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Transportes

Pesquisa aponta que 57% dos trechos de rodovia no Paraná apresentam problemas

Entre 2017 e 2018, avaliação das estradas estaduais e federais paranaenses apresentou leve melhora
Pesquisa aponta que 57% dos trechos de rodovia no Paraná apresentam problemas
(Foto: Foto: Divulgação/ANPr)

Os trechos de rodovia do Paraná (tanto estaduais e federais como concedidas e públicas) apresentaram uma leve melhora em 2018, mas a maior parte das estradas apresentam problemas. É o que revela a 22ª edição da Pesquisa CNT de Rodovias, divulgada ontem pela Confederação Nacional do Transporte (CNT).
Na edição deste ano, foram avaliados 6.330 quilômetros  de estradas do Paraná, dos quais 56,56% apresentavam problemas (classificação regular, ruim ou péssima, com índices de 34,9%, 17,8% e 3,8%, respectivamente). No ano passado, esse mesmo estudo apontavam um percentual de 59,9% dos trechos com problemas (a classificação “regular” somava 35,5%, a “ruim”, 20,8%, e a “péssima”, 3,6%).
A leve melhora nos resultados se deve, principalmente, aos avanços com relação à sinalização – o que inclui placas de limite de velocidade, faixas centrais, laterais e defensas – elementos inseridos nas vias com a finalidade de reduzir o impacto de possíveis colisões. Neste ano, o percentual da extensão das rodovias com sinalização ótima ou boa foi de 53,7%, enquanto no ano passado havia sido de 42,1%. A melhora, de 11,6 pontos percentuais, pode ser explicada pelos avanços nos programas dedicados à adequação da sinalização, sobretudo em rodovias federais, aponta a CNT.
Por outro lado, as condições de geometria da via e do pavimento preocupam. Com relação à primeira característica, o estudo revela que 77,3% dos trechos de rodovia que cortam o Paraná são deficitárias nesse aspecto (acima da média do país, de 75,7%). O valor é um pouco melhor do que o verificado no ano passado (77,6%), mas a extensão considerada ótima teve queda (de 5,1% para 4,7%).
Já com relação ao pavimento, ele é deficiente em 53% da extensão (também acima da média nacional, de 50,9%). Na comparação com o ano passado, inclusive, houve uma considerável deterioração – em 2017, 49,5% das estradas eram consideradas regulares, ruins ou péssimas.

Discrepância entre estradas concedidas e estradas públicas
Outro dado que chama a atenção na pesquisa da CNT é o abismo que existe entre as extensões concedidas e as extensões públicas das rovodias paranaenses, que somam, respectivamente, 2.861 e 3.469 quilômetros. Entre os trechos que estão nas mãos de concessionárias, 69,6% são considerados bons ou ótimos (em 2017, o percentual era de 64,2%). Já entre as estradas controladas pelo Estado ou pela União, o percentual despenca para 21,9% (era 20,5% no ano passado).
A discrepância também se apresenta quando analisados os dados sobre as estradas federais (4.023 quilômetros) e as estradas estaduais (2.307 quilômetros). Enquanto no âmbito federal 54,4% dos trechos são considerados bons ou ótimos, entre as estradas na mão do governo estadual esse percentual cai para 24,3%. A boa notícia, por outro lado, é que as estradas estaduais tiveram significativa melhora: em 2017, apenas 18,4% da extensão era considerada adequada (entre as federais, o percentual era de 53,3% há um ano).

Brasil gasta mais com acidentes do que com infraestrutura
Desde 2014, ainda segundo o estudo da CNT, os investimentos públicos federais nas rodovias tiveram uma queda drástica. Em 2011, o montante chegou a R$ 11,2 bilhões. Em 2016, retrocedeu ao nível de 2008, caindo para R$ 8,61 bilhões. Atualmente, para se ter ideia do cenário, o governo gasta mais com o custo de acidentes de transporte (R$ 10,8 bilhões em 2017) do que com intervenções de infraestrutura rodoviária (que somaram R$ 8,31 bilhões no ano passado).
Na avaliação do presidente da CNT, Clésio Andrade, os resultados destacam a importância da participação privada para a construção e manutenção das rodovias brasileiras. César Borges, presidente da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) concorda, apontando que desde 1995 já foram investidos R$ 97 bilhões em melhorias e manutenção das rodovias, sendo R$ 6,8 bilhões em 2017.
No Paraná, contudo, as concessionárias estão “no olho do furacão”. No final de setembro, 19 pessoas foram presas na 55ª fase da Operação Lava Jato, que investiga justamente o pedágio no Paraná, mais especificamente os casos de corrupção ligados aos procedimentos de concessão de rodovias no Estado que fazem parte do Anel de Integração. Além de Pepe Richa, irmão do ex-governador Beto Richa e ex-secretário de Infraestrutura e Logística, diretores de empresas de pedágio também tiveram pedidos de prisão expedidos na ocasião.

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