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Pandemia adia casamentos e lota agenda do fim de ano

Anaile e Lucas se casariam no dia 2 de maio: pandemia mudou tudo
Anaile e Lucas se casariam no dia 2 de maio: pandemia mudou tudo (Foto: Valquir Aureliano)

A pandemia obrigou o adiamento de muitos sonhos. O casal Anaile Alves e Lucas Martins, por exemplo, tiveram de adiar a data do casamento. Planejado desde 2017, Anaile conta que a decisão de adiar foi tomada no dia 20 de março, após o banco onde trabalha anunciar medidas de restrição ao atendimento bancário. “Foi aí que percebemos a gravidade da situação, porque até então tudo que estava acontecendo parecia muito distante da nossa realidade aqui no Brasil”, diz. 

A noiva revelou que no começo chegou a sentir vergonha de falar com os convidados sobre a mudança de data, decidido após todos os detalhes da cerimônia, agendada para 2 de maio, estarem concluídos. “Mas hoje tenho certeza que foi a melhor decisão a ser tomada, pois não queremos que ninguém sofra, corra riscos”, afirma. Anaile conta que através da ajudo do cerimonial conseguiu transferir todos os fornecedores para uma data futura. “Não é fácil, mas foi uma benção conseguir reagendar com todos os fornecedores que tinham sido escolhidos pelo detalhe”, conta.

A solução encontrada pelo casal foi seguida por outros casais, o que fez com que muitos fornecedores de serviços para eventos ficassem com pouquíssimas datas para o segundo semestre deste ano. Esse é o caso do Spa de Beauté, que dispõe de apenas algumas datas na agenda para o Dia da Noiva. O serviço oferecido contempla salas privativas para até 20 convidadas.

A agenda de casamentos do primeiro semestre do ano foi atropelada pela pandemia da Covid-19, mas o segundo semestre promete ser bastante movimentado. “Estamos com a agenda praticamente lotada para outubro, novembro e dezembro”, diz a empresária Jéssica Pfaffzenzeller, que criou no Spa de Beauté uma estrutura completa e descomplicada para atendimento de noivas e suas convidadas no grande dia. Noivas práticas e descoladas têm feito uma espécie de “esquenta” para o casamento, com todos os serviços em um só lugar.

“Nós também percebemos que muitas noivas não estão conseguindo novas datas nos locais em que haviam agendado o Dia da Noiva. Muitas já investiram em vários itens da cerimônia e da festa e correm o risco de ter que adiar tudo para o ano que vem. Agora é hora de retomar os planos”, alerta Jéssica, que ainda está trabalhando com um desconto de 30% para os pacotes fechados agora.

No País todo
Uma pesquisa divulgada no final de maio pela plataforma digital Icasei mostra que, com a pandemia do novo coronavírus, o número de casamentos no Brasil teve uma queda acentuada. Segundo o levantamento, o número de cerimônias, após o dia 11 de março, registrou uma queda de até 61,2% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

De acordo com a pesquisa, 32% dos casais com casamento marcado para o período de quarentena disseram que não precisaram mudar a data ou que ainda estão aguardando para decidirem o que vão fazer; 61% responderam que adiaram o casamento; e 3%, cancelaram e ainda não têm planos para marcar uma nova data; 4% não informaram. As informações estavam em matéria da Agência Brasil do dias 24 de maio.

Mais de 100 cancelamentos

  • O decreto 4230 do governo do Estado do Paraná, assinado no dia 16/03/2020, suspendeu a realização de eventos de qualquer natureza, acima de 50 pessoas. Com esta decisão, muitos casais de noivos se viram obrigados a reagendar seus casamentos e a rever seus planos. De acordo com a Arquidiocese de Curitiba, entre os dias 16 e 26 de março, mais de 100 casamentos foram adiados ou cancelados na capital e região metropolitana.
  • Os casamentos ainda não têm previsão para retornar. Mas Darlene Medeiros, organizadora de eventos e diretora da ACESPR (Assessores e Cerimonialistas de Eventos Sociais do Paraná), já faz algumas apostas de como serão os casamentos pós-coronavírus: formatos menores. “Em um curto prazo, realizar pequenos eventos é a possibilidade que teremos. Os noivos terão que priorizar em sua lista aqueles convidados com os quais realmente tenham vínculo e laços mais estreitos. Serviços do buffet: por um tempo, será necessário rever as filas para se servir e o compartilhamento de talheres que ficam dispostos.
  • Casamentos ao ar livre: festas em ambientes abertos serão também uma maneira de driblar o vírus. O casamento ao ar livre vai ser ainda mais procurado.
    Será preciso se reinventar. Todos os profissionais do setor vão precisar se reorganizar para alinhar seu produto ou serviço a essa nova realidade. “Acompanhar o exemplo de outros países que já estão retomando suas atividades e se preparando para a retomada dos eventos vai ser um indicador das adaptações que precisaremos fazer por aqui”, aconselha Darlene.

Como proceder com diferentes situações:

Para ajudar os casais de noivos, Darlene Medeiros, organizadora de eventos e diretora da ACESPR (Assessores e Cerimonialistas de Eventos Sociais do Paraná), lançou uma consultoria online gratuita para quem teve seu casamento adiado. Veja algumas dicas.

Quem vai precisar adiar o casamento?

  • Até o momento, os eventos até julho já foram adiados por muitos casais e profissionais de eventos. “Acredito que durante o mês de junho, de acordo com relaxamento (ou não) do isolamento social, poderemos começar a avaliar se será necessário postergar os eventos de agosto e setembro. É algo que queremos muito que não aconteça, já que muitos eventos do primeiro semestre já foram remarcados para estes meses. E adiar uma segunda vez não é o ideal. Por isso, precisamos da cooperação da sociedade agora, auxiliando no isolamento para conter a propagação do vírus. Todos queremos voltar para nossas atividades o mais breve possível”, afirma a cerimonialista.
  • Para quem tem convidados de fora, Darlene alerta que a decisão do adiamento precisa ser avisada com antecedência. “Reservas de passagens e hospedagens precisarão ser revistas”, lembra.

Casamentos adiados: como proceder?

  • Caso o casamento precise ser adiado, Darlene conta que advogados e cerimonialistas, de forma geral, concordam que cobrar multa ou qualquer taxa para adiar (ou remarcar) um evento neste momento de pandemia não é satisfatório e pode provocar um stress ainda maior aos casais, que não contavam com essa despesa.
  • “Os adiamentos estão ocorrendo por conta da pandemia e do decreto do governo, uma medida que suspendeu a execução deles, e não por uma vontade própria ou capricho dos noivos. Uma situação que não era possível prever no início da organização de cada evento, já que em média os casais começam o planejamento com um ano de antecedência”, declara a cerimonialista.
  • O profissional mais indicado para intermediar toda essa situação do adiamento é o cerimonialista, que fará contato com o espaço do casamento, igreja e todos os fornecedores envolvidos. “É preciso fazer aditivos contratuais para que a nova data escolhida seja formalizada, dando segurança para todas as partes envolvidas na execução do evento em sua nova data”, constata Darlene.

Casamentos cancelados: o que fazer?

  • O ideal, se possível, é adiar ao invés de cancelar, como forma de não perder o investimento e esforços realizados. No entanto, se por algum motivo não houver outra alternativa, existe uma medida provisória que foi emitida ainda no mês abril, de número 948, que tem sido usada nos casos de adiamentos ou cancelamentos, segundo informa Darlene.
  • “Como o mercado de eventos é grande e muitos outros tipos de eventos que também precisaram ser adiados ou cancelados (culturais, entretenimento, shows, esportivos etc.) essa medida ainda está sendo reavaliada e provavelmente vai ter muitas alterações para atender todos os setores de eventos de forma adequada”, expõe Darlene.
  • A recomendação é que os noivos que decidam por cancelar conversem com seus fornecedores e busquem acordos, uma vez que muitos serviços são iniciados ou entregues antes mesmo da realização do casamento e não cabe devolução total do valor pago.
  • “Se uma noiva mandou fazer o vestido, com certeza ela já fez um briefing com o estilista (serviço), fez análise de tecidos, talvez ela tenha feito uma primeira prova, uma segunda ou o vestido está pronto. Em um caso como esse, devolver o valor total deixaria o fornecedor com prejuízo, já que o trabalho foi feito de alguma maneira. Negociar créditos com os fornecedores para usar em outro momento, com validade para o uso, é uma saída que pode atender os dois lados”, sugere Darlene.

Uma festa menor?

  • De acordo com a cerimonialista, o decreto 4230 não prevê qualquer restrição para eventos menores. “Porém, para a realização deles é preciso ter atenção aos protocolos de higiene já amplamente divulgados. Elopement e micro weddings serão uma alternativa.
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