Publicidade
TUSCA A TODA

Paulo Marcelo e o sapo que alegrou o trapalhão Zacarias

Paulo Marcelo anda sempre pelo Uberaba
Paulo Marcelo anda sempre pelo Uberaba (Foto: Paulo Buiar/divulgação.)

Milhões de brasileiros riram com Renato Aragão, Dedé Santana, Mussum e Zacarias entre os anos 1970 e 1990. Dos tempos do clássico quarteto Os Trapalhões, consagrado na televisão e no cinema, um paranaense guardou a glória de fazer rir um dos humoristas: o cantor Paulo Marcelo, de “O Sapo Pulou”, canção gravada pelo mineiro Zacarias.

Mauro Gonçalves, o Zacarias, não era músico (ao contrário de Mussum, antes conhecido como Carlinhos do Reco-Reco, do grupo Originais do Samba). Porém, topou o convite da Polygram para gravar discos. E, por um belo acaso, pulou para um disco o sapo de um paranaense de São José dos Pinhais, que já era sucesso nos auditórios de Mário Vendramel, Leonel Rocha e Ari Soares na televisão curitibana.

Em um dia qualquer de 1982, enquanto se preparava para uma apresentação d’Os Trapalhões em Curitiba, Zacarias ouviu no rádio a parceria de Paulo Marcelo com Vera Kayser, a Veka, uma música iniciada com o som de um coreto de praça do interior, sugestão do músico Cianorte, da dupla sertaneja Iguaçu e Cianorte: “O sapo pulou/Foi morar no ribeirão/A garota que eu adoro/Mora no meu coração/O sapo pulou/Rio abaixo ele desceu/A menina que eu amo/Foi cair nos braços meus/Eu dei um beijinho nela/E senti o seu calor/Você agora está presa na corrente do amor”.

Depois do encanto de Zacarias com o sabor ingênuo-infantil da canção, o produtor Mutalambô, da Polygram, convocou músicos de primeiro time. Rick Ferreira, guitarrista que acompanhou Erasmo Carlos por três décadas, entrou com o banjo e o estúdio Transamérica, no Rio de Janeiro, ainda recebeu Chiquinho do Acordeon e Wilson das Neves, o baterista preferido de Chico Buarque. Mutalambô trocou o título para “Na Corrente dos Meus Braços”, mas nas rádios de Curitiba o povo continuou pedindo “O Sapo Pulou” e a voz de Paulo Marcelo.

A música fez Paulo Marcelo, convidado por Zacarias, abrir sessões do quarteto em um ginásio de Itabaiana, cidade sergipana. “O Zacarias brincava dizendo para o Renato Aragão que não faria o show se eu não cantasse”, conta Paulo Marcelo, que ouviu do mesmo trapalhão a sugestão de ir para o Rio de Janeiro: “Ele me disse para tentar a Som Livre (gravadora do Grupo Globo), mas eu já me sentia feliz por ser reconhecido aqui em Curitiba, pelo Zacarias cantar a minha música, de estar com Os Trapalhões. Eu não tinha um empresário, alguém para me ajudar na carreira”. E será que o hoje representante comercial da Pavão Plásticos se arrepende? “Eu poderia ter saído do Paraná e não ter acontecido nacionalmente, ter me perdido. Eu me achava meio do mato, sabe? Trabalhando com vendas, sou bem recebido em todos os lugares aqui em Curitiba. Sou feliz assim!”.

É fácil encontrar Paulo Marcelo no Uberaba, tocando sanfona e festejando com os filhos Paulo Buiar e Taciano Bispo a simplicidade que contagiou Zacarias e também a sobrinha de uma fã do cantor. “Minha tia, que era muito fã, veio de Telêmaco Borba para ver o Paulo na TV Iguaçu. Eu nem sabia quem era o tal do Paulo Marcelo... Mas veja como é a vida! Estamos juntos já quarenta anos!”, diz a bem humorada Maria de Lourdes, esposa do “tal do Paulo Marcelo”.

O cantor do sapo descia do ônibus Mercês-Guanabara, encontrava as crianças que o acompanhavam no palco (as Pauletinhas), divertia o lotado auditório da TV Iguaçu e, como bom vendedor desde sempre, vendia os discos dele e dos amigos na televisão e na Calçados Aurora, no centro da cidade. “Eu falava que o Dirceu Graeser fez uma música chamada ‘O Pássaro’ porque ficou com inveja do sucesso do sapo. Tudo como brincadeira! E o público levava o meu disco e também o Dirceu. Era muito bacana!”, lembra.

Depois de se mudar para o ribeirão, este sapo rendeu muita história. Para Maria de Lourdes, sobrinha daquela fã de Telêmaco Borba, o sapo valeu até um príncipe...

Publicidade

Plantão de Notícias

Mais notícias

DESTAQUES DOS EDITORES