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Mente e corpo

Isolamento mexe com a saúde mental. Especialista dá dicas para aumentar o bem-estar na quarentena

(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A quarentena já está prestes a completar três meses em diversas regiões do País e, apesar da flexibilização em alguns estados e cidades, muita gente ainda sofre com os efeitos do isolamento social.

Isso é o que revela um recente estudo realizado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), do Rio Grande do Sul. Das 3,6 mil pessoas que participaram do levantamento, 65% dos entrevistados relataram piora na saúde mental durante a pandemia. A percepção faz parte das conclusões da primeira fase da pesquisa chamada de CovidPsiq, que começou em abril e terá duração de seis meses.

Para 46,6% do total, a saúde mental "piorou um pouco" com as restrições à circulação e, para 18,4%, "piorou muito". Segundo os pesquisadores, quem estava em confinamento apresentou mais sintomas de estresse, ansiedade, depressão e estresse pós-traumático.

Dados como esse chamam a atenção a respeito dos cuidados necessários para elevar o bem-estar, que não é apenas um conceito - é uma ciência. “É o estudo empírico de tudo aquilo que contribui para que as pessoas floresçam”, diz a mestre em psicologia positiva aplicada pela Universidade da Pensilvânia, Flora Victoria.

A especialista conta que essa ciência, aliás, está recebendo um destaque cada vez maior em virtude da sua importância justamente para a saúde mental positiva. Não à toa, a própria Organização Mundial da Saúde (OMS) a define como: “um estado de bem-estar no qual o indivíduo desenvolve suas habilidades, consegue lidar com o estresse do dia a dia, trabalha de modo produtivo e é capaz de dar uma contribuição à sociedade”.

Mas, afinal, o que é bem-estar? “É uma combinação de sentir-se bem e funcionar de modo otimizado. Sentir-se bem se refere a experimentar emoções positivas regularmente. Já funcionamento otimizado é ter controle sobre a sua vida, desenvolver seu potencial, ter um propósito e desfrutar de relacionamentos saudáveis”, explica Flora, que também é Embaixadora da Felicidade no Brasil pela World Happiness Summit.

Manter uma saúde mental positiva, portanto, significa equilibrar as diversas dimensões do bem-estar (físico, emocional, social, intelectual, espiritual, ambiental e profissional) que estão ligadas às diferentes áreas da vida.

6 dicas para otimizar o bem-estar

De acordo com Flora Victoria, existem alguns comportamentos que podem ser colocados em prática para elevar a qualidade de vida:

Priorize: faça de você a sua prioridade. Assuma total responsabilidade por sua saúde e seu bem-estar.

Organize: uma boa gestão do tempo é essencial para que você possa priorizar seus objetivos de bem-estar. Rotinas caóticas não são compatíveis com uma boa qualidade de vida.
Energize: estabeleça objetivos que lhe tragam prazer, motivação e entusiasmo. Permita-se ser feliz!
Otimize: reavalie suas escolhas a partir do seguinte princípio: “estou investindo minhas energias em coisas que me dão o máximo retorno?”.
Valorize: inclua mais apreciação e gratidão em sua existência. Saber valorizar os bons momentos da vida aumenta seu bem-estar e sua satisfação.
Realize: monte sua própria agenda de atividades diárias e coloque-a em prática imediatamente. Sem ação não há realização.

Mindfulness é um grande aliado

Já ouviu falar em mindfulness? Em tradução livre, essa palavra significa atenção plena.

“O mindfulness nada mais é do que um estado de consciência total no momento presente”, conta Flora. “Ele contribui para diminuir o estresse, elevar a inteligência emocional e o autoconhecimento, além de proporcionar mais calma e tranquilidade, gerar maior equilíbrio entre corpo e mente, aumentar a satisfação e o bem-estar”, completa.

Embora o mindfulness seja geralmente associado à meditação, segundo a especialista em psicologia positiva, existem várias outras formas de desenvolver a atenção plena:

Atividades: qualquer atividade que você realiza pode se transformar em uma prática de mindfulness. Basta que você fique totalmente focado no que está fazendo.

Sons: ouça conscientemente os sons de seu ambiente. Se estiver escutando uma canção, concentre-se no ritmo. Um estudo do Centro de Pesquisa de Acústica em Música da Universidade de Stanford mostrou que a música pode estimular as ondas cerebrais para ressoar em sincronia com a batida. As rápidas trazem uma concentração mais nítida e um pensamento de alerta. Já um ritmo lento promove calma e leva a um estado meditativo.

Sensações: as sensações físicas podem oferecer outra oportunidade para a consciência plena. Preste atenção em suas sensações, tanto físicas quanto emocionais. Embora isso possa ser feito em qualquer lugar, uma técnica adicional para focar a sensação é praticar a atenção plena no banho. Sinta o prazer de estar aqui e agora em meio à água.

Paladar: comer de forma consciente tem sido usado de modo eficaz por pessoas que tentam emagrecer e querem sentir melhor o sabor da comida. Experimente saborear cada mordida, gole ou colherada. Coma devagar e sem pensar em mais nada, prestando total atenção no gosto, na textura e no aroma.

Pensamentos: um dos principais obstáculos que as pessoas experimentam quando tentam focar o presente é a dificuldade de limpar a mente, isto é, não se perder no constante fluxo de pensamentos. Para lidar com isso, você pode deixar os pensamentos irem e virem, sem se envolver com eles. Outro modo é realizar alguma atividade cotidiana, como limpar a casa ou cuidar do jardim, colocando o foco nas ações que você realiza – e não no que se passa em sua mente.

Respiração: colocar a consciência na forma como você respira é uma técnica eficaz de mindfulness. Inspirar e expirar devagar, sentindo cada movimento, contribui para o relaxamento físico, mental e emocional.

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