Leilão do Banco Santos rende R$ 16 milhões

Há tempos o mercado de artes não ouvia falar de vendas acima de R$ 1 milhão, como antes da pandemia. Ao que tudo indica, os sinais de retomada são claros, embora os resultados do leilão do Banco Santos, que começou ontem à noite sob o comando do leiloeiro James Lisboa, ainda sejam tímidos para uma previsão mais otimista sobre a recuperação desse mercado. Seja como for, os resultados projetados pelo próprio organizador do leilão foram superados - e muito - na primeira noite do leilão, em que várias obras ultrapassaram esse patamar.

O leilão rendeu só na noite de segunda-feira, 21, algo como R$ 16 milhões. A principal venda foi uma pintura do norte-americano Frank Stella, The Foundling #6 (2004), a mais cara do pregão, acrílica com lance inicial de R$ 3 milhões, que alcançou R$ 4,2 milhões, seguida por um esboço de Tarsila do Amaral para a tela Operários (1933), vendido por R$ 1,3 milhão - o lance inicial era de R$ 32 mil. Valor equivalente alcançou uma tela do pintor carioca Cildo Meireles, Muro (1986), obra em técnica mista (acrílica e crayon sobre lona costurada e amarrada em cano de metal), arrematada por R$1.350.000,00, quando o lance inicial era de R$ 20 mil.

O escultor Tunga foi outra estrela do primeiro dos dez dias de leilão, que colocou à venda 150 lotes. Sua escultura Primeiras Núpcias (1986), com lance inicial de R$ 46 mil, foi comprada por R$1.035.000,00. Ainda que sejam valores excepcionais, os preços que alcançaram as fotografias no leilão (entre R$ 30 mil e R$ 180 mil), surpreenderam até mesmo o experiente leiloeiro. E no primeiro dia do leilão, que vai até 2 de outubro, fotos históricas foram arrematadas por colecionadores - como a do pioneiro surrealista Man Ray, imagens trabalhadas nos anos 1920 e 1930 como Rayograph (1927) e Electricité (1931), ambas com lance inicial de R$ 5 mil e arrematadas por dez vez esse valor, caso de uma foto sem título (lote 118) de um torso feminino.

Está certo, os preços do leilão, fixados há 15 anos, estavam todos defasados, mas R$ 180 mil por uma fotografia é um bom indicador do crescimento desse segmento de mercado e da exigência dos colecionadores de fotos, que eram poucos há duas décadas no Brasil e já formam um bom time - a fundação do Museu da Fotografia, a SP-Arte Foto e os galeristas tiveram papel importante nesse processo. Esse valor de R$ 180 mil (o lance inicial era de R$ 2,5 mil) foi alcançado por uma foto do norte-americano Richard Avedon (1923-2004) dos anos 1960. A contemporânea Cindy Sherman ficou logo atrás, com uma imagem dos anos 1980 vendida por R$ 150 mil (lance inicial de R$ 2 mil).

O conjunto de monotipias de Mira Schendel, outra estrela da mostra, saiu por R$ 910 mil. São oito obras da série A Criação do Mundo, de 1965, cujo lance inicial estava fixado em R$ 12 mil. Só na primeira noite do leilão da massa falida do Banco Santos o resultado da venda dos 150 lotes (R$ 16 milhões) quase alcançou o previsto pela venda de todos os 1.972 lotes (que era de R$ 20 milhões). E ainda faltam 1.822 obras para leiloar nos próximos nove dias. Segundo o leiloeiro James Lisboa, 99% das peças do primeiro pregão foram vendidas.