Autodefesa

Mulheres da Fazendinha aprendem a se defender de agressores

(Foto: Cesar Brustolin/SMCS)

Moradoras dos bairros que integram a Regional Fazendinha/Portão participaram de uma atividade diferente na segunda-feira (20/8). Elas aprenderam como se defender de agressores em uma oficina de defesa pessoal organizada em parceria pela ONG Todas Marias, que atende mulheres vítimas de violência doméstica e urbana, e a academia Karatê Fernandes.

A ação coincidiu com a chegada do Ônibus Lilás da Prefeitura à Rua da Cidadania do Fazendinha. O ônibus leva aos bairros informação e atendimento às mulheres em situação de violência e faz um trabalho de acolhimento de denúncias e orientações sobre os direitos contidos na Lei Maria da Penha. Boqueirão (22/8) e Cajuru (23/8) são as próximas regionais a receber o ônibus.

Aumento da violência

“Existe um aumento da criminalidade contra a mulher e então procuramos parceiros para oferecer o curso e ajudá-las a se defender”, disse o administrador regional Gerson Gunha.

A aula aconteceu na Rua da Cidadania e as 30 vagas ofertadas foram rapidamente ocupadas por participantes de todas as faixas etárias. Mas como mais de 60 mulheres demonstraram interesse no curso, a regional abriu uma lista de espera para duas novas turmas, com aulas previstas para setembro.

“Nós ensinamos técnicas de defesa para a mulher se proteger de uma agressão na rua vinda, por exemplo, de uma pessoa que usou drogas”, explica o profissional de educação física e mestre em artes marciais Marcos Fernandes.

Em caso de assalto, não reaja

O instrutor ressalta que a oficina dá apenas uma noção básica para a mulher reconhecer e se defender dos riscos que pode encontrar no caminho do trabalho ou dentro de casa. Ele frisou que a técnica ensinada não é para casos de assaltos, nem para enfrentar pessoas armadas. “Existem momentos em que a mulher pode ou não se defender. Em alguns casos elas não só podem como devem reagir para resguardar a própria vida”, explica.

Na pele

Quem já sofreu violência doméstica sabe que a cicatriz mais profunda fica na alma. Iara Gabriella, voluntária da Ong Todas as Marias, sentiu isso na pele. “Fui vítima de violência doméstica e urbana e, depois de ter sido acolhida pela Todas Marias, resolvi usar meu tempo livre para ajudar outras mulheres”, conta ela, que também trabalha como revendedora de spray de defesa pessoal.

Ela ficou impressionada ao ver tantas mulheres nas aulas. “Eu estou feliz e surpreendida, porque muita mulher ainda tem vergonha de aprender a se defender”, disse.

Mais forte

As participantes da aula aprovaram a iniciativa. “A gente até se sente mais forte, mais corajosa, a autodefesa é muito importante, principalmente hoje em dia com o aumento da violência contra a mulher. Nem dentro de casa é seguro”, desabafou a presidente da Associação Amigos do Fazendinha, Marlene Kadowaki.