No Municipal, Erasmo Carlos faz show à meia luz, em clima romântico

SILAS MARTÍ SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Num Teatro Municipal lotado, Erasmo Carlos começou seu show nesta Virada Cultural às 15h em ponto, abrindo a apresentação com "Gente Aberta", de seu último disco, "Carlos, Erasmo". "Essa música que vocês acabaram de ouvir sou eu", disse o cantor. "É minha proposta de falar de meu mundo interior." Emendou com "É Preciso Dar um Jeito, Meu Amigo", parceria com Roberto Carlos, que ele apresentou falando do contexto da contracultura nos anos 1970, "aquela cultura hippie, do faça amor, não faça guerra". Aos gritos de "gostoso" da plateia, Erasmo reagiu brincando. "Quando eu gravo DVD, nunca tem essas coisas, gente gritando 'gostoso'", disse o músico. "Vou gravar meu próximo DVD na Virada Cultural. A Virada seduz a gente porque é um clima informal, as pessoas se encontram na rua, é romântico." Na sequência, vieram "Mundo Deserto", que ele escreveu para Elis Regina, "Masculino, Feminino", que cantou com Laura Lavieri, e "De Noite na Cama", de Caetano Veloso. "Essa música é um presente inesquecível, que Caetano escreveu para mim durante o exílio em Londres. Lá, longe de tudo, ele teve tempo de fazer isso", contou Erasmo, falando sobre seu último álbum. "Esse disco foi meio que um vestibular, passei do beabá da jovem guarda e entrei para a universidade do mundo." Logo depois de "De Noite na Cama", o público ensaiou um coro "fora, Temer". Erasmo não aderiu, mas logo falou que apoiava a descriminalização da maconha, apresentando sua música "mais polêmica", "Maria Joana". Depois de cantar "Dois Animais na Selva Suja da Rua", "Cachaça Mecânica", "Grilos" e "Mané João", Erasmo voltou à política, relembrando o comício pelas Diretas Já em frente à igreja da Candelária, no Rio, e cantou "Semente do Amanhã", de Gonzaguinha. "Faço de novo minhas essas palavras", disse o músico. "Eu sou um cara que acredita na humanidade, no homem e na utopia, porque, embora ela seja impossível, ela é sonhável, e eu sou um cara que sonha." Ele encerrou o show apertando as mãos de todos do público que conseguiam chegar até o palco do Municipal.