Drama

Mesmo após alta, dezenas de pessoas são abandonadas por familiares em hospitais

Pequeno Cotolengo realiza acolhimento de pessoas abandonadas pela família
Pequeno Cotolengo realiza acolhimento de pessoas abandonadas pela família (Foto: Franklin de Freitas)

A cada dia, conforme dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS), uma média de 252 pessoas são internadas, pelos mais diversos motivos, em hospitais que fazem parte da rede pública de saúde de Curitiba. Via de regra, esses pacientes são atendidos e realizam os tratamentos ou procedimentos necessários para depois receber alta e poder voltar para casa. Lamentavelmente, no entanto, em alguns casos essas pessoas, mesmo depois de ter a alta médica, não conseguem voltar para casa.

Em sua maioria, esses pacientes abandonados são idosos, alguns em condição social vulnerável, efetivamente, mas outros que foram simplesmente largados por familiares que não querem ter de cuidar de parentes com necessidades médicas e especiais.

Na capital paranaense, por exemplo, 38 idosos foram abandonados em hospitais apenas nos cinco primeiros meses de 2021, registra a Rede de Atenção e Proteção às Pessoas em Situação de Risco para a Violência do município. São pacientes de Curitiba e também de outros municípios que são vítimas de uma forma extrema de negligência.

Não surpreende, então, que essas pessoas normalmente apresentam alto grau de dependência, com necessidade de cuidados especializados na área de saúde. Dependendo do grau de complexidade, algumas dessas pessoas podem ser acolhidas pela assistência social, sendo encaminhadas pelas equipes dos Centros de Referência Especializados da Assistência Social (Creas) para instituições de longa permanência.

Em Curitiba, uma dessas instituições é a Unidade de Cuidados Continuados Integrados (UCCI) Santa Terezinha, mantida pelo Pequeno Cotolengo. Na prática, a unidade tem capacidade de liberar mais de 2,4 mil leitos na saúde pública de Curitiba no período de um ano, justamente por receber 37 pacientes transferidos de outras unidades de saúde da capital, como o Hospital do Trabalhador, Hospital do Idoso, entre outros. Desse total, 31 leitos são exclusivos do SUS, totalmente gratuitos.

Segundo o Padre Renaldo Amauri Lopes, diretor presidente da instituição, o lar esteve próximo de fechar as portas recentemente. Acabou sendo salvo por uma emenda parlamentar no valor de R$ 1 milhão, recurso encaminhado pelo deputado federal Luizão Goulart (Republicanos-PR) e que ajudará a unidade a ampliar os atendimentos a pacientes que sofreram abandono familiar em leitos de hospitais públicos da capital paranaense.

“Esse recurso do deputado Luizão permitiu que esse lar pudesse continuar funcionando, atendendo e dando qualidade de vida tanto na continuidade do tratamento, quanto na alimentação, no acolhimento como um todo. Sem esse recurso, com certeza, nós estaríamos sem condições de manter esse lar”, agradeceu o Padre Renaldo.

Trabalho multidisciplinar e reestabelecimento do vínculo familiar

Fundado em 1965, o Pequeno Cotolengo do Paraná acolhe pessoas com deficiência múltipla que foram abandonados pela família, sofriam maus tratos ou viviam em situação de risco. Por meio da UCCI, também recebe asilados hospitalares, totalizando 230 assistidos atualmente, entre crianças, jovens, adultos e idosos.

A UCCI tem mais de 889m² e funciona com uma equipe multidisciplinar com mais de 40 profissionais, nas especialidades de clínica médica, geriatria, fisioterapia, terapia ocupacional, psicologia, nutrição, fonoaudiologia, enfermagem e serviço social.

Ao todo, já foram realizados mais de 35.145 atendimentos.

Além de todo o trabalho multidisciplinar, a unidade também atua para o reestabelecimento do vínculo familiar daqueles pacientes que se veem em situação de abandono em hospitais. Dessa forma, possibilita-se a alta da UCCI Santa Terezinha.

Rede de Conselhos Tutelares será reforçada no Paraná

O Governo do Paraná recebeu na terça-feira a confirmação da estruturação completa de todos os conselhos tutelares no Estado, com apoio da Secretaria Nacional dos Direitos da Criança, vinculada ao Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos. A medida vai reforçar a rede de unidades já existente no Paraná.

A informação foi dada pelo secretário Maurício Cunha, que anunciou também a instalação de um novo tipo de atendimento às crianças vítimas de violência, em reunião com o secretário estadual da Justiça, Família e Trabalho, Ney Leprevost.

Segundo o secretário nacional, também será implantado em Paranaguá, com o lançamento no dia 2 de agosto, o Centro Integrado de Atendimento às Crianças e Adolescentes vítimas de violência. “É uma iniciativa pioneira, em que vamos reunir vários serviços em um mesmo local para atender as crianças e adolescentes vítimas de violência, a exemplo do que é feito hoje na Casa da Mulher Brasileira”, disse.

A unidade de Paranaguá será implantada com recursos do Conselho Estadual de Defesa da Criança e Adolescente, no valor de R$ 1,8 milhão “O secretário nacional trouxe boas notícias ao Paraná. Quero agradecer a nossa bancada federal que destinou parte das emendas de bancada para equipar totalmente os nossos conselhos tutelares”, destacou Leprevost.

Além da implantação do novo centro, o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos também vai repassar 28 carros para serem utilizados pelos conselhos tutelares do Estado.

“A proteção à criança no Estado é uma das nossas prioridades e estamos conseguindo trabalhar para alcançar os objetivos”, afirmou Ney.