Cinema

Nem Paulo Gustavo salva 'Minha Vida em Marte'

Cartaz de divulga\u00e7\u00e3o do filme
Cartaz de divulga\u00e7\u00e3o do filme (Foto: Divulgação)

FOLHAPRESS - Organizada por seus pais, Fernanda (Mônica Martelli) e Tom (Marcos Palmeira), a festa de aniversário da garota Joana tem "Branca de Neve e os Sete Anões" como tema.

Desnecessário dizer que uma comédia com algum respeito pelo público evitaria a vulgaridade de fazer piada com anões. Pois é justamente o que acontece em "Minha Vida em Marte".

Esse não é um tropeço pontual. Com diálogos fracos, interpretações irregulares e uma direção de fotografia burocrática, o novo filme é ruim da abertura ao desfecho.

Em "Os Homens São de Marte... E É pra lá que Eu Vou" (2014), dirigido por Marcus Baldini, Fernanda estava em busca de um homem para casar. Em "Minha Vida em Marte", sob direção de Susana Garcia, a mesma personagem está casada, mas a relação vive uma crise profunda.

Nos dois longas-metragens, além de ser uma das responsáveis pelo roteiro, Mônica Martelli assume o papel principal. Ela não é má atriz, mas definitivamente se sai melhor no teatro (também nesse papel) do que no cinema.

Com maior domínio do timing do humor, Paulo Gustavo havia exibido bons momentos em "Minha Mãe É uma Peça 2", interpretando dona Hermínia. Nesse novo filme, no entanto, ele mal consegue mostrar o talento que tem. Talvez devido ao ingrato personagem que lhe coube, o melhor amigo da mulher em crise.

Mas a comédia não afunda por causa do elenco. O roteiro é o problema. Os dilemas da mulher contemporânea pós-40 anos são intensamente discutidos em revistas femininas, programas de TV, livros, filmes. Em meio a tantas abordagens na ficção e na não ficção, "Minha Vida em Marte" falha ao evitar qualquer ângulo novo para falar sobre o mesmo tema.

Um entre tantos clichês dos filmes sobre mulheres fortes é mostrar o marido como um palerma. Também nesse aspecto a comédia reitera o chavão. Diante de Tom, o personagem de Palmeira, a pergunta que o espectador logo se faz é: por que Fernanda já não despachou o cara?

Feito pra fazer os espectadores rirem, o que o filme provoca é tédio -e, no caso do anão, constrangimento.

 

MINHA VIDA EM MARTE

PRODUÇÃO Brasil, 2018

DIREÇÃO Susana Garcia. Com: Mônica Martelli, Paulo Gustavo, Marcos Palmeira

ESTREIA nesta terça (25)

AVALIAÇÃO Ruim