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Por causa do coronavírus

Movimento nas panificadoras cai até 70% em Curitiba. 'Pior que na crise econômica'

Mesmo na dificuldade, estabelecimento da RMC ainda achou uma forma de ajudar aos mais vulneráveis
Mesmo na dificuldade, estabelecimento da RMC ainda achou uma forma de ajudar aos mais vulneráveis (Foto: Valquir Aureliano)

A drástica redução no movimento de pessoas pelas ruas de Curitiba, reflexo do isolamento social imposto pela crise provocada pelo novo coronavírus, impactou fortemente as panificadoras no Paraná. De acordo com o Sindicato da Indústria de Panificação e Confeitaria (SIPCEP), o faturamento caiu entre 60 e 70% na média dentro do estado.
“(A crise do coronavírus) Derrubou o faturamento das padarias violentamente. Estamos trabalhando com 30, 40% do faturamento que tinha antes. Tem cidades que foi 100% (de queda), como Maringá, que mandaram fechar as padarias” afirma Vilson Borgmann, presidente do Sipcep.

Ainda de acordo com o sindicalista, o cenário atual é ‘bem pior’ do que aquele que o setor vivenciou na mais recente crise econômica que assolou o país, entre 2015 e 2016. Sócio-proprietário da Florenze Pães e Doces, localizada em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, Domingos Ademar Nodari Filho concorda com o diagnóstico.

“O período mais difícil foi 2016, quando estava aquele problema financeiro no país todo e tivemos uma queda também bem considerável, em torno de 20%. Só que essa semana que passou superou essa média que teve naquela ano”, comenta o empresário. “A partir dessa semana agora, do dia 23 (de março) já caiu o movimento pelo menos uns 30, 40%”, complementa.

Na visão de Domingos, os principais problemas têm sido o estoque que as pessoas fizeram por conta do temor com relação à Covid-19 e a redução na venda de lanches para consumo na própria loja. “Na primeira semana o pessoal foi muito aos mercados, se abasteceu como pôde, e agora compra só o básico, pãozinho, um queijo, presunto. Outro motivo é que caiu muito a questão dos lanches, pessoal sentar na mesinha. Tomamos algumas medidas, diminuímos o número de mesas e as deixamos mais afastadas, mas o pessoal não está comendo aqui, já não vem vem com a família comer um lanche. Isso tudo vai impactando”.

Mesmo em meio às dificuldades, há solidariedade: padaria distribui pães de graça

Mesmo com a queda no movimento de sua padaria, o que o levou a dar férias para a maioria dos funcionários, Domingos Ademar Nodari Filho, da Florenze Pães e Doces, ainda tratou de encontrar uma forma de ajudar o próximo e oferecer alimento para aqueles que mais sofrem financeiramente num momento como este.

Na frente de sua panificadora, ele mantém uma série de sacolinhas com quatro pães dentro. A ideia é que aqueles que não puderem comprar levem de graça o alimento para suas famílias. Já os clientes são convidados a ajudar doando quatro pães (a preço de custo) para manter e fortalecer a iniciativa.

“Nossa grande ideia é ajudar as pessoas que trabalham no dia a dia na rua, o autônomo, pessoal que vende bala no sinaleiro, uma fruta na rua. Como não têm pessoas na rua, acho que fica difícil deles poderem pôr alimento na mesa. Então com essa ideia quisemos abençoar outras famílias e convidar nossos clientes para participar desse momento”, explica Domingos. “Conforme vai saindo, vamos colocando sempre um pãozinho fresquinho (para doar). O mesmo pão que meu cliente compra vai estar lá fora para a pessoa humilde pegar.”

Postos de combustíveis também sentem forte queda de movimento com o isolamento

Por conta da pandemia do coronavírus, o segmento da revenda de combustíveis no Paraná contabiliza queda de mais de 70% nas vendas. Segundo informações do Sindicombustíveis-PR, a situação do setor é gravíssima e, por isso, a entidade segue em contato com diferentes instâncias dos governos federal, estadual e municipais para minimizar os efeitos da crise. Uma das propostas do setor para amenizar as perdas é a redução de impostos estaduais e federais.

“É provável que muitas empresas não terão capital de giro para sobreviver a uma redução tão brusca de faturamento, caso novas medidas de apoio não sejam implementadas”, alerta o Sindicombustíveis, em nota encaminhada à reportagem do Bem Paraná. Não há risco de desabastecimento. De acordo com o sindicato, até o momento, governo federal e do Paraná, bem como diferentes órgãos municipais, sinalizaram com algumas medidas de apoio ao setor, mas que são insuficientes diante do tamanho da crise.

Os postos do Paraná também já começaram a seguir nova determinação da Agência Nacional do Petróleo que reduziu os horários obrigatórios de funcionamento.

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