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Entrevista

“Minha intervenção militar chama-se Jair Bolsonaro”, diz Francischini

Pré-candidato ao Senado, deputado federal do PSL aposta em onda da direita para emplacar vaga
“Minha intervenção militar chama-se Jair Bolsonaro”, diz Francischini
Francischini: “Minha candidatura é um pedido de Bolsonaro” (Foto: Franklin de Freitas)

Deputado federal por dois mandatos, o delegado federal Fernando Francischini (PSL-PR), ex-comandante da Rondas Ostensivas (Rone) da Polícia Militar do Paraná, encontrou no deputado Jair Bolsonaro (PSL-RJ), pré-candidato à presidência da República, um amplificador de seus discursos. “Há alguns anos eu falava sozinho”, afirma. Ferrenho defensor da “tolerância zero” contra o crime, Francischini carrega a pauta da Segurança Pública como bandeira, se diz um liberal, surfa em uma onda que ganhou força com o movimento de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), mas pondera ao falar sobre o liberalismo econômico, por exemplo, com relação à atual política de preços da Petrobras, de submeter-se às variações do dólar e valor internacional do barril de petróleo. “Mesmo sendo liberal no meu discurso, vejo que temos que dar uma certa estabilidade”, diz sobre a necessidade de intervenção do Estado.

Ex-secretário de Segurança Pública, ele carrega o peso de comandar a ação policial que deixou 220 pessoas feridas no dia 29 de abril de 2015. Professores protestavam contra medida que alterava sua previdência. “Tudo arquivado”, argumenta ao comentar sobre as ações geradas pelo episódio. À época, secretário do então governador Beto Richa (PSDB), agora concorre com o tucano por uma das duas vagas paranaenses abertas no Senado neste ano. “Ele tem direito a ampla defesa”, diz sobre as denúncias de corrupção contra seu ex-aliado. Os comentários sobre Richa não deixam escapar sua satisfação. Espera herdar do tucano os votos que perder em razão do desgaste sofrido. Francischini já foi filiado ao PSDB, SD, PEN e, agora, ao PSL de Bolsonaro. “Vamos dar uma guinada à direita no nosso País”, diz. 
 

Bem Paraná - O senhor é pré-candidato ao Senado? Em que chapa? Quem vai apoiar ao governo?
 

Fernando Francischini - É uma decisão definitiva a pré-candidatura ao Senado, um pedido de Jair Bolsonaro, para que eu possa dar sustentação para a campanha dele de presidente da República. Ele precisa de um candidato na majoritária no Paraná e me coloquei à disposição, como amigo, e para estar no projeto de mudar o País, dar uma guinada à direita no nosso País. É uma preocupação fazer uma bancada de senadores. Sabemos que uma tentativa de tirar um presidente eleito do Poder passa pelo julgamento no Senado Federal. Ele ter uma bancada representativa, com bons interlocutores no Senado vai ajudar muito a dar estabilidade.
 

Bem Paraná – O senhor vai abrir mão do mandato na Câmara Federal. Seu filho, deputado estadual Felipe Francischini (PSL), será candidato para te substituir?
 

Francischini - É uma forma de me substituir. As outras candidaturas que falam, de dentro da minha casa, são boatos ainda, não tem nada definido. É muita guerra nesses bastidores de política. Mas na verdade tem muitos projetos polêmicos que eu e Bolsonaro fizemos nos últimos anos, que eu não tenho substitutos para tocar. Projetos que podem morrer se eu sair da Câmara dos Deputados. Por isso que pedi que o Felipe (Francischini) deixasse a Assembleia para ser candidato a federal no meu lugar. É uma missão difícil para ele que está começando. Vou citar um exemplo (de projeto na Câmara): o que torna ‘pedofilia’ artistas que querem contracenar com crianças e adolescentes estando nus, como foi naquele Museu de Arte Moderna em São Paulo, em outros museus do País. É um projeto polêmico. 
 

BP - Aqui no Paraná, como fica a chapa de Bolsonaro? Tem proximidade maior com Ratinho Junior?
 

Francischini - Nós não decidimos ainda quem apoiar para o governo do Estado. Tem uma proximidade boa com Cida (Borghetti) e com Ratinho. Osmar já é mais difícil pela ligação dele com o irmão que é candidato à presidência da República. Alvaro Dias para mim é um dos melhores pré-candidatos à presidência. Sou secretário-geral do partido no País todo. Estamos conversando tanto com Cida Borghetti, quanto com Ratinho Junior.

“Autoridades têm que abrir publicamente a vida”

BP - Seu apoio depende também do que Cida decidir com relação a Beto Richa e o PSDB? Ele mesmo já admitiu que pode lançar candidatura avulsa.
 

Francischini - Estamos esperando o cenário. Estou com foco na mudança do País. O foco não posso decidir pensando só na minha eleição. Estamos aguardando para ver quem vai ter mais afinidades ideológicas com Bolsonaro. O partido decide em conjunto.
 

BP - O senhor era do grupo de Beto Richa. Como vê ele como adversário?
 

Francischini - Da mesma forma que aconteceu com Requião na primeira, com Beto aconteceu a mesma coisa. Depois de a gente trabalhar juntos houve um processo de afastamento para minha saída do governo. Estive poucas vezes com ele depois da saída. Foi afastamento definitivo. E infelizmente aconteceu todas essas denúncias (de corrupção contra o governo Beto Richa), mas minha posição é que ele tenha direito à ampla defesa e ao contraditório e vá poder exercer ela. Até o momento temos uma delação premiada que ainda não foi homologada. Tanto ele quanto Requião, que também foi acusado na semana passada em inquérito no Supremo Tribunal Federal de ter recebido dinheiro da JBS e depois foi retirado do processo na semana seguinte. Chegamos em um ponto de maturidade que autoridades como eu, Beto e Requião temos que aceitar abrir publicamente nossa vida para que a gente possa apresentar defesa.
 

BP - Qual a avaliação que o senhor faz hoje do episódio de 29 de abril de 2015, quando houve o confronto entre policiais e servidores públicos durante a votação das mudanças no Paraná Previdência?
 

Francischini - Está tudo arquivado. Não tem um processo judicial, nem cível, nem criminal. A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu o arquivamento em definitivo. Não chegou a virar nem ação criminal. Foi uma investigação, que foi arquivada pelo Ministério Público aqui no Paraná. Infelizmente houve  infiltração no movimento dos professores.
 

BP - Se a ação em si não foi questionada, mas o ‘excesso”, o senhor não considera?
 

Francischini - Já vou chegar lá. Essa infiltração do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), filiados da CUT (Central Única dos Trabalhadores) de outros estados que vieram através da APP-Sindicato, senador Requião e senadora Gleisi, em cima de carros de som estimulando contra o andamento da votação, praticamente empurrando para cima da polícia. Isso fez um confronto. As perícias mostram que a polícia afastava e eles voltavam de novo. Foi cumprimento de ordem judicial.

‘Fake news é embate entre direita e esquerda’
 

BP - Na área de segurança, o senhor defende penas de prisão mais rigorosas e maiores? 
 

Francischini - Não sãopenas maiores. O que a gente tem defendido é o cumprimento integral da pena. Um condenado a 10 anos cumpre 2 ou 3 anos e já está na rua de novo, quando não tem um mutirão para botar ele em um ano e meio em semi-aberto. O problema da superpopulação carcerária é do governo, não do cidadão comum. 
 

BP - Jair Bolsonaro fortalece a ideia de intervenção militar, enaltece a ditadura. O senhor defende?
 

Francischini - Ele é contra a intervenção militar. Ele acha que a intervenção tem que ser feita pelo voto. A preocupação que ele tem que o pessoal que vota nele defende intervenção. A minha intervenção militar chama-se Jair Bolsonaro.
 

BP - Seis notas fiscais pagas pelo seu gabinete apontam que o senhor destinou R$ 24 mil para uma empresa em nome de um casal que administra uma rede de sites apontados como veículos que propagam “fake news”.  O que senhor tem a dizer?
 

Francischini - Me mostre uma fake news deles. Sabe quais são as fake news deles?  As páginas são páginas que todos nós compartilhamos na direita. Então, na verdade, é um embate entre direita e esquerda esse negócio de fake news. Eu não achei nenhuma fake news, que na minha visão é uma matéria “mentirosa”.
 

BP - É a favor de uma taxação de herança e renda?
 

Francischini - Sou contra. Acho que já está no limite. Não adianta vir com esse discurso de querer parecer bonito de tirar de quem é mais rico para quem é mais pobre. Eu votaria contra qualquer aumento em imposto. 

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