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Ex-Paraná Clube

'O Brasil não está preparado para a volta do futebol', diz goleiro

O goleiro João Ricardo
O goleiro João Ricardo (Foto: Divulgação/Chapecoense/Marcio Cunha)

O Campeonato Catarinense foi o primeiro Estadual a anunciar seu retorno aos gramados, após quase quatro meses de paralisação em razão da pandemia pelo novo coronavírus. O torneio será disputado a partir do dia 8 de julho, cercado de desconfiança e temor por parte de jogadores, dirigentes e torcedores. O goleiro João Ricardo, da Chapecoense e ex-Paraná Clube, é um desses atletas que não demonstram 100% de confiança para voltar aos jogos.

A capital do Estado, Florianópolis, não poderá receber jogos, por ainda não apresentar melhoras nos casos de covid-19. João Ricardo, em entrevista ao Estadão, afirma que o Brasil ainda não está preparado para o retorno das competições, mas pondera que os governantes estão tentando passar segurança para a população. Na opinião do jogador, o futebol pode ser um meio encontrado para tentar distrair e aliviar o estresse da necessidade de se manter em quarentena. O goleiro defendeu o Paraná Clube em 2014. Confira a entrevista.

O que está esperando do retorno do Campeonato Catarinense?

Estou muito ansioso. Foi um ano totalmente diferente do que estamos acostumados, mas a gente espera voltar com alegria. Voltar o mais breve possível e dar alegria ao torcedor, que está doido em casa para ver um jogo.

Você acha que estamos prontos para a volta ao futebol no Brasil?

O Brasil não está preparado, como nenhum outro país está. Mas nós, jogadores, comissão técnica e dirigentes acreditamos que as autoridades criaram protocolos de segurança que vão fazer com que ninguém que esteja trabalhando corra riscos. Isso nos tranquiliza para focarmos só no jogo.

A maior dificuldade será o ritmo de jogo ou se adaptar as recomendações de saúde?

As duas coisas são importantes e vão atrapalhar no começo. Estamos três meses sem jogar e voltamos a treinar há pouco tempo, mas treinar é bem diferente de jogar. Só com os jogos voltaremos a ter ritmo e confiança. Quanto as recomendações, vamos precisar nos adaptar e seguir certinho isso. É algo que vamos levar um tempo para nos acostumar, mas creio que iremos nos adaptar a essa nova realidade.

Você tem medo de se contaminar com o coronavírus?

Medo de contaminação todo mundo tem e existem várias alternativas de contaminação. A gente pode ir ao mercado, ao shopping, a farmácia e ser contaminado. Acho que tomando os cuidados, o risco é muito baixo e é nisso que estamos acreditando.

O fato de Avaí e Figueirense não poderem jogar na capital faz com que os times do interior levem vantagem?

Avaí e Figueirense sempre são fortes dentro ou fora de casa e os times do interior são muito fortes, principalmente, em casa. Acredito que pode até acontecer de algum time levar uma pequena vantagem, mas não acho que isso será predominante para o resultado.

O Catarinense já volta logo de cara com mata-mata e a Chapecoense enfrentando um dos maiores rivais (Avaí). Como se concentrar para uma decisão sendo que fisicamente e psicologicamente o ritmo ainda é de pré-temporada?

Voltar logo em um clássico é o que todo jogador deseja. Por mais que esteja sem ritmo de jogo, sem entrosamento, mas clássico é algo diferente. Isso serve de motivação para a volta. É um jogo importante para a Chapecoense e precisamos trabalhar forte para voltar bem.

Sempre que se fala de goleiro na Chapecoense, o nome do Danilo é lembrado e reverenciado. Como você vê essa relação do clube com ele e você ouve muitas comparações sobre estilo de jogo parecido com o dele?

Danilo está eternizado aqui e é um nome que nunca vai ser esquecido. E nem deve, por toda a história que ele teve com o clube. Não tem muito essa coisa de querer comparar e falar que alguém vai ser o novo Danilo. Cada um tem sua características e por mais que eu faça, eu sempre serei o João Ricardo e houve um Danilo. Ele fez tudo pela Chapecoense e eu estou construindo a minha história. Tenho que trabalhar muito para chegar próximo do que ele foi.

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