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Mackenzie Dern comenta críticas por derrota pós-gravidez e volta buscando moral

A americana naturalizada brasileira Mackenzie Dern estará em ação neste sábado, em Las Vegas, quando enfrenta Hannah Cifers, dos Estados Unidos, pelo UFC. A lutadora retorna ao octógono após uma derrota por decisão unânime para a brasileira Amanda Ribas em outubro do ano passado, quatro meses após se tornar mãe.

Em entrevista ao Estadão, Mackenzie comenta sobre as críticas pós-gravidez e afirma que busca ganhar moral com a organização. "Uma das coisas que mudou após o nascimento da Moa foi eu ter experimentado o gosto da derrota. É muito ruim perder, mas quando você está invicta, você não sabe como vai se sentir, como as pessoas vão agir com você. Eu senti muito as críticas na ocasião, mas amadureci muito também e elas me afetam muito menos agora".

Após a sua derrota para a Amanda, como ficaram as conversas com o UFC? Você pediu para lutar agora?

Eu queria ter lutado em março. Assim que acabou a luta com a Amanda, eu já comecei a pedir eventos para lutar. Mas como eu fui derrotada, demorei para conseguir. Coloquei muita pressão e consegui para abril, mas aí veio a pandemia e cancelou tudo. Eu fiquei em cima para conseguir essa de sábado. Preciso ganhar para voltar a ter essa moral de pedir lutas.

Lutar durante uma pandemia acaba gerando algum tipo receio?

Não muito. Acho que o único receio que tive foi de pegar o avião e chegar no hotel. De resto, tive mais medo de me machucar ou algo do tipo por conta da preparação. Mas está tudo certo, estou muito animada. Só quero entrar lá, fazer o meu melhor e vencer a luta. E, claro, tomar todos os cuidados necessários.

Como foi a preparação para essa luta?

Eu tive muita sorte. Porque a academia que eu treino fechou para o público, mas liberou o octógono e o tatame para mim e para outros lutadores profissionais que tinham luta marcada. Tudo privado e higienizado. Então eu consegui treinar lá, talvez tenha tido muito mais oportunidade do que pessoas que tiveram que treinar em suas garagens.

Quando você retornou ao trabalho pouco tempo após o nascimento da sua filha chegou a comentar que os fãs iriam ver uma Mackenzie "mais madura". Agora a Moa já vai completar um ano. O que mudou de lá pra cá?

Uma das coisas que mudou foi eu ter experimentado o gosto da derrota. É muito ruim perder, mas quando você está invicta, você não sabe como vai se sentir, como as pessoas vão agir com você. Eu senti muito as críticas na ocasião, mas eu amadureci muito também e elas me afetam muito menos agora. Além disso, como a Moa está maior agora, ela assiste tudo o que faço e tenta imitar. Então eu tenho prestado muito mais atenção na pessoa que eu sou, que eu quero ser. Porque eu quero ser um exemplo para ela.

Como está sendo conciliar a vida de mãe com a vida de atleta? E a parceria com o Wesley Santos (seu marido e surfista profissional)?

Eu acho que tenho conseguido conciliar bem, acho que sou uma boa mãe. Também não me sinto mal como lutadora. E tenho muita ajuda do meu marido, a gente se divide em tudo. O trabalho dele é muito flexível, ele é surfista. Ele não fica preso dentro de um escritório das 9h às 18h. Como ele é atleta também, ele entende cada momento. Às vezes volto do treino super dolorida, cansada e ele na hora entende que é melhor que ele fique com a Moa. E vice-versa. A maior ajuda é o fato de ter ele comigo e a gente conseguir fazer tudo.

Fica aquela expectativa para descobrir se a Moa vai despertar o desejo para ser lutadora ou surfista? Vocês brincam falando sobre isso?

Ah, sempre. A gente sempre fala isso. Ela adora a praia e ele fica mostrando a prancha, passando parafina… Aí ela quer mexer, quer subir. E ela também fica me assistindo treinar, já faz sombrinha treinando. Como ela está naquela fase da criança de começar a bater, eu tenho medo dela me vir batendo e querer bater nos outros, achar normal. Então a gente se preocupa muito em tentar ensinar isso. Eu estou tentando ensinar esse respeito das artes marciais. Mas eu quero muito que ela faça jiu-jítsu.

Como está sendo esse período de quarentena?

A pandemia bagunçou tudo, né? Eu queria lutar, mas estava impossível. Depois da derrota para Amanda, eu queria aproveitar e voltar logo, mas acabou não aconteceu. Mas fico feliz de estar podendo voltar a trabalhar. Está tudo uma loucura, os brasileiros agora não podem mais voar para cá, uma montanha-russa. Eu tenho treinado, claro que falta uma estrutura maior, que todo atleta profissional procura. Mas todos os atletas estão vivendo isso. Por isso, acho que veremos lutas mais técnicas e menos atléticas. O cara não vai mais ganhar porque tem mais gás ou força. Agora a gente vai ver quem é mais técnico.

E qual é a expectativa para o restante do ano?

Sobre o futuro, com certeza, eu vencendo, já vou pedir para lutar no próximo evento. Gostaria de lutar mais umas três vezes neste ano.

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