Crise do coronavírus

No ‘novo platô’, Curitiba registra mais mortes que em outros picos da pandemia

Hoje a Prefeitura deve definir a bandeira em Curitiba: vai para amarela ou mantém laranja?
Hoje a Prefeitura deve definir a bandeira em Curitiba: vai para amarela ou mantém laranja? (Foto: Franklin de Freitas)

Após registrar mais de 30 mortes diárias por Covid-19 entre meados de março e o começo de abril, Curitiba chegou a registrar nas últimas semanas uma importante redução na média de casos novos e óbitos por Covid-19. Ainda assim, o patamar de falecimentos no que se pode chamar de ‘novo platô’ da pandemia é elevado, bem como a pressão sob o sistema de saúde ainda é grande, com ocupação de 94% dos 525 leitos UTI SUS exclusivos para a doença e 80% dos leitos de enfermaria SUS covid-19 até esta terça-feira (11).

E é num momento assim, de grandes incertezas e risco ainda elevado, que o município decidirá hoje qual o rumo a ser seguido nas próximas semanas no enfrentamento à pandemia do novo coronavírus.

Na capital paranaense, conforme revelam os dados dos boletins divulgados pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS), compilados pelo Bem Paraná, o pico de casos novos na terceira onda de Covid-19 foi registrado entre as semanas 51 e 55 (28 de fevereiro a 3 de abril), com mais de 800 diagnósticos positivos para a doença a cada dia (e mais de 1 mil casos diários entre as semanas 52 e 53). Depois disso, a cidade atingiu um platô, com cerca de 600 casos por semana, número que chegou próximo de 500 na semana 58, mas voltou a subir recentemente.

Já com relação aos óbitos, a situação é ainda mais preocupante. Isso porque Curitiba não havia fechado uma semana (domingo a sábado) com mais de 20 falecimentos diários por Covid-19 (ou mais de 140 mortes em sete dias) até o começo de março. Na semana 52 (entre os dias 7 e 13 daquele mês), no entanto, foram 23,57 registros diários em média, com 165 óbitos ao todo no período.

Desde então, a capital paranaense nunca mais registrou menos de 20 óbitos diários por Covid-19 numa semana. Já são nove semanas consecutivas com patamar elevado de mortes, sendo que entre as semanas 53 e 57 o município teve mais de 30 falecimentos diárias (média), com pico de óbitos na semana 53, entre os dias 14 e 20 de março: 36,86 registros diários e um total de 258 mortes.

Resumindo, então, há uma situação na qual, desde o dia 7 de março, a capital paranaense registrou 1.841 mortes e 49.047 casos novos de Covid-19. Isso significa que nos últimos dois meses (até o dia 8 de maio, quando encerrou a semana pandêmica 60) Curitiba registrou 37,7% das 4.883 mortes e 25% das 196.392 contaminações pelo novo coronavírus em 14 meses de pandemia.

O que é o platô?

Uma explicação da Secretaria de Saúde de Minas Gerais ajuda a entender. Imagine que você está subindo um morro inclinado e, ao chegar no final da subida, encontra um terreno reto, que continua assim por um bom tempo até começar uma descida. Essa parte reta (plana, horizontal) seria correspondente ao que é chamado de platô da Covid-19 nos gráficos que mostram a evolução de casos ou mortes de coronavírus em uma região. Isso significa que o platô corresponde a uma estabilização no número de novos casos confirmados da doença ou de óbitos: não há aumento nem redução significativas referentes a esses números.

Prefeitura decide bandeira

Nesta quarta-feira (12), a Prefeitura de Curitiba anunciará se endurece, flexibiliza ou mantém as restrições para enfrentamento da pandemia do novo coronavírus. É que chega ao fim a vigência do decreto que impôs bandeira laranja (risco médio) na cidade nas duas últimas semanas. Nessa bandeira o comércio em geral não pode funcionar aos domingos, mas no último final de semana foi feita uma exceção por conta do Dia das Mães.

Anteriormente, Curitiba atravessou um período de 23 dias na bandeira vermelha (alto risco) entre 13 de março e 4 de abril. Desde então, a média de casos novos e óbitos causados pelo coronavírus teve queda importante, mas na última semana, entre os dias 2 e 8 de maio, voltou a subir.

'Platô inaceitavelmente alto', diz OMS

Na última segunda-feira (10), a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que o mundo está num platô de números de casos e de mortes causadas pela Covid-19. A exemplo do caso curitibano, no entanto, essa aparente estabilidade foi alcançada com um patamar elevado de contaminações e vidas perdidas.

“É um platô inaceitavelmente alto, com mais de 5,4 milhões de casos relatados de Covid-19 e quase 90 mil mortes na semana passada”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em entrevista coletiva na qual a OMS ainda destacou que é muito difícil combater o coronavírus “porque a epidemia atinge milhares de pessoas e está se multiplicando a um ritmo muito difícil de conter”, o que pode significar que a vacinação sozinha não será suficiente para o controle da crise sanitária neste momento.

As três ondas na Capital paranaense

Até o momento, conforme se pode verificar nos gráficos de casos e mortes por Covid-19 semana a semana, Curitiba já enfrentou três ondas ou três momentos de pico na crise sanitária, quando houve rápida elevação no nível de casos novos e óbitos registrados na cidade.

A primeira dessas ondas veio entre as semanas 16 e 22 (28 de junho a 15 de agosto), quando a capital paranaense, pela primeira vez, registrou mais de 400 casos diários e mais de 10 mortes por dia por Covid-19.

Na sequência, os números seguiram em queda até o começo de novembro, quando houve nova explosão de casos (que pela primeira vez ficou acima de mil diagnósticos diários) e aumento no nível de óbitos entre as semanas 36 e 42 (16 de novembro a 2 de janeiro), com pico de 37,14 mortes diárias entre os dias 6 e 12 de dezembro (semana 36).

Por fim, agora, a terceira e, até aqui, mais letal onda da doença, que atingiu Curitiba de maneira muito forte, principalmente entre meados de fevereiro e o final de março.

Evolução da pandemia em Curitiba, semana a semana

Semana pandêmica

Casos/dia

Óbitos/dia

Casos na semana

Óbitos na semana

60

620,57

23,71

4344

166

59

556,00

22,29

3892

156

58

502,71

23,43

3519

164

57

580,71

31,57

4065

221

56

642,43

29,57

4497

207

55

812,86

35,43

5690

248

54

958,57

36,57

6710

256

53

1099,29

36,86

7695

258

52

1233,57

23,57

8635

165

51

893,71

17,00

6256

119

50

722,71

14,71

5059

103

49

387,57

10,86

2713

76

48

343,71

9,71

2406

68

47

428,86

9,29

3002

65

46

409,29

8,86

2865

62

45

525,14

13,00

3676

91

44

739,71

14,57

5178

102

43

642,43

15,29

4497

107

42

596,57

13,29

4176

93

41

744,00

13,57

5208

95

40

1.000,29

16,86

7002

118

39

1.342,00

17,14

9394

120

38

1.339,57

16,00

9377

112

37

1.388,14

12,86

9717

90

36

1.067,29

8,86

7471

62

35

559,43

5,43

3916

38

34

363,29

5,86

2543

41

33

306,43

5,14

2145

36

32

272,29

5,14

1906

36

31

238,86

6,57

1672

46

30

294,14

6,71

2059

47

29

280,57

8,57

1964

60

28

346,14

10,00

2423

70

27

404,29

9,57

2830

67

26

365,43

8,00

2558

56

25

434,14

12,29

3039

86

24

393,43

10,00

2754

70

23

392,00

16,29

2744

114

22

452,71

14,43

3169

101

21

525,86

18,29

3681

128

20

451,00

14,71

3157

103

19

528,14

17,71

3697

124

18

489,43

13,43

3426

94

17

454,00

8,57

3178

60

16

326,86

7,00

2288

49

15

195,00

4,43

1365

31

14

151,00

3,43

1057

24

13

69,57

2,86

487

20

12

25,86

1,71

181

12

11

24,71

1,43

173

10

10

13,57

0,43

95

3

9

15,71

0,57

110

4

8

15,43

0,57

108

4

7

16,29

1,29

114

9

6

15,43

1,00

108

7

5

13,14

0,43

92

3

4

21,00

0,86

147

6

3

12,43

0,00

87

0

2

6,29

0,00

44

0

1

7,75

0,00

31

0