Nando Reis defende 'Ato pela Terra' e critica projetos ambientais do governo

O músico Nando Reis é mais um dos cerca de 40 artistas que estarão em Brasília nesta quarta-feira, 9, para participar do "Ato pela Terra contra o pacote da destruição". Ao Estadão, Nando disse que tem a expectativa de que a mobilização consiga sensibilizar a população e, principalmente, o Congresso Nacional.

"A relevância desse assunto é total, porque a situação é quase de desespero. É impossível que qualquer pessoa, em sã consciência, não esteja sabendo que a crise ambiental caminha para um ponto irreversível. Mais do que isso, não há um segmento sequer do País que não vá sofrer as consequências de todos esses danos, o cenário é ruim para todos", disse à reportagem.

O ex-integrante da banda Titãs cita, como exemplo, a severa seca que atinge o Rio Grande do Sul e que tem quebrado diversas safras na região. "É algo que beira o surrealismo. Estamos assistindo a uma estiagem histórica no Rio Grande do Sul, com prejuízos enormes à safra, por questões climáticas, e veja que estamos falando de uma região que, ainda assim, apoia muito o Bolsonaro. É quase uma autofagia", comentou.

A expectativa dos artistas é que a mobilização provoque uma reação do Senado, a respeito da série de projetos de lei que tem flexibilizado a gestão ambiental do País, com atuação direta do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). As medidas são defendidas pelo governo do presidente Jair Bolsonaro e pela bancada ruralista como forma de modernização das regras e redução de burocracia.

"O que faremos é um grito de alerta para tentar chamar a atenção, embora eu seja muito cético sobre essa situação toda", disse Nando Reis. "Temos que mobilizar todas as frentes possíveis, para que possamos contribuir com alguma coisa, mesmo sem saber qual será o resultado prático. Estamos assistindo, no apagar das luzes desse governo, um efeito bomba sobre o meio ambiente."

Ao Estadão, Caetano Veloso disse que "é notória a tendência do atual governo para o desprezo pela natureza" e que "todo desejo de salvar o meio ambiente está sendo reprimido e negado".

Um documento com demandas será entregue ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). "Os projetos de lei que estão em pauta são aberrantes", afirmou Caetano, ao criticar a atuação do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). "Esperamos que a luz lançada no Senado possa levar a resultados práticos. O presidente da Câmara tem dado mostras de fazer passar toda a desastrosa permissividade que o atual governo propõe."

Mais de 230 organizações da sociedade civil e movimentos sociais se juntaram a um grupo de cerca de 40 artistas. O evento inédito contra o "Pacote da Destruição" critica um conjunto de projetos de lei em tramitação no Congresso que, segundo seus organizadores, pode anistiar a grilagem, extinguir na prática o licenciamento ambiental e aumentar o esbulho sobre as terras indígenas.

Além de Nando Reis e Caetano Veloso, há previsão de que compareçam ao evento Alessandra Negrini, Baco Exu do Blues, Bel Coelho, Bela Gil, Bruno Gagliasso, Christiane Torloni, Criolo, Daniela Mercury, Emicida, Lázaro Ramos, Leona Cavalli, Leonardo Gonçalves, Letícia Sabatella, Malu Mader, Maria Gadú, Maria Ribeiro, Nando Reis, Nathalia Dill, Natiruts, Paola Carosella, Paula Burlamaqui, Rafaela Kalimann, Seu Jorge e Zezé Polessa. Artistas como Chico Buarque, Gal Costa e Maria Bethania apoiam o Ato.