Crise do Coronavírus

Novo decreto proíbe eventos com mais de dez pessoas no Paraná

Governador Ratinho Jr observa gráfico com as curvas em alta de casos e mortes pela Covid
Governador Ratinho Jr observa gráfico com as curvas em alta de casos e mortes pela Covid (Foto: Rodrigo Félix Leal/AN-PR)

O Governo do Estado ampliou as medidas restritivas para evitar a propagação do novo coronavírus e conter o aumento das infecções no Paraná. O decreto editado ontem estabelece, entre outras regras, a proibição de confraternizações e eventos presenciais que causem aglomerações com grupos de mais de 10 pessoas, excluídas da contagem crianças de até 14 anos. A exceção são ações sem contato físico, incluindo o modelo drive in. O documento é válido por 15 dias, prorrogáveis ou não.
O texto assinado pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior prevê também a proibição da comercialização e do consumo em vias e espaços públicos de bebidas alcoólicas das 23 horas às 5 horas. A decisão acompanha o impedimento provisório na circulação de pessoas no mesmo período, medida em vigor no Estado desde a quarta-feira.

“Essas medidas são fundamentais. É claro que o vírus não tem horário, mas cerca de 15% dos nossos leitos de UTI são usados em decorrência de traumas. Em muitos casos por pessoas que bebem, pegam o carro e acabam se acidentando. Isso libera leitos para combater o coronavírus, para dar assistência a quem está contaminado”, ressaltou Ratinho Junior.
O decreto recupera duas resoluções da Secretaria de Estado da Saúde. A 734/2020 que autoriza a celebração de cultos religiosos desde que o espaço destinado ao público tenha ocupação máxima de 30%, garantido o afastamento mínimo de 2 metros entre as pessoas.

A medida começa a valer na segunda-feira para dar tempo de as igrejas se organizarem. O texto recomenda que a população realize atos religiosos em casa, de forma individual ou em família.
Outra medida retomada é a resolução 632/2020, que trata do teletrabalho. O decreto estabelece que esse formato seja adotado para as funções que forem compatíveis no âmbito da administração estadual. As exceções são as secretarias da Saúde, Segurança Pública e Fazenda. Há ainda a orientação para que os demais Poderes, assim como municípios e entes privados acompanhem o regramento.

RMC — As novas medidas restritivas foram elaboradas em conjunto com as 29 cidades que formam a Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Curitiba (Assomec). Cada prefeitura agora vai redigir um decreto próprio, obedecendo as particularidades locais, mas a tendência é que acompanhem as normativas estabelecidas pela Capital.
Ontem, Curitiba renovou a bandeira laranja, em vigor desde 27 de novembro e com término estabelecido para a zero hora de hoje. A prorrogação, formalizada pelo Decreto Municipal 1.630, foi necessária para evitar um vácuo legal que seria criado com o fim da validade do decreto 1.600.

Mas, no próprio comunicado a Prefeitura adiantava que aguardava a publicação de novo decreto estadual – com novas medidas contra a pandemia — para, então, reavaliar as normativas para a Capital.

Fiocruz aponta capitais em risco. Curitiba é uma delas

Um estudo revela as capitais brasileiras em risco de escalada de alta de
Covid-19 nas próximas semanas, e Curitiba é uma delas. É o que revela o Boletim InfoGripe da Fiocruz, referente à Semana Epidemiológica 48 (22 a 28 de novembro), divulgado ontem.

Conforme o boletim, em três macrorregionais do Paraná (Oeste, Leste e Noroeste) há sinal forte de crescimento na tendência de longo prazo, sendo que a região de Curitiba está com sinal de crescimento nas últimas quatro semanas consecutivas e as demais, para as últimas três semanas consecutivas.
Entre as capitais brasileiras, inclusive, Curitiba aparece ao lado de Campo Grande (MS), Goiânia (GO), Maceió (AL), Palmas (TO) e Salvador (BA) como os municípios com maior tendência de crescimento de longo prazo.

Boletins
Curitiba registrou, ontem, 1.380 novos casos de Covid-19 e 13 óbitos de moradores da cidade. Até agora são 1.788 mortes na cidade provocadas pela doença e 82.647 casos no total. Até ontem eram 12.817 casos ativos na cidade.

No Paraná o boletim de ontem revelou mais 2.628 diagnósticos confirmados de Covid-19 e 75 óbitos. Os dados acumulados do monitoramento da Covid-19 mostram que o Paraná soma 291.244 casos e 6.259 mortes pelo novo coronavírus.

No Brasil, o Ministério da Saúde apresentou os dados mais recentes sobre a pandemia e confirmou o crescimento de casos e mortes da doença no país nas últimas semanas. A alta é superior a 100% entre o início e o fim de novembro.
O País tinha até ontem 6.487.084 casos positivos e 175.270 óbitos de brasileiros acumulados na pandemia.

Segundo dados do IBGE, mais da metade dos paranaenses desrespeita o isolamento social

Rodolfo Luis Kowalski
O número de casos e mortes causadas pela Covid-teve um aumento expressivo em Curitiba e no Paraná como um todo nas últimas semanas. E um dos fatores que colaboraram para que isso acontecesse foi o comportamento da população, que está flexibilizando cada vez mais as medidas de distanciamento social. E a prova disso é que em outubro, pela primeira vez, o número de pessoas que não respeitavam as medidas preventivas foi superior à metade da população.

Conforme dados da Pnad Covid, divulgados nesta semana pelo IBGE, no mês de referência apenas 14,4% da população permanecia rigorosamente isolada e 34,8% permaneceu em casa, saindo só por necessidade básica. Em julho, esses porcentuais eram de 24,7% e 41,7%, somando um total de 66% da população, valor que caiu para 49,2% em novembro.

Em contrapartida, entre julho e o mês de referência o porcentual da população que não fez qualquer tipo de restrição subiu de 1,3% para 2,7%, ao passo que a proporção de pessoas que reduziu contato mas continuou recebendo visita e/ou saindo de casa subiu de 32,3% para 47,9%. Assim sendo, em julho 33,6% da população vinha, de alguma forma, desrespeitando as regras de distanciamento e isolamento social. Em novembro, esse valor chegou a 50,6%.

Diante de tais dados, não surpreende a escalada de casos e mortes pela Covid-19No estado, a média de casos por dia praticamente dobrou entre os meses de outubro e novembro, passando de 1.104,45 para 2.205,97. Na capital, o aumento foi proporcionalmente ainda mais expressivo, passando de 284,39 para 862,37.