Eleições 2018

Maior doador para campanhas do país prioriza PSDB, DEM e MDB e candidatos a reeleição

Maior doador individual para a campanha eleitoral de 2018, o empresário Rubens Ometto destinou a maior parte dos recursos a três partidos —PSDB, DEM e MDB— e priorizou candidatos que já cumprem mandato e buscam reeleição neste domingo (7). Dono do conglomerado do setor de energia Cosan, Ometto doou um total de R$ 6,83 milhões, segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) até esta sexta (5). O valor é mais do que o dobro do segundo maior doador individual, Nevaldo Rocha, do grupo têxtil Riachuelo, que destinou R$ 3 milhões.

Doações de empresários ganharam peso na campanha deste ano, após a proibição do apoio por empresas. Na eleição presidencial de 2014, Ometto não apoiou candidatos. Mas uma das companhias de seu grupo, a Cosan Lubrificantes, colocou R$ 4 milhões na candidatura de Dilma Rousseff (PT).

Ometto uma fortuna estimada pela revista Forbes em US$ 1,4 bilhão (R$ 5,4 bilhões na cotação atual) e ocupa hoje a presidência do conselho de administração da Cosan, que tem negócios nos setores de energia, logística, combustíveis e açúcar e etanol e teve em 2017 receita de pouco menos de R$ 50 bilhões.

Recluso, não tem o costume de se posicionar publicamente sobre a política nacional. Procurado para comentar suas doações, preferiu enviar nota dizendo que "foram realizadas em caráter pessoal e seguem as regras estabelecidas pelo TSE e demais normas aplicáveis".

Em 2017, veio a público defender o governo Michel Temer, as reformas econômicas e a redução do peso do Estado na economia.  "O governo tem de deixar de querer participar da economia, deixar de ser empresário. Ele é ineficiente", afirmou, em entrevista na qual criticou o governo Dilma.

Ometto não apoia candidatos a presidente este ano. Preferiu focar no legislativo e em doações a diretórios de partidos. Entre os 50 a quem doou recursos, apenas três concorrem a governador: Paulo Skaf (MDB), em São Paulo, Ratinho Junior (PSD), no Paraná, e Ronaldo Caiado (DEM), Goiás.

Juntos PSDB, MDB e DEM ficaram com R$ 5,05 milhões, entre diretórios e candidatos, o equivalente a 74% do valor que saiu do bolso do empresário. Candidatos que já têm mandato receberam R$ 4,28 milhões.

Destes, 11 fazem parte da comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, responsável por analisar projetos de lei que influenciam os negócios da Cosan, que atua nos setores de energia, combustíveis e açúcar e etanol.

Um deles é o ex-ministro de Minas e Energia nomeado por Temer Fernando Coelho Filho (DEM), que deixou o cargo em abril para concorrer à reeleição como deputado estadual por Pernambuco.

Maior produtora de etanol e sócia da terceira maior distribuidora de combustíveis do país, a empresa tem forte influência em entidades de classe dos dois setores, a Unica (União da Indústria de Cana) e a Plural, sindicato que reúne o segmento de distribuição de combustíveis.

A empresa tem se posicionado contra a venda direta de etanol aos postos, em debate no Congresso e na ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) e a propostas da agência para desregulamentar o mercado de combustíveis, reduzindo amarras para a atuação de postos e distribuidoras.