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apropriação cultural

Parece a sandália da feira de Caruaru, mas não é

(Foto: Fotos: Reprodução/Pinterest)

Apropriação cultural é tema espinhoso, inclusive na moda, onde tudo caminha de um jeito mais informal, como se a inspiração fosse livre, leve e sem selo de origem. Na semana passada, foi a vez da italiana Prada lançar uma linha de PreFall 2020 com bolsas e sandálias em couro trançado, iguaizinhas àquelas lá da feira de Caruaru. Não pelo preço, claro: a sandália da feira não passa dos R$ 50, enquanto que a italiana sai por R$ 4,4 mil. O detalhe é que ninguém citou a dita referência às sandálias originais. E é aí que mora a confusão.

O conceito de apropriação cultural é caracterizado pela dominação de uma cultura majoritária sobre uma minoritária, que sofreu repressão e preconceito, como o caso do uso de turbantes característicos da cultura afro, dos cocares indígenas ou mesmo das sandálias nordestinas. Em outras palavras é ganhar dinheiro ao adotar ou comercializar um item, que está inserido em um contexto cultural e regional, sem dar nenhum crédito, beneficiar ou valorizar os artesãos ou quem criou a dita peça.

Quase sempre as marcas poderosas que cometem o ato não o assumem. Mas em 2017 aconteceu um negócio muito legal, depois que a Dior criou coleção de coletes e casacos superbordados, coloridos, saídos das vestes tradicionais de Bihor, na Romênia, no Leste Europeu. As artesãs de lá se reuniram e criaram uma campanha mostrando o RG das peças, como eram feitas e o quanto custavam sem a etiqueta famosa. O resultado é que o BihorCouture cresceu, apareceu e viu suas vendas on-line dispararem depois da fase #BihorNotDior.

Diante de exemplos tão evidentes, fica fácil identificar a apropriação indevida e reagir a ela. Mas e quando isso não é tão claro? Ou quando a gente já se acostumou a ver o tema pasteurizado pela industria? Lembre-se disso ao vestir uma roupa de fast fashion com estampa “inspired” na cultura afro ou indígena. Além do desrespeito aos direitos autorais sobre esse material, existe embutido um atentado à identidade cultural desses povos. Vale ler, se informar, respeitar e não brincar com papo sério.

A Prada lançou uma linha de sandálias de couro trançado que causou rebuliço nas redes sociais. Enquanto as italianas custam R$ 4,4 mil, as sandálias de couro nordestinas não passam dos R$ 50

#BihorNotDior foi uma campanha divertida criada pelas artesãs romenas, que escancararam a apropriação cultural no mundo da moda

Quer usar roupas e acessórios inspirados na cultura africana? Vá atrás de marcas que fazem a referência correta e beneficiam comunidades dos artesãos e criadores. A diaspora009 é uma das integrantes da plataforma de novos talentos do Veste Rio 

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