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Entrevista

Jetson, joia do Colorado que chegou à seleção e brilhou no Coritiba

Jetson ao lado da estátua de Dirceu Krüger: "ser humano sensacional"
Jetson ao lado da estátua de Dirceu Krüger: "ser humano sensacional" (Foto: Franklin de Freitas)

Jetson Ricardo Mendes dos Santos, 47 anos. Nasceu em Curitiba, em 1973, época em que desenho animado “Os Jetsons” fazia sucesso na TV.

No entanto, o curitibano não tinha nada a ver com a série norte-americana. “Tenho cinco irmãos, todos com nome começando com jota. Meus pais garantem que meu nome não tem relação com o desenho e que é mistura de nomes bíblicos”, conta Jetson.

Com o tempo, o nome exótico virou sinônimo de bom futebol. Desde cedo, Jetson brilhou nas escolinhas de futsal e no futebol de campo do Colorado. Acabou convocado para defender a seleção brasileira no Sul-Americano Sub-16 em 1988. E voltou do Equador com o título de campeão, conquistado sobre a Argentina.

Logo após o título internacional, o atacante foi comprado pelo Coritiba. No clube paranaense, viveu bons momentos em 1992 e 93. E teve o privilégio de trabalhar com Dirceu Krüger.

Depois de pendurar as chuteiras, Jetson virou empresário no ramo do turismo e ajudou na criação da Confraria dos Ex-Atletas do Coritiba. Hoje ele preside a entidade, que luta pela valorização dos ex-jogadores e mantém uma escolinha de futebol para crianças de sete aos 17 anos.

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Bem Paraná — Qual foi o primeiro contato com o futebol?
Jetson — O contato com a bola começou nas ruas onde morei, no Boqueirão. Aos 11 anos, tive uma passagem rápida pelo Pinheiros. Fiz teste e passei, mas tive que mudar para o Mercês, onde comecei a jogar futsal na escola Madre Anatolia. Com 13 anos, fui parar no Colorado, através de amigos, com o professor Pernambuco. Então joguei no Colorado antes de ir para o Coritiba.

BP — O futsal é importante na formação para o jogador de campo?
Jetson —Importantíssimo. Te dá uma base de finalização, de raciocínio rápido, o famoso ‘um dois’. No meu tempo, era bola, bola, bola e coletivo. Hoje não fazem muito isso. Hoje é muito mais tático. Para mim, futsal é fundamental, no mínino, até os 12 anos.

BP — Como foi chegar à seleção brasileira em 1988?
Jetson — Neste ano fiz mais de 50 gols pelo Colorado e fui convocado para seleção brasileira em 88. Foi feito um torneio no antigo Pavoc entre Coritiba, Colorado, Athletico e Pinheiros. Veio comissão técnica da seleção. Foram convocados para a fase de preparação eu pelo Colorado, Paulo Rink pelo Athletico, Cássio pelo Pinheiros e Marinho pelo Coritiba. Era muito difícil naquela época uma convocação para a seleção brasileira, tanto na base como no profissional. O futebol paranaense quase não tinha espaço nas convocações. A experiência foi muito boa. Ficamos uns 30 dias na Granja Comary no Rio e mais uns 15 dias no Equador. Fomos campeões invictos em cima da Argentina. Foi sensacional. Sensação de dever cumprido. Na volta, comemoração com amigos e familiares tive a grata surpresa de ser comprado pelo Coritiba clube que sempre torci e na época foi a maior transação da categoria de base.

BP — Como foi a transição da base para o profissional?
Jetson — Foi muito rápida. Fui comprado no segundo semestre de 88 e, em 90, já estava começando a suprir a falta de jogadores nos treinos do profissional. Jogava pelo juvenil e juniores. Em 91, com a chegada do Levir Culpi, comecei a ficar mais efetivo no profissional.

BP – Qual foi o auge da sua carreira?
Jetson — Melhor momento acho que foi em 1992 e 1993, no Coritiba. Foram dois anos que eu estava fazendo gols mesmo no momento delicado que o clube ficou depois de 89, com a queda para a segunda divisão, sem ter muito dinheiro para estrutura e contratações.

BP — E o pior momento? Chegou a pensar em largar o futebol em algum ponto da carreira?
Jetson — Atleta de futebol tem momentos bons e ruins. Momento ruim foi quando tive uma lesão no joelho. Não operei, mas fiquei 90 dias parado em recuperação. Nunca pensei em parar por qualquer motivo.

BP — Você jogou improvisado como centroavante em vários momentos da carreira. Qual a sua posição preferida?
Jetson — Eu gostava de jogar junto com um centroavante de ofício e eu liberado para atuar pelos lados do campo ou vindo de trás com a bola. Pela condição técnica e arremates a gol, e também por falta de centroavantes em algumas situações, acabava eu ficando como 9 enfiado entre os zagueiros. Eu não gostava, porque tinha vários jogos que a bola não chegava em condições de conclusão. No Coritiba, joguei com bons centroavantes, como o Magrão e o Brandão, mas eles não ficaram tanto tempo no clube.

BP — Com essas improvisações e outras situações, você acha que quase foi ‘queimado’ por algum treinador?
Jetson — Não considero que fui queimado por nenhum treinador. Eles me colocavam de centroavante por necessidade mesmo. E por confiança que tinham no meu futebol, pela minha condição técnica.

BP – Como foi trabalhar com Dirceu Krüger?
Jetson — Trabalhei com Dirceu Krüger desde 1988, nas categorias de base e aspirantes. E depois no profissional. Um ser humano sensacional, sempre pronto a ajudar o clube. De uma estrela formidável. Nos momentos difíceis, ele assumia o comando e começavam as vitórias — e eu sempre fazendo uns golzinhos. Quando ele assumia, ele arrumava o esquema e facilitava minha vida. O Krüger deixava a gente solto em campo. Assim foi no Brasileiro de 96. Ele colocou vários pratas-da-casa e demos uma arrancada. Foi muito importante, distanciando da zona da degola e chegando perto da classificação. Ganhamos do Paraná Clube no Couto Pereira, do Vasco no Maracanã e do Grêmio no Olímpico.

BP — Você deixou o Coritiba em 1997 e não voltou mais. Como foram os últimos anos da carreira?
Jetson — Depois do Brasileiro de 96, tinha a questão da lei do passe: o atleta era do clube. Fui emprestado para o Belenenses, de Portugal, com contrato até julho de 97. Foi uma experiência excelente. Fizemos uma boa campanha. Voltei depois de empréstimo e acabei não renovando com o Coritiba. Fui para o Criciúma no segundo semestre de 97. Joguei em mais cinco clubes, encerrando a carreira em 2003, com planos de casar e ter filhos.

BP — Quais os melhores técnicos que você trabalhou?
Jetson — Tive vários treinadores de ponta na época. Falar nomes é complicado, acaba esquecendo de alguém, mas Krüger, Otacílio Gonçalves, Levir Culpi, Carpegiani, Sérgio Ramirez, Bonamigo e Pepe foram alguns excelentes treinadores.

BP – E como ficou a vida após pendurar as chuteiras?
Jetson — Depois que parei abri loja de turismo. Casei. Tenho dois filhos meninos, Fellipe de 12 e Ricardo de 14 anos. Fundamos a Confraria dos Ex-Atletas do Coritiba. Sou o atual presidente. Temos dois núcleos de escolas de futebol, com projeto social com a UFPR para crianças dos sete aos 17 anos, para a prática de exercício físico e futebol, aliada à formação do cidadão para a sociedade. Aulas são de segunda a quinta, manhã e tarde. Os professores são todos ex-jogadores integrantes da Confraria.

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