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Limpeza do ar

Pesquisadores da UTFPR desenvolvem coletor de gotículas de saliva para ambientes fechados

(Foto: Secom/UTFPR)

Em tempo de pandemia, muito se fala da transmissão do novo Coronavírus através do contato com superfícies contaminadas, por isso a necessidade de se higienizar bem as mãos. Porém, antes de chegar às superfícies, os vírus viajam pelo ar através das gotículas de saliva, tosse ou espirro provenientes de pessoas infectadas e, durante este percurso, outras pessoas podem ser contaminadas ao inalarem essas gotículas. Então, já imaginou um aparelho que conseguisse remover as gotículas do ar no menor tempo possível antes que outras pessoas as inalassem? Esta é a realidade de um projeto desenvolvido no Campus Curitiba. Trata-se de um aparelho de filtragem eletrostática associada a um sistema de exposição de luz ultravioleta para inativação dos patógenos (vírus, fungos e bactérias que possam causar doenças). Sua principal aplicação seria em ambientes fechados com grande circulação de pessoas, como supermercados, shoppings, academias, por exemplo.

Segundo o coordenador do projeto, professor Fernando Castaldo, o equipamento promove a circulação do ar ambiente sugando as gotículas para o interior do aparelho. Elas recebem uma descarga elétrica, tornando-se eletricamente carregadas. Pelo princípio da ação eletrostática, as mesmas são retidas nas estruturas internas e iluminadas com luz UV germicida. O ar purificado passa por um filtro de carvão ativado para eliminar o ozônio residual gerado internamente, antes de ser devolvido ao ambiente. O ciclo é contínuo e o equipamento protege o ambiente à medida que o ar vai sendo filtrado.

O projeto foi desenvolvido no Laboratório de Fabricação Eletrônica (Efab) do Departamento de Eletrônica (Daeln) da UTFPR e, além do professor Fernando Castaldo, conta com a participação do pesquisador Gabriel Kovalhuk, dos alunos Bruno Cruz, Leonardo Furini, Tobias Salazar, Ygor Vasco, e com o apoio dos professores Tania Monteiro, Luciane Agnoleti e Daniel Pigato.

Segundo o professor Castaldo, o projeto foi idealizado a partir de uma pesquisa realizada na Universidade de Toho, no Japão, que demonstra a persistência dos perdigotos (gotículas de saliva infectadas) no ar por longos períodos de tempo. O equipamento desenvolvido pelos pesquisadores possui um diferencial construtivo que permite a produção em escala a um custo atrativo e não requer linhas de montagens especializadas. “O equipamento que desenvolvemos foi pensado para ser rapidamente produzido em escala pelo parque industrial existente, como a indústria que processa chapas metálicas e afins. Penso que esta demanda poderia ser atendida pelos pequenos empreendimentos do setor de calhas. A eletrônica requerida, pode ser terceirizada. Quanto à instalação, basta pendurá-lo e ligá-lo na tomada”, explica.

Os testes que comprovam a eficácia do equipamento fizeram uso de uma solução de soro fisiológico e luminol (que permite a observação com luz ultravioleta) para simular as micro gotículas de saliva provenientes do espirro de uma pessoa. Constatou-se a grande capacidade de dispersão delas por todo o ambiente podendo permanecer por horas em suspensão no ar, conforme estudos da universidade de Toho. Com o coletor eletrostático ligado, as mesmas foram eliminadas de um ambiente de 30m² em cerca de 50 minutos. Também foi realizado o teste com névoa de água e glicerina. A névoa produzida é mais densa e as gotículas mais pesadas, permitindo avaliar a eficiência do coletor de forma global. “Nesse caso, o teste é bem simples: satura-se o ambiente com a névoa e mede-se o tempo para o coletor limpar o ar. A média foi de 40 minutos para a sala de 30m²”, completa. Outra vantagem, segundo o coordenador do projeto, é que, diferentemente de outros sistemas de descontaminação, o coletor pode operar com as pessoas presentes no local.

O projeto é um dos contemplados pela UTFPR no edital de apoio as ações de combate à Covid-19 e receberá o investimento de R$ 14 mil. O projeto está em fase final de prototipagem, devendo ainda passar pela homologação dos órgãos reguladores, como o INMETRO. Segundo o pesquisador, a instituição já busca parcerias para licenciar o uso comercial do equipamento, cujo custo estimado final deverá ficar abaixo de R$ 1 mil por unidade.

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