Pandemia

No Paraná, não vacinados são 69% entre internados e 77% entre mortos pela Covid-19

Quem está imunizado transmite menos o vírus e também precisa menos de serviços médicos
Quem está imunizado transmite menos o vírus e também precisa menos de serviços médicos (Foto: Valquir Aureliano)

Com mais de 8,5 milhões de paranaenses (o equivalente a 73,4% da população) imunizados contra a Covid-19 pouco mais de um ano após o início da vacinação, o Paraná vive um momento diferente em meio à pandemia do novo coronavírus, no qual quem está ficando doente agora, nas palavras do secretário de Saúde do Paraná, Beto Preto, “é quem está pouco vacinado ou não vacinado”. E dados do Ministério da Saúde, extraídos do Banco de Dados de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), corroboram com essa afirmação.

Depois de o acesso ao OpenDataSUS ter sido reestabelecido na última semana, após quase um mês de apagão, o Bem Paraná acessou o Banco de Dados de SRAG e filtrou os casos de dezembro último referentes a registros notificados pelo Paraná em que os pacientes precisaram de internação (tanto em leito clínico como em UTI) e tiveram quadros confirmados de Covid-19, ou seja, essas pessoas fizeram testes e tiveram confirmada a contaminação pelo novo coronavírus.

Ao todo, então, foram analisadas as fichas de 386 pacientes, dos quais 203 demandaram cuidados intensivos em algum momento, ou seja, chegaram a ser internados numa Unidade de Terapia Intensiva (UTI), apresentando quadros mais graves da doença pandêmica.

A análise revela que, entre os pacientes internados, 148 não haviam tomado nenhuma dose da vacina contra a Covid-19, 70 não informaram o status vacinal e 49 não haviam tomado as duas doses da vacina contra a Covid-19. Isso significa que, dos 386 pacientes hospitalizados no estado ao longo do último mês, 267 – o equivalente a 69,2% do total – não estavam imunizados contra a doença, não informaram se haviam tomado a vacina ou não haviam completado o ciclo vacinal.

Interessante notar, ainda, que quanto mais grave o quadro do enfermo, maior a proporção de não vacinados.

Por exemplo, entre os pacientes que foram parar numa UTI, 81 não tomou nenhuma dose da vacina, 49 não informaram o status vacinal e 18 não chegaram a tomar as duas doses do imunizante. Portanto, dos 203 pacientes que foram internados e demandaram cuidados intensivos ao longo do último mês, 148 não haviam, possivelmente, sido imunizados contra a Covid-19, o equivalente a 72,9% dos pacientes que foram parar em UTI.

Por fim, a análise da ficha dos 386 pacientes hospitalizados com Covid-19 mostra ainda que foram notificados 152 óbitos. Entre essas pessoas que faleceram, 66 não estavam vacinadas, 40 não informaram o status vacinal e 12 haviam tomado apenas uma dose do imunizante. Ou seja, do total de óbitos notificados no último mês, 77,6% eram referentes a pessoas que não haviam sido completamente imunizadas.

Ambientes com vacinados têm menor circulação do vírus

Com novas variantes do coronavírus em circulação, observa-se o escape parcial de algumas cepas aos imunizantes que atualmente estão sendo aplicados. Uma situação que faz muitos questionarem: “se é possível contaminar e ser contaminado mesmo após a vacina, por que alguns lugares exigem comprovação do esquema vacinal?”.

Professor do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular e presidente da Comissão de Acompanhamento e Controle de Propagação do Novo Coronavírus na Universidade Federal do Paraná (UFPR), Emanuel Maltempi de Souza explica que o objetivo de exigir a vacinação é sanitário e tem o intuito de reduzir a circulação do vírus, especialmente nos locais por onde transitam muitas pessoas.

Isso acontece porque a chance de alguém com o esquema de vacinação completo transmitir a doença é muito menor, uma vez que os vacinados apresentam uma carga viral menor e por menor período de tempo do que aqueles que não se imunizaram.

Nessa linha, a chefe da Unidade de Infectologia do Hospital de Clínicas da UFPR e coordenadora do estudo da vacina CoronaVac no Paraná, Sonia Mara Raboni, afirma que a menor carga viral e o menor tempo de eliminação do vírus impactam na transmissibilidade. “Se as pessoas têm uma quantidade menor de vírus sendo eliminada e por um tempo menor, aliando-se às medidas restritivas que já são recomendadas – como máscara e distanciamento social -, há diminuição da possibilidade de infecção de outras pessoas”.

“O impacto [daqueles que não se vacinaram para a população de maneira geral] é que hoje, daqueles que estão internados, 80% a 90% não tomaram a primeira dose ou não completaram o esquema vacinal. Então isso já demonstra que quem está ficando doente agora é quem está pouco vacinado ou não vacinado. A vacina é fundamental.
E quem não toma vacina está vulnerável, vira uma presa fácil dos vírus. Começa a ocorrer uma seleção natural, o vírus vai tentando se reproduzir através da infecção e ele vai procurar o hospedeiro que tenha menos imunidade. Quem não tomou vacina está com menos imunidade que os outros nesse momento, por isso a necessidade de vaciná-los.
E para isso basta procurar uma unidade de saúde. Temos doses disponíveis.”

do secretário de Saúde do Paraná, Beto Preto