Na pandemia

Maioria das mulheres está com consultas ginecológicas atrasadas

(Foto: Freepik)

“Estima-se que sete a cada dez mulheres deixaram de fazer suas consultas de rotina durante a pandemia”, alerta a Cléia de Oliveira Carreira, ginecologista do Hospital São Vicente Curitiba. Mais do que câncer de mama e de colo de útero, que têm altas taxas de cura quando detectados precocemente, outras doenças também são investigadas em uma consulta ginecológica.

“O ginecologista é considerado um clínico geral para a mulher. Normalmente, nas consultas de rotina, além do Papanicolau, para detectar o câncer de colo de útero, e exames físicos, ainda solicitamos exames laboratoriais para avaliar diabetes, colesterol, anemia e doenças sexualmente transmissíveis, e exames de imagem que detectam cistos no ovário, nódulos mamários e endometriose, além de mamografia após os 40 anos e densitometria óssea após os 50 anos”, afirma Cléia.

Uma das doenças mais prevalentes entre as mulheres é a endometriose, que atinge cerca de 7 milhões de brasileiras segundo o Ministério da Saúde, mas estima-se que o diagnóstico só seja feito após três a 12 anos do seu surgimento. “Nós suspeitamos da doença quando a paciente tem queixas de dismenorreia, ou seja, cólica muito forte no período menstrual”, explica a ginecologista.

A doença faz com que as células do endométrio, mucosa de revestimento da parede interna do útero, acumulem em outras regiões do corpo. Por isso, sempre qualquer tipo de dor ou outros sintomas devem ser informados em uma consulta ginecológica.

Doenças sexualmente transmissíveis

O corrimento, outro problema recorrente entre as mulheres, também deve ser investigado, pois pode indicar uma doença sexualmente transmissível (DST), como a tricomoníase e a clamídia. “A infecção por clamídia costuma evoluir rapidamente e pode causar infertilidade na mulher se não tratada corretamente”, salienta a ginecologista.

De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde 2019, do IBGE, mais de um milhão de brasileiros afirmaram ter o diagnóstico de alguma DST. Todas essas doenças podem ter complicações, por isso Cléia lembra que a mulher deve começar a fazer consultas ginecológicas anuais sempre que for iniciar usa vida sexual. “Inclusive, para ainda ter orientações sobre métodos contraceptivos e preventivos que também ajudam a evitar a gestação na adolescência”, aponta.

Cuidado precoce

Contudo, a primeira consulta ao ginecologista deve acontecer ainda mais cedo. “Já quando a menina tem a primeira menstruação é recomendado que seja levada ao ginecologista para orientações sobre ciclo menstrual e outros cuidados”, orienta a ginecologista.

A imunização contra o HPV também deve ser feita antes mesmo de se iniciar o acompanhamento ginecológico. “Com essa vacina nós esperamos, com o tempo, reduzir drasticamente os casos de câncer de colo de útero”, revela.

A vacina está disponível no SUS para meninas de 9 a 14 anos e mulheres imunossuprimidas de 9 a 45 anos. “Algumas mulheres adultas que não se vacinaram na adolescência também podem se beneficiar com a vacina, mas necessitam de três doses”, observa a ginecologista, lembrando que as crianças também devem ser vacinadas contra a Hepatite B, oferecida gratuitamente.