Marcha da maconha

Liberdade de expressão vira tema de manifestação

A marcha da maconha que estava marcada para acontecer na tarde de ontem, em Curitiba, se tornou uma manifestação pela liberdade de expressão, depois que a Justiça paranaense proibiu a realização do encontro que pretendia discutir a descriminalização da droga. O encontro estava marcado para a Praça Santos Andrade. Por volta das 15 horas, os manifestantes começaram a se reunir nas escadarias do prédio histórico da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Mais de 150 pessoas compareceram.
Elas iniciaram o ato com uma caminhada até a Boca Maldita. Os manfiestantes carregavam cartazes contra a proibição da Marcha e clamavam pela liberdade de expressão. Na Boca Maldita, eles se dispersaram quando dois veículos da Polícia Militar apareceram. Mas o ato prosseguiu. Uma parte do grupo inicial seguiu, ainda em caminhada, para o Centro Cívico. Eles desceram a Avenida Cândido de Abreu com apitos e gritos de ordem. Só depois é que houve a dispersão.
O movimento da Marcha da Maconha foi criado por várias entidades civis que propõem a discussão do tema. Eles acreditam que a participação popular é importante e não aceitam que apenas políticos ou os governos definam o tema. A Marcha fo lançada no dia 7 de maio, no Rio de Janeiro, e previa manifestações em 17 cidades e capitais. Além de Curitiba, a marcha em São Paulo, marcada para o sábado passado, também foi proibida pela Justiça.


Na capital paulista, hovue confronto entre os manifestantes e a polícia. O ato havia reunido 500 pessoas no vão do Masp, na Avenida Paulista. A manifestação fechou o tráfego na avenida Paulista entre as 15 horas e 15h25, na altura da rua Peixoto Gomide, segundo informou a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Depois, o grupo seguiu pela rua da Consolação. Para dispersar os manifestantes, a Polícia Militar usou bombas de gás lacrimogêneo e, por volta das 15h30, o protesto acabou. Oito pessoas foram detidas.
No Paraná a decisão de não permitir a realização da Marcha saiu na quarta-feira, amparando um pedido do deputado federal Fernando Francisquini, que alegava que a marcha faz apologia ao uso da maconha. No site que a Marcha Ma maconha mantém na internet, o coletivo da mobilização tenta reafirmar que suas atividades não têm a intenção de fazer apologia à maconha ou ao seu uso, nem incentivar qualquer tipo de atividade criminosa. As atividades do Coletivo respeitam não só o direito à livre manifestação de idéias e opiniões, mas também os limites legais desse e de outros direitos, diz mensagem no site.
Depois de Curitiba, a Marcha da Maconha está programada para acontecer em Jundiaí (SP), Porto Alegre, Recife, Belém, Campinas, Florianópolis, Fortaleza, Juiz de Fora (MG), Natal, Salvador, Brasília e encerrando em Rio das Ostras (RJ).