Publicidade
Capital sem glúten

Mercado de produtos saudáveis cresce e Curitiba luta para virar referência

Oneivo Bertussi: depois de 16 anos com uma pizzaria, mudança para um produto sem glúten
Oneivo Bertussi: depois de 16 anos com uma pizzaria, mudança para um produto sem glúten (Foto: Franklin de Freitas)

O que até pouco tempo era só uma percepção agora virou um fato: o mercado de alimentos saudáveis está crescendo (e muito!) em Curitiba. E o que atesta isso é uma pesquisa realizada pelo Sebrae/PR com 200 empresários. O estudo, feito em agosto e setembro deste ano, revelou que para 66% dos entrevistados houve aumento no número de consumidores, estabelecimentos e novos produtos para o segmento. Além disso, 91% ainda identificaram um avanço nesse mercado em relação a atendimento, tecnologia e distribuição.

Agora, o desafio é transformar Curitiba em referência nacional para o setor, que movimenta anualmente US$ 35 bilhões no país, que já é o quarto maior mercado de produtos saudáveis no mundo, segundo dados de uma pesquisa da Euromonitor. “Até comentamos que (o segmento) não é mais uma tendência, mas um fato. Já está acontecendo, número de empresas está crescendo. Para consolidar ainda mais, precisamos de inovação e tecnologia”, afirma Andreia Claudino, coordenadora estadual de agronegócio do Sebrae/PR.

Ainda segundo ela, a ideia de fazer a pesquisa surgiu justamente a partir da percepção de que algo de relevante estava acontecendo no segmento. “Temos um programa chamado Alimentos do Paraná, com cerca de 260 empresas. E nos últimos três anos percebemos um aumento de 30% dos nossos clientes que até então trabalhavam com produtos convencionais e mudaram, converteram para ter um mix de produtos naturais.”

Uma dessas empresas é a Casa Rigani. Até agosto de 2017 a empresa funcionava como uma pizzaria tradicional, com uma opção de massa sem glúten. Ao perceberem a alta demanda pelo produto por parte de celíacos, intolerantes ao glúten e de pessoas que seguem dietas que restringem o consumo da proteína, os proprietários resolveram se aprofundar no assunto e transformaram a pizzaria, tendo como base o conceito “pizza boa é para todos”.

“Na época, tínhamos experiência de pouco mais de 16 anos com pizzaria tradicional e em meio à grande concorrência sentimos que precisavamos inovar, e aí surgiu a massa sem glúten. Colocamos no cardápio e a procura cresceu bastante. Percebemos uma carência muito grande de estabelecimentos que ofereciam produtos para atender esse segmento, então resolvemos migrar a pizzaria para 100% glúten free. E para surpresa nossa, o movimento só cresceu a partir daí”, conta o empresário Oneivo Bertussi.

O sucesso foi tão grande que Oneivo e sua esposa, Larissa (que foi quem criou a massa, feita de mandioca e fécula de batata), resolveram vender a pizzaria e continuar apenas com a Casa Rigani, que hoje vende massas sem glúten para pizza e tortilla no varejo, com seus produtos podendo ser encontrados em grandes redes de supermercados e lojas de produtos naturais. Além disso, mais de 40 pizzarias no Brasil todo são atendidas pela marca, que nos últimos 12 meses registrou crescimento de 400% nas vendas.

Criação de polo tecnológico deve acelerar crescimento

Na pesquisa do Sebrae,realizada com empresas que atuam, prestam serviços ou revendem para outras que atuam no segmento de alimentos funcionais, naturais, orgânicos ou para fins especiais, 51% dos entrevistados apontaram que Curitiba possui um potencial melhor em relação a outras cidades. Com isso, surgiu a inspiração para a criação do projeto de um polo tecnológico, um ambiente que deve promover e apoiar empresários a obter maior acesso a tecnologias, inovações e ações de interação no segmento. Os dados indicaram que 94% dos empresários seriam favoráveis à implantação desse projeto.

“A ideia é termos um ambiente físico com a presença de incubadoras, aceleradoras, laboratórios adaptados, espaço para ensaios e testes de novos produtos e equipamentos. Hoje temos muitas iniciativas individualizadas e a ideia é criar uma rede de conexões, troca de experiências, capacitações e de informações que colaborem para o desenvolvimento mais eficiente desse mercado”, afirma Andreia. O projeto, que tem o apoio da FIEP e do Tecpar, deve ser lançado ainda nesse ano e a intenção é que as primeiras ações sejam colocadas em prática ao longo de 2020. As instituições também estudam outras parcerias e a viabilização de um local pra sediar o polo.

Informação para fidelizar clientes e disseminar a cultura

Outra empresa que tem acompanhado de perto o crescimento do mercado de produtos saudáveis em Curitiba é a Bonn Markt. Localizada no Bom Retiro, o estabelecimento funciona como um multiplicador dessa cultura alimentícia mais saudável, oferecendo um atendimento personalizado aos clientes para disseminar informação e fidelizar clientes. “As pessoas ainda desconhecem. Vêm na loja, veem uma ervilha rosa, arroz vermelho. Quanto custa? R$ 6 o quilo e ficam surpresas com o preço. Por isso nosso trabalho de orientação é muito forte”, diz o empresário Amanzor Atílio Soffiatti Neto. “Procuramos ser um multiplicador disso, porque há uma tendência forte do consumidor em se interessar por esse produto”.

Publicidade

Plantão de Notícias

Mais notícias

DESTAQUES DOS EDITORES