Violência

Insegurança toma de assalto os parques de Curitiba

O que era para ser um momento de descontração e diversão torna-se cada vez mais motivo de apreensão por conta da insegurança nos parques de Curitiba. No ano passado, por exemplo, foram registradas 1.235 ocorrências nos parques da Capital, sendo roubo, furto, vandalismo e perturbação do sossego algumas das situações mais comuns.

Comparando-se os dados de 2014 com os números de meados da década da passada, nota-se que houve um grande salto na insegurança nos 17 parques de Curitiba, que deveriam servir para a prática esportiva e a diversão em família, mas acabam se tornando ponto de encontro para usuários de drogas e criminosos. Em 2006, por exemplo, foram 86 ocorrências policiais. No ano seguinte, o número já havia saltado para 155. Com os dados de 2014, temos um aumento de 1.336% nas ocorrências em oito anos.

Segundo o diretor da Guarda Municipal, inspetor Frederico de Carvalho, o problema mais comum nos parques envolvem perturbação de sossego. No ano passado foram 363 casos, quase um por dia. Os casos de furtos (23 ocorrências) e roubos (56) podem ser menores em quantidade, mas preocupam.

Notamos que no período da noite temos mais ocorrências relacionadas à aglomeração de pessoas. São brigas, poluição sonora, tráfico de drogas. Já no período diurno, até pelo fato de as pessoas saírem para caminhar, é maior a possibilidade de que ocorram furtos quando há ausência de patrulhamento. Não é algo frequente, mas acaba tendo, comenta o inspetor. Com o verão, porém notamos que há uma alteração, uma migração de horários. No Passaúna e no Parque Náutico, por exemplo, já acontecem reclamações no péríodo diurno. Os dias com menos ocorrência são os de chuva, complementa.

Medo faz o esporte ficar de lado
Há quatro anos, Andre Luiz Raittz pratica o triathlon e treina no Parque Barigui com sua equipe, a WebTreino. Atualmente se preparando para disputar o Campeonato Brasileiro em João Pessoa, na Paraíba, ele tomou um baita de um susto na última quarta-feira, quando foi vítima de uma tentativa de assalto à mão armada. Era por volta de 17h30 e eu estava terminando um treino. Estava chovendo. O parque não estava vazio, mas também não tinha muita gente. Uns 20 metros a minha frente tinha dois guris. Eles estavam sentados em um banco onde direto tem gente fumando maconha, mas que geralmente são inofensivos. Quando eu e um amigo chegamos perto, eles saltaram do banco, um deles sacou a arma e já veio gritando ‘perdeu, perdeu, perdeu’, conta.

Assustado com a abordagem, Andre e o colega se viraram e começaram a correr. Foi no impulso que viramos e saímos correndo. Mas quando o cara viu a gente se virando, fez quatro disparos. Não sei se a arma era de brinquedo, se ela falhou ou se ele só errou, mas ele fez uma série de disparos na nossa direção e saíram gritando uns negócios para gente, ameaçando. O rapaz que estava correndo comigo até falou que ia parar com isso de corrida, recorda.

Além da situação, causou espanto a Andre o horário em que os criminosos atuaram. O parque sempre foi perigoso, mas pelo menos você tinha um horário, sabia que depois das 20h30 era perigoso. Mas cinco horas da tarde. Eu não esperava, conta o triatleta, que agora cogita se arriscar nas ruas e canaletas de Curitiba para não ter de encarar a insegurança nos parques.

Cronologia
Os campeões de insegurança
(por ocorrência em 2014)

408 Parque Barigui
141 Parque Bacacheri
135 Parque Tanguá
105 Parque Tingui
95 Parque Náutico
93 Parque São Lourenço
93 Parque Cambuí

Ocorrências com maior incidência
363 Perturbação do sossego
104 Abordagem
93 Apoio ao cidadão (orientação)
79 Uso de substância ilícita
56 Roubo
45 Atitude suspeita
23 Furto
23 Vandalismo
20 Desordem