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Estiagem e pandemia

Pedidos para poços artesianos aumentam 372% em Curitiba

Perfuração de poços artesianos necessita de autorização oficial
Perfuração de poços artesianos necessita de autorização oficial (Foto: Franklin de Freitas)

O longo período de estiagem no Paraná está entre os motivos para o aumento de pedidos para a perfuração de poços artesianos no Estado. E não foi uma alta qualquer. De janeiro a maio deste ano foram 1.049 pedidos de Anotações de Responsabilidade Técnica (ARTs) emitidos pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR). No mesmo período de 2019 foram 389. Portanto, o crescimento foi de 170%. Em Curitiba, o crescimento foi ainda maior — de 22 pedidos para 104 pedidos (372% a mais), também no comparativo de janeiro a maio. 

Os dados são do Crea-PR, que aponta que entre as razões para a alta estão uma combinação de fatores, como a previsão de estiagem no início deste ano, a facilidade e agilidade nos pedidos de outorga com a implantação do e-protocolo, o programa Água no Campo, do governo estadual, entre outras situações.
A ART identifica de forma legal, objetiva e rastreável, que a obra foi planejada e executada por um ou mais profissionais legalmente habilitados pelo Sistema Confea/Crea, e que cabe exclusivamente a este, ou a estes profissionais a responsabilidade técnica pela obra ou serviço realizado. Os trabalhos, em geral, acontecem em indústrias, na agricultura ou em condomínios.

O Paraná vive sua pior estiagem em décadas. Ela teve início ainda entre os meses de junho e julho do ano passado e foi se agravando. Desde então, com a média de chuva em praticamente todas as regiões do Estado ficando abaixo das marcas históricas.
Regiões como a Oeste e a Grande Curitiba, inclusive, passam por racionamento de água com o rodízio no abasecimento desde março deste ano. A situação só deve ter melhora a partir de setembro.

Exploração sem controle pode causar problemas sérios, alerta geólogo
Mas a demanda por poços artesianso desde o início de 2020 foi tão grande que o tema começa a preocupar especialistas, como o coordenador da Câmara Especializada de Engenharia Química, Geologia e Minas do Crea-PR, o geólogo Abdelmajid Hach Hach.

“Quando se explora um aqüífero sem a técnica adequado, há um grande risco de subsidência, ou seja, de o solo começar a afundar. A tensão neutra, exercida pelo recurso hídrico preenche os vazios no solo e, se a extração for feita sem controle, sem que o tempo de recarga de água seja respeitado, podemos rebaixar o lençol freático, criar cones de interferência e afundar o solo”, avisa.

Hach lembra de um episódio em Rio Branco do Sul, no início dos anos 2000, quando houve retirada sem os devidos cuidados e o terreno cedeu, provocando rachaduras nas casas. Parte da Região Metropolitana de Curitiba fica sobre o Aquífero Karst, e situações como esta acontecem naturalmente por causa da formação de dolinas.

Normas
Segundo Hach, a situação deve ser ajustada em breve por uma nova instrução normativa. “O Crea-PR está acompanhando o desenvolvimento desse cenário e sabemos que teremos novidades. O governo do Estado está vigilante e logo deverá criar parâmetros para que proprietários de poços artesianos possam ter controle e acompanhamento maiores em relação à quantidade, vazão e o tipo de água que estão utilizando”, explica.

Atualmente, todos os poços artesianos devem ser averbados no Instituto das Águas do Paraná para que seus proprietários possam ter direito de uso do recurso — a outorga. Também é obrigatória a realização de análises químicas da água consumida no poço.

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