Impacto econômico

No ano da pandemia, setor de serviços despenca no Paraná

Arnaldo Alves de Paula, da Academia Olympus: “Pior momento”
Arnaldo Alves de Paula, da Academia Olympus: “Pior momento” (Foto: Franklin de Freitas)

Um dos setores da economia mais impactados pela pandemia do novo coronavírus foi o de Serviços. E uma pesquisa divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) dá a dimensão desse impacto aqui no Paraná, apontando uma redução de 8,5% na receita nominal de empresas que atuam prestando serviços e uma queda de 9,5% no volume de serviços contratados.

No que diz respeito tanto ao volume de serviços como à receita nominal, o resultado do ano passado é o pior da série histórica da Pesquisa de Serviços do IBGE, que teve início em 2011. Trata-se, ainda, da terceira queda consecutiva na demanda sobre o setor, que já havia caído 2,3 em 2019 e 1,7% em 2018. Já a redução no faturamento é algo inédito na comparação anual.

Ademais, há de se destacar que os resultados do Paraná, embora não estejam entre os piores do país, ainda ficam abaixo da média nacional. No ano passado, por exemplo, a receita nominal do setor de serviços teve queda de 7,1% no Brasil (no estado, o porcentual foi de -8,5%). Já o volume de serviços contratados caiu 7,8% no país (no estado, a redução foi de 9,5%).

Serviços prestados à família são os mais impactados

Considerando as diversas atividades de serviços, no ano passado o segmento mais impactado foi o de serviços prestados à família, categoria que inclui serviços de alojamento e alimentação; atividades culturais e de recreação e lazer; atividades esportivas; e serviços pessoais e de educação não continuada. Neste caso, a queda no volume de serviços foi de 33,7%, enquanto a receita caiu 29,9%.

Um exemplo do setor são as academias de ginástica e musculação, que no ano passado sofreram com fechamentos temporários e suspensão das atividades por conta dos decretos municipais e estadual. Depois, quando autorizadas a retomar o serviço, foram obrigadas a lidar com uma grande evasão de alunos, receosos diante do risco de contágio pelo novo coronavírus.

“Ano passado foi horrível. Ficamos quatro meses e meio fechados ao todo e tivemos uma redução de aproximadamente 60% no número de alunos. Antes eu tinha uma média de 400 alunos matriculados, hoje gira em torno de 190, 220”, conta o empresário Arnaldo Alves de Paula, que há 24 anos administra a Academia Olympus, no Centro de Curitiba. “Este é o momento mais difícil que já passamos. Esperamos que acelerem a vacinação [contra a Covid-19] para gente ter um retorno logo [dos alunos], senão vamos sofrer. Mas, ao que parece, este ano ainda vamos padecer um pouco e só no ano que vem volta ao normal.”

Atividades turísticas caem mais de um terço

A pesquisa do IBGE também trouxe dados interessantes no que diz respeito às atividades turísticas. E os números, como seria de se esperar, n ão são muito animadores: no Paraná, a receita nominal do segmento caiu 35,3%, enquanto o volume das atividades turísticas caiu 34,2%. Os resultados, contudo, são “menos piores” do que a média nacional, que registrou quedas de 38,1% e 36,7%, respectivamente.

Segundo o IBGE, o setor tem sido pressionado, principalmente, pela queda na receita de empresas que atuam nos ramos de restaurantes; transporte aéreo; hotéis; rodoviário coletivo de passageiros; agências de viagens; serviços de bufê; e locação de automóveis. Não à toa, todas as 12 unidades da federação investigadas mostraram recuo nos serviços voltados ao turismo.

Variações no Paraná

Variação do volume de serviços no Paraná,
segundo as atividades de serviços
(variação acumulada em 12 meses)

Total: -9,5%
Serviços prestados às famílias: -33,7%
Serviços de informação e comunicação: -8,6%
Serviços profissionais, administrativos e complementares: -5,1%
Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correios: -7,7%
Outros serviços: -7,3%

Variação da receita nominal de serviços no Paraná,
segundo as atividades de serviços
(variação acumulada em 12 meses)

Total: -8,5%
Serviços prestados às famílias: -29,9%
Serviços de informação e comunicação: -6,6%
Serviços profissionais, administrativos e complementares: -2,9%
Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correios: -8,4%
Outros serviços: -5,4%