gratuitas de educação física surgiu depois dele próprio começar a ver a importância do esporte em sua vida. A partir da prática, conta, começaram a acontecer mudanças em seu humor, no foco e na atenção.

“Hoje leio um livro, vejo um filme de forma mais proveitosa. Reconheci a importância das atividades físicas e não teve outra opção para mim a não ser passar esse conhecimento para frente. Criança de cinco, seis anos, acho inaceitável que não saiba andar de bicicleta, patinete, roller, patins… É um buraco na educação que temos e estou tentando encontrar uma forma de resolver”, explica o estudante.

Só na Praça Afonso Botelho, cerca de 100 pessoas já participaram das aulas de Gabriel. “Tem dias que vou ali na Praça, começo a bater corda e quando vejo tem 10, 15 crianças participando. As pessoas em geral gostam bastante, veem que é algo voluntário, então chama bastante a atenção e elas elogiam muito por essa questão de ser voluntário, poderem decidir se ajudam ou não.”

Saúde

Maioria dos curitibanos está acima do peso e não realiza atividades físicas de forma suficiente

Em Curitiba, conforme dados do estudo Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel 2019), 53,7% da população adulta está com sobrepeso (taxa de 59,5% entre os homens e de 48,8% entre as mulheres), sendo que 19,4% dos curitibanos com mais de 18 anos são considerados obesos (porcentual que chega a 21,1% entre eles e a 17,9% entre elas).

Com relação à atividade física, apenas 41% da população faz exercícios no tempo livre (pelo menos 150 minutos de atividade de intensidade moderada por semana). Outros 42,4% praticam atividades físicas de forma insuficiente. Nesses casos, a soma de minutos despendidos em atividades físicas no tempo livre, no deslocamento para o trabalho/escola e na atividade ocupacional não alcança o equivalente a pelo menos 150 minutos semanais de atividades de intensidade moderada ou pelo menos 75 minutos semanais de atividades de intensidade vigorosa.

Além disso,12,2% dos curitibanos são considerados fisicamente inativos — não praticaram qualquer atividade física no tempo livre nos três meses anteriores à pesquisa e não realizam esforços físicos relevantes no trabalho, não se deslocam para o trabalho ou para a escola a pé ou de bicicleta e que não participam da limpeza pesada de suas casas.