Publicidade
Mães com medo

Pandemia de coronavírus faz quadruplicar procura por partos em casa em Curitiba

Com pandemia, grávidas optam por não sair de casa nem para o parto
Com pandemia, grávidas optam por não sair de casa nem para o parto (Foto: Luciana Zenti)

Em tempos de coronavírus, o medo tomou conta de todos, o que é até natural, afinal nunca ninguém dessa geração lidou com uma pandemia mundial, uma quarentena e tantos questionamentos sobre um vírus tão misterioso. Para as gestantes, tudo isso é dobrado e de repente o momento mais esperado da família toda fica cercado de dúvidas. A maior dúvida é sobre a segurança e as condições do parto nos hospitais e maternidades, tanto pelo medo de contaminação quanto pelas restrições impostas neste período, como a proibição de visitas. Por tudo isso, a procura por partos em casa aumentou nas últimas semanas em Curitiba. Mas é preciso que a gestante e a famílias cumpram alguns pré-requisitos.

Aline Adriana Calça, enfermeira obstetra e integrante do Grupo Quatro Apoios - parto domiciliar planejado, diz que procura por partos em casa em Curitiba aumentou até quatro vezes desde o início de março, quando a pandemia do coronavírus chegou ao Brasil. “ A gestação por si só nos traz a vulnerabilidade e diversos medos. Com a pandemia os medos aumentam, tudo está incerto. Percebemos que o maior medo é pelo fato de estarem restringindo a entrada de visitas e acompanhantes nas maternidades. Até mesmo restringindo a entrada de doulas e enfermeiras obstétricas, para diminuir a circulação de pessoas no ambiente”, explica Aline. “Nos entendemos o interesse e a preocupação de todas as famílias, mas ter um parto domiciliar não é uma simples escolha, existem critérios, responsabilidades tanto nossa quanto da família que nos escolheu. Estamos abertas a acolher essas famílias, conversar e explicar. Mas ao mesmo tempo tem a contrapartida da responsabilização de cada integrante para o nascimento em casa”.

Segundo ela, a família e a gestante precisam cumprir pelo menos quatro pré-requisitos para realizar o parto domiciliar: o desejo de vivenciar um parto natural e protagonizar seu próprio processo de parto, gestação de baixo risco ou risco habitual , gestação a termo entre 37 a 42 semanas e feto único e cefálico. O trabalho das doulas e das enfermeiras obstetras podem começar em qualquer fase da gestação, depende do desejo da família, mas para acompanhamento de parto em casa geralmente é iniciado com 32 semanas de gravidez, com consultas prè-natal quinzenais até 36 semanas, depois pelo menos uma vez a cada sete dias entre 36 41 semanas e a cada três dias entre 41 e 42 semanas de gestação.

A doula Tiffany Buchmann confirma que nas últimas semanas têm aumentado a procura por partos domiciliares por conta da pandemia mundial do Covid-19. “As famílias estão mais apreensivas, mas é preciso alertar que o parto domiciliar não é para todas, apenas para as gestantes de baixo risco”, explica Tiffany. A doula conta que todas as grávidas têm estado de alguma maneira tensas e o seu trabalho tem sido acalmá-las também: “Eu tento, mas não está um momento fácil para ninguém”.

O que a doula faz = A doula não faz nenhum procedimento médico. Ela dá apoio físico e emocional antes, durante e depois do parto. A ajuda pode vir por meio de palavras de encorajamento, abraços, massagens, um olhar ou uma dica para relaxar por meio da respiração, por exemplo.

“A ideia de passar por esse momento sozinha me fez mudar o plano de parto”

Bárbara Assis 28 anos, grávida de Olívia com parto previsto para 21 de abril, foi uma das gestantes que mudou o plano de parto por causa do coronavírus. “Na verdade já vinha seguindo a linha de parto humanizado mas a ideia era mesmo assim fazer o parto na maternidade. O que mudou foi o fato dessa situação com o coronavírus, onde as maternidades já estão travando a entrada de profissionais como doulas. Ouvi dizer que algumas nem acompanhantes estão deixando entrar na sala de parto. A ideia de ter que passar por esse momento sozinha fez eu começar a procurar por opções, e aí nos identificamos com o parto domiciliar. Além disso, o fato de estar em casa que é um lugar seguro, confortável e perto das pessoas que eu gosto”, conta Bárbara à reportagem do Bem Paraná.

Como ela já iria fazer um parto humanizado, já tinha uma doula. Com a mudança de planos, teve que contratar uma enfermeira obstetra, com quem tem encontros semanais para preparar o parto, desde a fisiologia do parto até como lidar com a dor. “Existe também uma lista de coisas que precisamos ter em casa em relação à estrutura, como toalhas, lençóis, fraldas, álcool, se optar por parto na água piscina plástica, essas coisas, mas nada absurdo”, explica Bárbara. “Estou mais tranquila em relação ao meu parto, em saber que as coisas vão acontecer conforme eu planejei. Sem ter a surpresa por exemplo de chegar na maternidade e meu acompanhante não for autorizado a entrar”. Ela confessa que quando para e pensa no que que vai acontecer sobre a pandemia dá muita insegurança, mas depois que achou a opção de parto domiciliar, está bem mais tranquila.

Decreto municipal garante direito a acompanhante

A Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba informa que o Decreto Municipal 450/2020, em seu artigo 7º, proíbe visitas hospitalares neste momento de pandemia da covid-19, para restringir riscos de contaminação e disseminação da doença. O mesmo dispositivo, no parágrafo 1º, porém, traz algumas ressalvas, assegurando o direito de acompanhantes de idosos, crianças, pacientes em estado terminal e demais casos previstos em lei.

O direito da gestante a um acompanhante durante o trabalho de parto e parto (seja cesárea ou parto normal) está assegurado pela Lei Federal nº 11.108, de 07 de abril de 2005. Assim, diante da atual situação de pandemia e seguindo orientações da Sociedade Brasileira de Pediatria, a maternidade deve avaliar as suas condições do seu ambiente a fim de garantir a segurança dos pacientes e profissionais principalmente em relação aos riscos de transmissão. Além disso, os serviços devem estabelecer protocolos de atendimento à gestante, o qual deve contemplar minimamente o pré-parto, parto/nascimento e pós-parto, incluindo nestes protocolos questões relativas ao acompanhante como paramentação e avaliação do estado de saúde. Neste momento, a restrição abarca visitas e demais profissionais como doulas e fotógrafos.

Publicidade

Plantão de Notícias

Mais notícias

DESTAQUES DOS EDITORES