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Economia

Mercado se frustra com Previdência e dólar vai a R$ 3,83

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar retornou nesta terça-feira (13) ao patamar de fechamento de R$ 3,80 que não atingia desde o início de outubro, conforme investidores aguardam definições de nomes e políticas da equipe econômica do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), mas se frustram com perspectivas para a Previdência.

O dólar comercial subiu 1,99%, cotado a R$ 3,832, na máxima do dia. A última vez que o dólar fechou nesse nível foi em 5 de outubro, antes das eleições, a R$ 3,858.

O Ibovespa, índice que reúne as ações mais negociadas da Bolsa brasileira, recuou 0,71%, a 84.914 pontos.

A estatal sofre com a queda do petróleo no mercado internacional devido a preocupações sobre o enfraquecimento da demanda global e excesso de oferta do produto.

Pela manhã, Bolsonaro anunciou a indicação do general da reserva do Exército Fernando Azevedo e Silva, atual assessor especial do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli, para o cargo de ministro da Defesa. Na véspera, o novo governo confirmou também o nome de Joaquim Levy à frente do BNDES.

Alessandro Faganello, operador da Advanced Corretora, diz que, até o momento, os nomes têm sido bem recebidos pelo mercado, mas destaca que investidores ainda aguardam decisões, com especial atenção sobre o destino do comando do Banco Central. 

Há indicações de que a equipe de Bolsonaro tem interesse em manter Ilan Godfajn no cargo, que só não ficaria se não quisesse.

Apesar de boa parte do mercado já ter precificado que uma reforma da Previdência não sairia neste ano, indicações de Bolsonaro e sua equipe na segunda confirmando a tendência também ajudaram a azedar o humor dos investidores neste pregão.

"Nas últimas semanas, o mercado ficou um pouco mais esperançoso com a aprovação de alguma coisa ainda neste ano. E mesmo que a reforma da Previdência fosse aprovada apenas no ano que vem, investidores esperavam a essa altura uma conjuntura mais favorável, com a divulgação de pelo menos alguns detalhes da proposta, eventuais acordos. Mas não se vê avanço nisso, nem sinais de que está caminhando", diz Cleber Alessie Machado, operador da corretora H.Commcor.

Na véspera, Bolsonaro reconheceu que dificilmente a reforma da Previdência será aprovada neste ano. O futuro ministro da Casa Civil, Ônyx Lorenzoni, disse que o presidente eleito receberá nesta terça propostas para a Previdência que não exijam alteração na Constituição.

"Os investidores estrangeiros continuam bem retraídos e aguardando novas definições do novo governo com respeito a reformas", disse o banco de investimentos BTG Pactual em nota a clientes.

EXTERIOR

Um exterior ainda misto -menos ruim do que na véspera, mas ainda volátil, segundo Machado- não favorece o Brasil.

Das 31 principais divisas do mundo, 14 se desvalorizavam em relação ao dólar, com o real liderando as perdas.

"Ontem foi feriado nos Estados Unidos, o que acaba reduzindo o volume de negócios. É normal que hoje exista maior busca pela moeda americana, até porque teremos aqui uma grande emenda de feriado", diz Faganello.

Lá fora, a informação do jornal The Wall Street Journal de que o secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, teria retomado discussões com o vice-primeiro-ministro da China, Liu He, por telefone na sexta-feira (9) ajudou a aliviar tensões relativas à guerra comercial.

Após uma segunda-feira no vermelho, as Bolsas globais esboçavam reação. Os principais mercados da Europa fecharam no azul.

PETRÓLEO

O dia tem sido ruim para commodities, sobretudo aquelas ligadas a energia.

Os papéis da Petrobras, que tem um peso de 13% no Ibovespa, perderam 4,3% (preferenciais) e 4,61% (ordinárias), na esteira da queda do petróleo no exterior. A petroquímica Braskem recuou 2,93%.

Os preços vão abaixo de US$ 70 por barril após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pressionar a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) a não reduzir a oferta para sustentar o mercado.

"O Brasil acaba sendo um país mais sensível a essas oscilações. Vemos um efeito de fluxo de venda de empresas relacionadas a energia", diz Luis Gustavo Pereira, estrategista da Guide Investimentos.

Na véspera, o ministro de Energia saudita, Khalid al-Falih, disse que a Opep e seus aliados concordam com a necessidade de cortar o fornecimento de petróleo no próximo ano em cerca de 1 milhão de barris por dia (bpd) ante os níveis de outubro, de modo a equilibrar o mercado. 

"Esperamos que a Arábia Saudita e a Opep não cortem a produção de petróleo. Os preços do petróleo devem ser muito mais baixos com base na oferta!", escreveu Trump em um post no Twitter no mesmo dia.

A mensagem levou a uma forte queda nos preços já na segunda e as vendas generalizadas continuavam nesta terça.

"Esse tuíte certamente não ajudou os preços", disse o estrategista de commodities da ING, Warren Patterson.

A Opep alertou que poderá haver uma sobreoferta de petróleo em 2019, conforme a economia global desacelera e a oferta de produtores rivais cresce mais rápido que o esperado.

"Embora o mercado de petróleo tenha atingido um equilíbrio agora, as previsões para o crescimento da oferta fora da Opep em 2019 indicam volumes maiores, ultrapassando a expansão na demanda mundial, levando à ampliação do excesso de oferta no mercado", apontou a organização em seu relatório mensal. 

A Opep terá uma reunião para discutir suas políticas de produção de petróleo em 6 de dezembro. 

"A alta produção nos EUA, juntamente com barris adicionais vindo da Arábia Saudita e Rússia, está começando a afetar os mercados do petróleo", disseram analistas do Bank of America Merrill Lynch em nota a clientes, acrescentando "os estoques de petróleo estão começando a aumentar mais uma vez".

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