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Em Praia de Leste

Mulheres representam 65% dos coletores de lixo na RMC

Elas são mães e trabalhadoras, e representam 65% da população envolvida na coleta de lixo reciclável nas ruas da Grande Curitiba. Sofrem discriminação por causa da atividade que desempenham, mesmo puxando um carrinho por até 10 horas todos os dias. Ganham muito pouco, às vezes até abaixo de um salário mínimo. Mas agora, elas também querem dignidade, e partindo delas próprias. Neste final de semana, serão cerca de 300 mulheres, todas catadoras, vindas de todas as partes do País para o 1º Encontro Nacional de Mulheres Catadoras, em Pontal do Paraná, no Litoral paranaense, onde, entre outros assuntos, a auto-estima estará em foco.

“Este será o primeiro encontro de mulheres em nível nacional. Será um marco para elas e para nós”, conta a coordenadora do Instituto Lixo e Cidadania, Suelita Röcker. O Instituto é um dos organizadores do encontro, junto com o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) e o Fórum Lixo e Cidadania.

Durante o encontro haverá debates sobre os temas de relevância para elas, como a importância de valorizar a questão da mulher e a auto-estima como coletora. Também estão programadas oficinas de educação e relação com os filhos, a saúde da mulher e os cuidados que precisa tomar, questões ambientais e a importância da mulher para a reciclagem.

“Essas mulheres, pela nossa experiência  no contato com elas, trabalham de seis a dez horas por dia. E ainda cuidam dos filhos. É normal que elas se sintam excluídas da sociedade. Mas queremos mostrar que elas são importantes. Que o trabalho delas é importante. Que precisam valorizar o que fazem, que estão levando  uma renda para casa. Que o trabalho delas é digno e não as exclui da sociedade”, continua Suelita.

O número total de coletores na Grande Curitiba não é conhecido. Fala-se em 20 mil numa hipótese conservadora. Só em Curitiba seriam 15 mil. É difícil  mensurar, porque na maior parte das vezes eles e elas não estão reunidos em associações ou cooperativas. “Trabalhamos com 32 grupos organizados em Curitiba, Litoral e municípios da Bacia do Paraná 3, que abrange 32 municípios da região de Itaipu”, diz Suelita.

Ganhos — E quando se fala em ganhos, a situação fica mais sensível. Este também não é um número certo, mas se sabe que vai variar entre  R$ 150 por mês a até R$ 600. Mas ai vão muitas variantes. Desde o tempo trabalhado todos os dias, o tipo de organização, ou não, a que pertecem. “A mulher que trabalha por conta, sem organização, não ganha muito.  Quanto mais juntas, melhor”, aponta Suelita.

O Encontro vai acontecer de sexta até o domingo, na Associação Banestado, em Praia de Leste, no Pontal do Paraná.
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