Bandeira laranja

Nova onda de Covid-19 em Curitiba tem origem no jovem e na contaminação intrafamiliar, diz secretária

(Foto: Valquir Aureliano)

A secretária municipal de Saúde, Márcia Huçulak, explicou em entrevista coletiva nesta sexta (27), os motivos que levaram a prefeitura de Curitiba a implantar uma bandeira laranja mais branda mesmo com um aumento tão grande confirmações e casos ativos de Covid-19 no mês de novembro. As novas medidas de restrição fecham os bares, casas noturnas e proíbem eventos, seja em locais públicos, mas aumentam o horário de lojas do comércio de rua e de shoppings, além de recomendar uma espécie de toque de recolher e o teletrabalho. "A gente aprende todos os dias com o vírus. Já temos o monitoramento de 75 mil positivos. E podemos dizer que a maior parte dos novos casos são intrafamiliar e o jovem está levando para dentro de casa. Pulamos de 4 mil casos ativos em 2 de novembro para 12 mil em dia 23 de novembro, a maior parte de 15 a 49 anos. No caso desta faixa etária, 98% têm sintomas leves, mas eles transmitem para pai mãe e vó. Temos muitas histórias de jovens que fazem churrasco, fumam narguilê, e contaminam sete ou dez em casa. A nossa bandeira está trabalhando com os ambientes não controlados, porque nos ambientes controlados, com shoppings, lojas, não está o maior problema, sabemos disso. No bar, as pessoas bebem, o jovens estão sem máscara", disse a secretária.

Veja o que muda com a bandeira amarela

Segundo ela e o diretor de Diretoria do Centro de Epidemiologia, Alcides Augusto Souto de Oliveira, as fiscalizações sobre aglomerações e estabelecimentos que não cumprem as regras já estão reforçadas desde a quinta (26). O médico Alcides explicou ainda que o aumento do horário dos shoppings e do comércio é estratégico, porque deve distribuir melhor o movimento, desafogando também o transporte coletivo: "As lojas e shoppings estão cumprindo os protocolos, é ambiente controlado". Márcia afirmou que se as contaminações migrarem para outro setor, novas medidas podem ser tomadas. Márcia admitiu também que o aumento de casos em novembro não era esperado pelos órgãos de saúde e que o aumento de mortes e o colapso no sistema de saúde pública e particulares foram decisivos para a mudança de bandeira: "Os números ainda vão aumentar muito nas próximas duas semanas e muitos idosos terão que ser internados. A situação está complicada. Nosso apelo é que quem tem sintomas de covid-19 ligue para nós e se isole, inclusive da família". 

Eventos de Natal da Prefeitura terão público reduzido

Por causa da bandeira amarela, o limite de pessoas nos eventos a céu aberto promovidos pela Prefeitura de Curitiba serão reduzidos: "Terá monitores para manter distanciamento e uso da máscara. A gente não pode tirar das pessoas o momento da esperança, da virada de ano do Natal. Mas a ceia de natal só poderá ser com pessoal do convívio familiar, nada de 40 pessoas.

UPAS para Covid-19

A secretária de Saúde disse que a reversão de UPAS para atendimento de Covid-19 já estava prevista em julho, mas não chegou a ser implantada. Duas UPAs estão neste plano já, a da Fazendinha e do Boqueirão. "Vimos um aumento de casos, principalmente jovens, com quadro respiratório que necessitam de medicação e oxigenio nasal. Só 11% dos contaminados vão para internação. Para esses casos leves, o leito clinico é ideal para melhorar a saturação. Estamos aproveitando a estrutura que já temos. Isso de hospital de campanha é uma fissura sem nexo no momento. Se um dia precisarmos, faremos", disse ela.