Saúde em pauta

Após oito anos de Novembro Azul, ‘eles’ ainda não fazem o dever

Fachada do prédio histórico da Câmara de Curitiba iluminada de azul, em alusão à saúde do homem
Fachada do prédio histórico da Câmara de Curitiba iluminada de azul, em alusão à saúde do homem (Foto: Valquir Aureliano)

Uma frase conhecida diz que “por trás de todo grande homem existe uma grande mulher”. Em se tratando de medicina, contudo, essa frase deveria ser adaptado para algo do tipo “por trás da saúde de um homem existe uma grande mulher”. Explica-se: em pleno século 21, oito anos depois do Novembro Azul começar a ser celebrado no Brasil, ainda são comuns os casos em que elas são responsáveis por cuidar da saúde de seus maridos e/ou pais, que não dão a devida atenção à prevenção e ao cuidado próprio.

Chefe do setor de Urologia do Hospital INC, Ruimario Machado Coelho, comenta que a questão de ser a mulher quem estimula (ou até mesmo quem quase obriga) o homem a se consultar, fazer um check-up, é algo muito nítido. “A campanha do Novembro Azul, inclusive, devia ser bem focada na mulher, porque é ela quem obriga ele a se consultar. Se perguntar para a secretária ou secretário de um urologista, é nítido que grande número de pacientes que marca exame de rotina é a mulher quem liga para agendar a consulta e só avisa ao marido ou ao pai o dia do exame”, afirma o especialista.

O cenário atual acaba desembocando em situações um tanto inusitadas. Não raro, por exemplo, urologistas recebem encaminhamentos ou exames com pedido feito por ginecologista – alguma mulher na família vai fazer a consulta de rotina e já aproveita para marcar a consulta para o pai ou marido, por exemplo.

“Isso é comum, na verdade. Muitas vezes, quem leva o homem ao médico é a eposa, a mãe, a irmã, a filha. Outras vezes são elas que solicitam os exames. Essa do ginecologista já aconteceu mais de uma vez, por exemplo. Na urologia, é a mesma coisa. [O homem] Vai até sozinho na consulta, mas diz que foi porque senão teria briga em casa”, relata o Dr. Murilo de Almeida Luz, cirurgião do Hospítal Erasto Gaertner. “Mas isso é bom. Homens casados vivem mais que os solteiros, talvez seja por isso até”, complementa.

Idealmente, o homem deveria procurar atendimento periódico desde jovem, consultando-se a cada dois anos ou até mesmo anualmente. Em relação ao câncer de próstata, por sua vez, o recomendado é fazer uma consulta anual com o urologista a partir dos 45 anos em homens que têm histórico na família e, para os outros, a partir dos 50 anos de idade.

“Homem sai do pediatra e fica sem ir ao médico até ir no urologista, com 45, 50 anos. A mulher, por outro lado, sai do pediatra e já começa a fazer acompanhamento com ginecologista. É importante que os homens mantenham esse acompanhamento durante toda a vida”, ressalta o Dr. Murilo. “É muito cultural. A mulher, desde muito jovem, a maioria já é habituada a consultar com o ginecologista anualmente. Tem essa cultura mais enraizada nelas e aí elas acham mais normal, não se incomodam com isso e tentam influenciar o homem”, finaliza Ruimario.

Radiografia

O que mais mata
Os tipos mais prevalentes de câncer no homem têm sido de estômago, esôfago e cólon, seguidos por neoplasia de pulmão e próstata. Segundo estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca), no triênio 2020-2022 ocorrerão no Paraná cerca de 3,5 mil novos casos de câncer de próstata a cada ano.