Pela primeira vez, Prêmio Pritzker terá integrante brasileiro no júri

RAUL JUSTE LORES MADRI, ESPANHA (FOLHAPRESS) - O embaixador do Brasil no Japão, o carioca André Correa do Lago, 57, é o primeiro brasileiro a integrar o júri do prêmio Pritzker, considerado o Nobel da Arquitetura. O anúncio foi feito na noite deste sábado (20) de Tóquio, onde o escritório espanhol RCR recebeu o prêmio deste ano. Formado em Economia pela UFRJ e diplomata de carreira desde 1983, Correa do Lago foi curador do pavilhão do Brasil na Bienal de Arquitetura de Veneza em 2014, e membro do Comitê de Arquitetura do MoMa, o Museu de Arte Moderna de Nova York, entre 2005 e 2016. Escreveu vários livros de arquitetura, entre eles "Ainda moderno? - arquitetura brasileira contemporânea" (Nova Fronteira, 2005), com Lauro Cavalcanti, e "Oscar Niemeyer, uma arquitetura da sedução" (Bei, 2009). Seu último livro, publicado no Japão, é sobre a casa que Paulo Mendes da Rocha fez para si, no Butantã, editado pela GA, em Tóquio. À reportagem, pouco antes do anúncio oficial, Correa do Lago, notório apaixonado por arquitetura, se disse muito feliz com o convite. Acha que o comitê deve ter levado em conta sua experiência com desenvolvimento sustentável e mudança climática (ele foi o negociador-chefe do Brasil, entre 2011 e 2013, inclusive para a conferência Rio+20). "A dimensão desses temas é cada vez mais importante, e a boa arquitetura é um fenômeno global", diz. O Pritzker é decidido anualmente por oito jurados, um mix de arquitetos famosos, grandes empresários e críticos de arquitetura. Já foram integrantes desse clube de Giovanni Agnelli, ex-presidente da Fiat, a Ratan Tata, ex-presidente do grande conglomerado indiano; e arquitetos como Frank Gehry, Norman Foster e Richard Rogers. Philip Johnson, o primeiro profissional premiado com o Pritzker, em 1979, foi jurado por seis anos. O premiado recebe uma medalha e US$ 100 mil, da família Pritzker, dona do conglomerado Hyatt, com sede em Chicago. Dois brasileiros já receberam a distinção: Oscar Niemeyer, em 1988, e Paulo Mendes da Rocha, em 2006.