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O etarismo está tão fora de moda

O desfile de alta-costura para a primavera-verão 2022 da Valentino, com coleção assinada pelo diretor criativo Pierpaolo Piccioli, contou com casting de modelos de diferentes idades, formas e etnias
O desfile de alta-costura para a primavera-verão 2022 da Valentino, com coleção assinada pelo diretor criativo Pierpaolo Piccioli, contou com casting de modelos de diferentes idades, formas e etnias (Foto: Divulgação)

Se tudo der certo, a gente vai passar mais da metade da vida na maturidade. Pensando nisso, é bem esquisito que ainda exista gente que entenda a vida produtiva e criativa, a beleza, o auge sexual, como prerrogativas da juventude. E não adianta dizer que sempre foi assim. Antes, as pessoas “envelheciam” mais cedo porque a vida era mais difícil, a expectativa de vida era menor, o acesso a medicamentos e produtos de beleza também. O mundo anda para frente, meus caros. Vamos melhorar e chega de sermos nós os portadores desse ranço etário.

Envelhecer faz parte da vida. E estamos envelhecendo cada vez mais e melhor, que ótimo. Há países, tipo o Japão, que já estudam considerar a maturidade (ou a terceira idade) para depois dos 70. Chegou a hora de olharmos para o espelho e aprendermos a gostar da vida como ela é. Dá para melhorar, claro. Só não dá para fingir que o sol nasce apenas para quem tem 20 e poucos anos.

As indústrias em geral já estão percebendo isso e alterando suas linhas de produtos e serviços para, por exemplo, o público 60+, que antes era negligenciado por elas. Com 60, a gente namora, se veste, come, passa creme, viaja, muda tudo, começa de novo e consome. Um indicativo claro dessa mudança foram os desfiles e bastidores das semanas de moda internacionais. Valentino trouxe para a passarela alguma diversidade na faixa etária, no tamanho das manequins e na origem étnica de suas modelos. E está tudo maravilhoso. As roupas couberam, foram muito bem apresentadas e ainda ganharam publicidade extra no mundo por isso.

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