Inovação

Paraná ocupa o terceiro lugar no ranking do uso da robótica em cirurgias

(Foto: Divulgação )

Se a laparoscopia é consagrada como um procedimento pouco invasivo, a cirurgia robótica é um passo à frente na evolução dessas intervenções. O Brasil ocupa a nona posição mundial no que se refere à capacidade instalada para operar. E o Paraná está em terceiro lugar na sua utilização, atrás apenas de São Paulo e Rio Grande do Sul.Cada vez mais utilizada pelo alto grau de segurança e conforto para o paciente, a técnica cresceu cerca de 500% nos últimos cinco anos.
O país iniciou o uso de robôs cirúrgicos em 2008, no Hospital Israelita Albert Einstein. Até 2020, já foram realizados mais de 40 mil procedimentos do gênero nas 75 plataformas robóticas instaladas nos sete estados que oferecem este tipo de cirurgia.

Mas a vantagem mais expressiva da cirurgia robótica sobre a laparoscópica é a sua precisão, explica o médico cirurgião Saturnino Neto, presidente do capítulo paranaense da Sociedade Brasileira de Cirurgia Minimamente Invasiva e Robótica (Sobracil). “Os instrumentos do robô realizam movimentos semelhantes aos da mão humana, com uma diferença: não há tremor, fadiga ou desvios involuntários”, explica o médico, que é especialista em cirurgia bariátrica para tratamento de obesidade.

Com garantia de menor risco e recuperação mais rápida para os pacientes, a cirurgia robótica é um procedimento minimamente invasivo que segue a mesma linha da cirurgia laparoscópica. A diferença entre as duas é que na laparoscopia os instrumentos cirúrgicos são manipulados pela mão do cirurgião e, na robótica, o cirurgião controla os braços do robô a distância, em um console, e sempre acompanhado por uma equipe.
“Os robôs são adequados para a realização de operações complexas, difíceis de serem realizadas por laparoscopia”, explica, lembrando que a técnica também assegura mais comodidade para o cirurgião, já que ele trabalha sentado e relaxado.
As especialidades médicas que mais se beneficiam da cirurgia robótica são urologia, ginecologia e aparelho digestivo.

Segurança
Muita gente, ao relacionar a robótica com a cirurgia, acredita que a máquina faz tudo sozinha. Mas a realidade é completamente diversa. Tudo é controlado, tanto pela equipe quanto pelo programa usado para a cirurgia. Por serem mais complexas, as cirurgias robóticas seguem também um protocolo de checagem de todos os itens de segurança a cada hora, aproximadamente.
“Qualquer movimento realizado pelo robô foi feito pelo cirurgião no console. Muito segura, diante de ações imprevistas, a tecnologia robótica aciona um comando de segurança que trava provisoriamente a máquina, evitando danos ao paciente. Se o médico tirar o rosto da tela de controle, por exemplo, o robô também para automaticamente”, reforça Saturnino Neto, que fez especialização na área no Instituto Falke. “Mas a técnica nos desperta interesse desde 2013, quando fomos conhecê-la na Coréia do Sul”, conta.

Panorama
A Região Sudeste concentra o maior número de cirurgias e aparelhos, especialmente São Paulo, seguido pelo Rio Grande do Sul, Paraná, Brasília, Pará, Ceará e Pernambuco. Apesar da expansão da cirurgia robótica em território brasileiro, os altos custos do equipamento ainda são o maior obstáculo para que esse tipo de procedimento chegue à rede pública.
Cada robô custa cerca de R$12 milhões e pesa mais de 500 quilos, necessitando de um amplo espaço dedicado somente a ele no hospital. Apenas cinco hospitais públicos possuem essa tecnologia, em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Rio Grande Sul.
Um outro desafio para a popularização da cirurgia robótica no país é a cobertura dos planos de saúde, já que em sua grande maioria os convênios não cobrem cirurgias robóticas. Recentemente, os planos passaram a cobrir alguns procedimentos, total ou parcialmente, em razão das vantagens da tecnologia que acabam compensando o alto custo.

Como é feita
Antes de assumir o controle de um robô, o profissional precisa passar por treinamento em um simulador. Faz isso repetidamente, até ganhar confiança e experiência. Há vários mecanismos de segurança, a fim de evitar acidentes. O cirurgião opera de dentro de uma cabine, que conta com dois controles manuais, dois painéis auxiliares e cinco pedais. Tudo que a câmera capta é exibido em 3D na tela, que amplia as imagens de 10 a 15 vezes, garantindo uma amplitude de visão para que a cirurgia seja realizada.
Os pedais comandam diversas funções, como a definição da intensidade do pulso elétrico emitido, o que evita que o sangue coagule, por exemplo. Controlados eletronicamente, os braços e uma peça para o polegar e o indicador simulam o abrir e fechar das pinças.
Um programa de inteligência artificial filtra tremores indesejados (e naturais) das mãos do médico, garantindo cortes precisos, que seriam impossíveis de fazer manualmente.

Vantagens do procedimento

Em relação à cirurgia convencional (aberta):
● Menos invasiva/cortes menores.
● Reduz sangramentos, dores e risco de infecção.
● Recuperação mais rápida do paciente.
● Menor tempo de internação.
Em relação à cirurgia laparoscópica:
● Mais precisão nas cirurgias em locais de difícil acesso, como nas regiões de pelve, diafragma e saída do esôfago.
● Melhor ergonomia. O cirurgião fica sentado em posição confortável, o que ajuda nas cirurgias longas.
● Mais intuitivo. O robô reproduz movimentos similares aos do cirurgião. Na laparoscopia convencional, o mecanismo de movimentação dos instrumentos cirúrgicos é inverso. O cirurgião movimenta os dedos para a esquerda e a pinça se move para a direita.
● Visão tridimensional para os cirurgiões