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Operação piloto

Justiça condena ex-chefe de gabinete de Beto Richa

Roldo: propina de R$ 3,5 milhões
Roldo: propina de R$ 3,5 milhões (Foto: Arquivo/Bem Paraná)

A 23ª Vara Federal de Curitiba condenou, na quarta-feira, o ex-chefe de gabinete do ex-governador Beto Richa, Deonilson Roldo, a 10 anos e cinco meses de prisão por corrupção passiva e fraude a licitação, no âmbito da Operação Piloto, 53ª fase da Lava Jato do Ministério Público Federal (MPF). Roldo é acusado de ter recebido propina para favorecer a Odebrecht em uma licitação para obras de duplicação da rodovia PR-323, na região Norte do Estado. O empresário Jorge Atherino, apontado pelo MPF como operador financeiro do grupo político do tucano, também foi condenado a 4 anos, 9 meses e 15 de prisão em regime semiaberto, por corrupção passiva.
Os dois também foram condenados ao pagamento de multa e ao ressarcimento no valor de R$ 4 milhões. Ambos foram absolvidos das imputações do crime de lavagem de dinheiro. Cabe recurso da decisão.
A decisão do juiz Paulo Sergio Ribeiro é a primeira sentença do caso. Richa responde a outro processo por fraude a licitação, corrupção e lavagem de dinheiro no âmbito da operação Piloto, ainda não julgada. Foram condenados ainda outros quatro executivos e fundionários da Odebrecht, que tiveram as penas comutadas em razão de delação premiada.
E setembro de 2018, a força-tarefa Lava Jato denunciou 11 pessoas pelos crimes de corrupção (ativa e passiva) e lavagem de dinheiro. As provas que embasaram a acusação apontam o pagamento de propina pela Odebrecht para em troca de favorecimento na Parceria Público Privada (PPP) para exploração e duplicação da PR-323, em 2014, cujo valor era de R$ 7,2 bilhões.
Compromisso
A denúncia é baseada em gravação de conversa entre Roldo e um executivo do grupo Bertin no Palácio Iguaçu, no início de 2014, no qual o então chefe de gabinete de Richa sugere que a empresa não dispute a licitação, alegando que o grupo político do tucano já tinha um “compromisso” com a Odebrecht. Em troca, a empreiteira teria se comprometido a pagar R$ 4 milhões ao grupo. Segundo a denúncia, lançamentos registrados no sistema de contabilidade informal da Odebrecht teriam comprovado o pagamento de pelo menos R$ 3,5 milhões em espécie a Roldo. O destinatário final do dinheiro, de acordo com o MPF, seria Beto Richa.
A defesa de Roldo afirmou que só se pronunciará quando for notificada formalmente pela Justiça. A de Atherino disse em nota que “restou comprovado que Jorge Theodócio Atherino não participou de atos de corrupção, tese a ser abordada, entre outras, perante o TRF4 no momento oportuno”. A de Beto Richa afirmou que não se pronunciará sobre a decisão.

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