Eleições 2016

O que os candidatos a prefeito de Curitiba dizem sobre segurança

Pela Constituição, cuidar da segurança pública é uma responsabilidade dos governos estaduais. O crescimento da violência urbana e da criminalidade, porém, tem obrigado os prefeitos a também assumirem sua parte nessa questão, que ao lado da saúde, aparece no topo das preocupações da população das grandes cidades brasileiras nas pesquisas de opinião pública. Em Curitiba, essa situação não é diferente e a atualidade do tema aumenta ainda mais com a crise econômica, e o crescimento do desemprego. 

Na terceira da série de reportagens sobre os principais desafios de Curitiba para os próximos quatro anos, a reportagem do Bem Paraná perguntou aos candidatos a prefeito, quais os planos deles para a melhoria da segurança na cidade. A maioria acena com a ampliação do efetivo e das atribuições da Guarda Municipal e mais investimentos nos sistemas de vigilância e monitoramento.

- Outra questão que preocupa a população é a segurança pública. O que o prefeito pode fazer nessa área, já que legalmente, trata-se de uma responsabilidade do governo estadual?


Rafael Greca (PMN)

A Guarda Municipal precisa ter uma atuação firme, com treinamento constante para sua qualificação e equipamentos que permitam uma maior proximidade com o cidadão curitibano. Ela deve estar integrada com num Gabinete de Gestão para atuar em conjunto com as Polícias Militar e Civil e com as informações do Setran e da Urbs, de acordo com um planejamento estratégico. Quero usar a Central de Inteligência, adquirida e montada em Curitiba na ocasião da Copa do Mundo, para ter uma Prefeitura que não dorme. E vamos intensificar as ações preventivas para coibir a microcriminalidade em toda a cidade.


Gustavo Fruet (PDT)

Essa área estratégica atua em várias frentes para contribuir com a segurança da cidade. Levando-se em consideração o fato de que a segurança pública é responsabilidade majoritária dos governos estadual e federal, a partir da integração com esses atores, a Secretaria de Defesa Social e a Guarda Municipal têm contribuído de maneira importante para a promoção de ambientes mais seguros no convívio urbano. Atuam, por exemplo, através do projeto Módulo Móvel Itinerante, que percorre as dez Administrações Regionais da Cidade atendendo demandas da população e cuidando da preservação dos equipamentos públicos do município nas Regionais. Também atuam com a presença da Patrulha Maria da Penha, uma inovação da atual gestão, que atende mulheres vítimas de violência, e a Patrulha Animal, que atua nas situações de maus tratos e violência contra animais. A criação da Academia da Guarda Municipal no ano de 2016 vai propiciar espaço de aprendizagem específico para a Guarda Municipal nos próximos anos.
O novo passo nessas áreas caminhará na direção de incorporar novas tecnologias na gestão de uma cidade mais segura, de aprimorar a Academia da Guarda Municipal e de estimular a criação dos CONSEGs, com as seguintes propostas:
• Ampliar investimentos em equipamentos, viaturas e serviços de vídeo monitoramento
integrado.
• Fortalecer a estrutura da Secretaria Municipal de Defesa Social, com ampliação do quadro de servidores e ações de formação específicas para os guardas municipais.
• Ampliar e fortalecer as ações de Proteção Civil, de maneira integrada com Gestão de Riscos, promovendo a modernização dos serviços prestados à comunidade, em cooperação com os municípios da Região Metropolitana de Curitiba.


Requião Filho (PMDB)

Cuidar da vida da população curitibana também é responsabilidade do prefeito. Promover a verdadeira integração da Guarda Municipal e Polícia Militar, será uma das metas prioritárias. Há necessidade de implemento massivo de tecnologia para que a comunicação entre as polícias funcione, inclusive com a polícia civil e empresas de segurança privada. É preciso que isto seja mais fácil, integrado e eficiente! Aproximar a Guarda Municipal com a comunidade, em cada bairro, em cada região de Curitiba, conhecendo e tratando a população com carinho. Fornecer melhor treinamento, equipamento e, dentro do possível, o aumento do efetivo.


Ney Leprevost (PSD)

O número de Guardas Municipais hoje é insuficiente. Vamos aumentar o efetivo e a corporação também vai atuar no patrulhamento da cidade. Para tanto haverá um chamamento imediato de novos guardas, a partir da base de dados dos aprovados no ultimo concurso público.
Quero implantar os programas Terminais 100% Seguros, para acabar com roubos, assédios e violência dentro do equipamento. Para coibir este e outros delitos vamos criar um serviço reservado da Guarda, inclusive para identificar e prender as gangues que agem os terminais e no interior dos ônibus. Dentro da estrutura da Guarda Municipal será criado o programa Craque no combate ao crack, um dos grandes desafios a ser enfrentado pela próxima gestão.


Maria Victória (PP)

A cidade não pode se eximir da responsabilidade de proteger seus moradores. Por isso, temos que dar mais estrutura para a Guarda Municipal e estreitar os laços dela com as polícias Civil e Militar, para que elas possam trabalhar em conjunto pelo cidadão curitibano. As câmeras de monitoramento precisam ser dobradas e deve haver mais investimento em iluminação pública. Também temos que incentivar o comércio e estimular a circulação de pessoas nos espaços públicos, pois locais escuros e pouco frequentados favorecem a marginalidade. Propomos ainda a implantação da Patrulha Municipal Escolar, nos mesmos moldes da patrulha estadual, para proteger as escolas do município.


Tadeu Veneri (PT)

Ainda que seja responsabilidade do governo do Estado, há espaço para que a Prefeitura ajude a proporcionar à população uma percepção maior de segurança na cidade. A segurança é um processo que deve ser visto de forma integral. Nossa proposta é fazer com que todos aqueles que estejam envolvidos com a área de segurança possam participar do processo. Uma cidade com 323 áreas irregulares, cerca de duas mil pessoas nas ruas e inúmeros outros problemas tem que olhar para sua guarda como uma guarda cidadã. Portanto, é preciso promover uma completa integração entre as polícias civil e militar, a guarda municipal e os conselhos de segurança. Não podemos ficar restritos à repressão. É também prevenção. Repressão resulta não só em mortos nas periferias, mas também em óbitos entre os policiais. Também é preciso, e possível, contratar, convocando aqueles que já foram aprovados em concurso para a guarda e realizando novos concursos.


Xênia Mello

Curitiba está entre as cidades mais desiguais do mundo segundo, segundo a ONU. Essa é a principal origem das tensões sociais que resultam na violência urbana. Reduzir a desigualdade social é o meio mais eficaz de combate à violência. É possível fazer isso através de investimentos em saúde, educação, moradia, regularização fundiária, mecanismos de transferência de renda, etc.
Além disso, vamos implantar a participação popular na Gestão da Guarda Municipal, com o objetivo de construir uma polícia comunitária, que trabalhe em estreita parceria com os Conselhos Comunitários de Segurança (Consegs) dos bairros. Também vamos garantir a valorização profissional dos agentes da Guarda, com remuneração justa e cursos de formação e aperfeiçoamento.


Ademar Pereira (PROS)

A Guarda Municipal já faz uma trabalho muito bom para aquilo que foi criada e tendo em vista a estrutura que tem. O uso de tecnologia e conectividade vai nos ajudar a melhorar nos serviços e ajudar o governo do estado a cuidar da segurança das nossas famílias. Hoje os Consegs de Curitiba tem feito um trabalho muito ativo e precisam estar mais próximos do poder público. Membros da Guarda Municipal vão participar, orientar e incentivar a formação de novos Consegs. Vamos implantar um sistema de aplicativos conectando a vizinhança, a segurança privada e a Guarda Municipal, visando agilizar o atendimento, e aumentar o número de câmeras de vigilância no Centro e em áreas identificadas como problemáticas, bem como melhor a iluminação pública em pontos de ônibus e locais ermos.


Afonso Rangel (PRP)

A prefeitura pode e deve ajudar a garantir a segurança para a população. Não importa de quem é a responsabilidade. Todos temos que estar dispostos a garantir o melhor para o cidadão. E a administração municipal pode fazer isso por meio da guarda municipal, que é a polícia da cidade, aquela mais próxima do povo. Mas, para prestar esse serviço, primeiro temos que cuidar do guarda. Ganhando R$1600,00 por mês é difícil acreditar que esse profissional tenha como ter cabeça tranquila para proteger o cidadão. É preciso rever esse salário e também o plano de aposentadoria da categoria. Além do mais, vamos fornecer um treinamento adequado e uniformes que os guardas tenham orgulho de usar e até também os proteja. Polícia bem equipada é polícia eficiente.