Em tempos de isolamento

No Paraná, 88% das empresas criadas na pandemia 'sobrevivem'

Única Entregas: empresa de eventos se adaptou e inovou na pandemia
Única Entregas: empresa de eventos se adaptou e inovou na pandemia (Foto: Valquir Aureliano)

Março de 2020 marcou o início da pandemia da Covid-19 e, por consequência, uma crise econômica global. No Brasil, com o isolamento social, muitas empresas fecharam as portas. Mas houve quem aproveitou o período para inovar e conquistar o sucesso nos negócios, como mostram os dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

No Paraná, das 504.343 mil empresas abertas — entre março de 2020 e março de 2022 — 445.398 continuam em funcionamento, ou seja, 88,4% delas. O mesmo foi registrado pelo Sebrae em Curitiba, onde 121.745 empresas foram criadas no período, das quais 106.922 permanecem abertas, isto é, 87,8%.

É o caso da Única Entregas, que se renovou. “No início da pandemia nossa empresa de eventos parou totalmente. Após um mês em casa, como sou motociclista, decidi fazer entregas e me cadastrei em aplicativos. Foi quando percebi que havia poucas mulheres neste trabalho, e pouca atenção à qualidade deste serviço. Como já trabalhávamos com a contratação de recepcionistas, decidimos abrir uma empresa de entregas, somente com mulheres, priorizando o carinho, o zelo e a forma de entregar”, conta a empresária Gislaine Queiroz.

A startup chegou a ter 30 colaboradoras e cresceu 200% em 2021, destaca ela. Com o aumento de combustíveis, no início de 2022, elas decidiram por uma nova reestruturação. “Hoje, somos uma empresa de logística personalizada, focadas na qualidade, tendo a entrega como o último elo na experiência com o cliente.”

As colaboradoras foram fidelizadas e as rotas reorganizadas. “Oferecemos para elas mais entregas por saída e um rendimento maior. Com isso, nossa projeção é crescer 15% ao mês e ampliar o atendimento para outras cidades, como Porto Alegre e Belo Horizonte. Além disso, voltamos a realizar os eventos”, comemora Gislaine.

A expansão também foi registrada na maior rede de mercados autônomos da América Latina, que nasceu em Curitiba, durante a pandemia. Fundada em fevereiro de 2020, a ‘Market4u’ cresceu 100% em um ano e se espalhou por 100 cidades do Brasil, somando hoje duas mil unidades da franquia.

Por meio de um aplicativo, moradores de condomínios podem fazer compras 24 horas, sem atendentes e com os principais itens das grandes redes. “O morador escolhe o que deseja comprar sozinho e paga por meio do nosso aplicativo, escaneando o código de barras pelo próprio celular”, explica Sandro Wuicik, diretor comercial do market4u.

Para o negócio, o isolamento social foi favorável ao crescimento e possibilitou a criação do ‘É Daqui’, uma rede social de classificados de condomínio, na qual é possível anunciar gratuitamente produtos e serviços para os vizinhos.

Para 2022, o objetivo da Market4u é fechar o ano com dez mil unidades pelo país, com crescimento de 500%. Para isso, virão 200 novos colaboradores. Também está prevista a criação de marketplace, no próprio aplicativo, para encomendar produtos que não estão nas gôndolas e receber em casa, sem custo adicional, em até 24 horas.

Roupas de dormir para o isolamento

Com o isolamento social e o home-office, a venda de roupas caiu, mas a de pijamas só cresceu. Ao perceber, a designer Lorenza Vieira apostou e mudou sua marca. “A pandemia fez com que a marca surgisse. Precisei interromper minha marca antiga, de roupas de rua, e comecei a focar em pijamas, pois percebi que era a necessidade daquele momento”, revela a designer. “Começamos só com pijamas e depois lançamos os robes e as almofadas.”

A ‘Deito’ foi lançada e julho de 2020 e, inicialmente, Lorenza não pensava numa nova marca. No entanto, com a grande demanda pelas roupas de dormir, a designer viu a oportunidade de negócio. “No início, fazíamos de 10 a 20 conjuntos. Hoje, são 50 a 60 por produção, um crescimento de mais de 100%.”

Um doce vai sempre bem

A famosa receita das rosquinhas americanas ganhou novo toque brasileiro durante a pandemia. Em Curitiba, o empresário Gilson Woiciechovski decidiu investir na ‘Donut Box’ em janeiro de 2021, mesmo com todas as restrições sanitárias.

Com apenas dois funcionários, inaugurou a primeira loja no Bigorrilho. Em setembro do mesmo ano, outra unidade foi aberta no Batel.

“Percebemos as necessidades do mercado e atualizamos para a pandemia, principalmente as vendas em um mercado de e-commerce (to go) e no modelo de balcão.

Os cuidados da pandemia vieram e vão ficar para sempre no modelo de atendimento”, observa Gilson.

Hoje, a Donuts Box tem 14 colaboradores e fatura R$ 160 mil mensais, com previsão de mais duas lojas em 2022. Para os próximos 12 meses, a expectativa é ampliar o faturamento para R$ 2,8 milhões.

No cardápio, sabores como churros, paçoca, torta de limão, creme de avelã e brigadeiro.

Corpo e mente

Saúde e Estética em alta

Com o coronavírus e o aumento na procura por serviços de saúde, aumentou também a demanda por profissionais de Odontologia e Fisioterapia. “Iríamos iniciar nosso primeiro curso em março de 2020, mas com a pandemia acabamos estreando em agosto de 2020”, diz a cirurgiã-dentista, Lisiane Ditzel, especialista em Harmonização Orofacial na ‘Hof Class’. Segundo ela, as matrículas para os cursos na área progrediram muito. “Incrivelmente, superou nossas expectativas nesse momento de pandemia. Aumentou expressivamente o número de alunos e de pacientes atendidos. Tanto que acabamos por criar cursos mais extensos para atender a demanda pelo aprendizado.” O mesmo percebeu a fisioterapeuta Michele Polo, da ‘Máxxima’ Fisioterapia Interativa, criada em setembro de 2021 e especializada no atendimento oncológico. “Devido à pandemia, muitos pacientes pararam de fazer tratamento e exames por medo de sair de casa, medo de lugares cheios e medo de se contaminar”, lembra a profissional. “A busca por espaços individualizados e cuidados personalizados foi ainda maior neste período; foi aí que surgiu a Máxxima, para suprir essa demanda e inovar no suporte oncológico, tudo em conexão com a natureza.”