Crise sanitária

No Paraná, fila de espera por leitos Covid dobra em menos de um mês

Movimento nos hospitais segue alto em Curitiba: fila de espera havia diminuido, mas volta a subir
Movimento nos hospitais segue alto em Curitiba: fila de espera havia diminuido, mas volta a subir (Foto: Franklin de Freitas)

Com a pandemia do novo coronavírus dando sinais de recrudescimento no Paraná, inclusive com a taxa de transmissão da doença (Rt) acima de 1 desde o final de abril no estado (segundo dados do Laboratório de Estatística e GeoInformação da Universidade Federal do Paraná), o sistema de saúde paranaense volta a sofrer para lidar com a demanda crescente por atendimento e internação de pacientes com Covid-19.

Conforme dados divulgados pela Secretaria Estadual da Saúde (Sesa-PR) e compilados pelo Bem Paraná, em menos de um mês a fila de espera por um leito Covid no SUS mais do que dobrou. No dia 15 de abril, por exemplo, 250 pessoas aguardavam para serem internadas, 100 delas esperando por um leito clínico e 150 por um leito de UTI. No dia 13 de maio, no entanto, já eram 551 pessoas na fila, 265 aguardando por um leito clínico e 286 por leito de UTI.

Isso significa que a fila de espera por um leito Covid cresceu 120,4% em 29 dias, com alta de 90,7% no número de pessoas aguardando por um leito de UTI e de 165% no de pessoas aguardando por um leito clínico.

Desde que a terceira onda da doença pandêmica passou a afetar o Paraná, o momento mais crítico foi registrado em meados de março, entre os dias 8 e 20 daquele mês, quando mais de mil pessoas aguardavam para serem internadas. Contudo, depois de atingir o pico em 16 de março, com 1.357 pacientes aguardando por internação, a fila de espera por leitos Covid começou a retroceder, chegando aos 250 pacientes em 15 de abril - uma redução de 81,58% em pouco menos de um mês.

Até o final de abril a fila de espera por leito Covid não voltaria a ficar com mais de 400 pacientes. Nos últimos dias, porém, os números voltaram a subir e de forma acelerada: em 5 de maio eram 335 pessoas na fila e, no dia seguinte, 440. O número caiu nos dias seguintes e chegou a 395 no dia 8, mas desde então subiu quatro vezes consecutivas, com 407 pacientes em 9 de maio; 481 no dia 10; 535 no dia 11; e 577 no dia 12. Ontem, já eram 551 pessoas aguardando por internação, com diminuição na fila por leito clínico, mas crescimento da fila de espera por uma UTI.

Número de unidades de terapia intensiva cresce 38%, mas ocupação está alta

O levantamento do Bem Paraná mostra ainda que no começo de março o Paraná somava 1.387 leitos de UTI SUS exclusivo para pacientes confirmados ou suspeitos de contaminação pelo novo coronavírus. Desde então, com o agravamento da crise sanitária, o número de leitos em Unidade de Terapia Intensiva foi aumentado em 37,78%, chegando a 1.911 no último dia 12 de maio.

Ainda assim, a taxa de ocupação permanece em patamares elevados, estando acima de 90% ao longo de todo o período analisado. O recorde foi registrado em 7 de março, com 97,36% (na época haviam apenas 1.480 leitos de UTI Covid). Em 28 de abril, essa taxa chegou a cair para 90,94%. Mas no último dia 13 já estava em 94,24%.

Não surpreende, então, o expressivo aumento na fila de espera por um leito em Unidade de Terapia Intensiva. Essa fila chegou a ter 90 pessoas em 14 de abril e desde o dia 12 daquele mês registrava menos de 200 pacientes aguardando por internação. A situação mudou, porém, a partir de 9 de maio. Hoje são 286 pacientes com quadros graves de Covid-19 aguardando por atendimento intensivo.

Clínicos — Com relação aos leitos clínicos para pacientes com Covid-19 ou suspeita da doença, desde o começo de março foram abertas mais de 747 leitos, uma ampliação de 37,02% entre 1º de março e 12 de maio, quando o número de leitos clínicos subiu de 2018 para 2.765.

Mas o número de pacientes com Covid-19 ou suspeita para a doença e que estão aguardando por um leito clínico também voltou a subir no estado, tendo chegado a 334 no último dia 12, primeira vez desde 1º de abril que mais de 300 pacientes aguardavam internação num leito desse tipo.

Perfil de internados muda na Capital; 50 a 59 anos lideram

A pandemia da Covid-19 em Curitiba voltou a ganhar força nas últimas semanas, e desta vez chega com mudança no perfil dos casos graves. Dados do monitoramento do Centro de Epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde mostram aumento nos internamentos de doentes mais jovens e queda no número de pacientes com idades mais avançadas em relação ao total de internados.

O período comparado é o do início da fevereiro, começo da vacinação dos idosos, à semana de 25 de abril a 1 de maio, a mais recente divulgada. Os doentes com 80 anos ou mais representavam, na última semana de abril, apenas 2,6% do total de internamentos, uma queda de 81% do início de fevereiro para o fim de abril.

Na última semana de abril, pessoas entre 50 e 59 anos responderam por 31% do total de internamentos, maior índice para esta faixa etária desde o início da pandemia, em março de 2020.

Outra faixa etária com aumentos nos internamentos é a de adultos de 40 a 49 anos, com um salto de 13% do início de fevereiro para a semana de 25 de abril a 1º de maio.