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Pesquisas mostram eleições indefinidas em São Paulo e Rio de Janeiro

A disputa pelos governos de São Paulo e Rio de Janeiro, dois dos principais estados do Brasil, estão em aberto na véspera do segundo turno das eleições 2018. É o que revelam as pesquisas do Datafolha divulgadas neste sábado (27 de outubro), as quais indicam empate técnico entre Eduardo Paes (DEM-RJ) e Wilson Witzel (PSC-RJ) e João Doria (PSDB-SP) e Márcio França (PSB-SP). 

Por outro lado, em Minas Gerais, Pará e no Distrito Federal, o cenário eleitoral já parece praticamente definido ou pelo menos muito bem encaminhado, com Romeu Zema (NOVO-MG), Ibaneis Rocha (MDB-DF) e Helder Barbalho (MDB-PA) despontando como favoritos.

Abaixo, você confere informações mais detalhadas sobre cada uma das pesquisas divulgadas neste sábado.

SÃO PAULO

Na véspera do segundo turno para governador de São Paulo, Márcio França (PSB) e João Doria (PSDB) estão tecnicamente empatados, com o socialista numericamente à frente pela primeira vez, com 51% dos votos válidos, ante 49% do tucano.

Segundo a pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (27), é a primeira vez que há empate técnico entre os dois. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%.

Nessa situação, de acordo com o instituto, não é possível afirmar qual candidato será o vencedor neste domingo (28). Para a contabilidade dos votos válidos são excluídos os votos em branco ou nulos e os indecisos -é assim que a Justiça Eleitoral contabiliza e divulga o resultado oficial.

As entrevistas foram feitas nesta sexta-feira (26) e sábado (27). Foram ouvidas 5.093 pessoas em 73 municípios para a sondagem, registrada na Justiça Eleitoral com o código SP-03417/2018. Os contratantes da pesquisa foram a Folha de S. Paulo e a TV Globo.

França, que tenta a reeleição, confirmou no levantamento a tendência de crescimento das últimas semanas. O atual governador tinha 48% dos votos válidos na pesquisa de quinta-feira (25), ante 52% de Doria. Na da semana anterior, o postulante do PSB acumulava 47%, enquanto o do PSDB somava 53%.

No levantamento deste sábado, a taxa de indecisos é de 7%, e o percentual de eleitores que pretendem votar em branco ou anular soma 9%. Essas duas faixas do eleitorado, na avaliação do instituto, contribuem para deixar o resultado final em aberto, já que parte dessas pessoas deve optar por um dos dois candidatos.

Na contabilidade do total de votos, também há empate técnico -o nome do PSB possui 43% e o do PSDB obtém 42%.

A associação com o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) continuou surtindo efeito na campanha do tucano, que estimulou abertamente desde o dia do primeiro turno a dobradinha "BolsoDoria". Doria é o favorito entre os eleitores do capitão reformado no estado: 72% declararam voto no ex-prefeito, ante 28% que escolhem França.

O candidato do PSB também buscou uma aproximação, mais velada, com a candidatura de Bolsonaro. França obteve o apoio do senador eleito Major Olímpio (PSL-SP), coordenador da campanha do presidenciável no estado e um dos principais aliados dele.

França é o preferido entre os eleitores paulistas que votam em Fernando Haddad (PT). Dos que apoiam o petista na corrida ao Planalto, 86% escolhem o candidato do PSB para o Palácio dos Bandeirantes. Os outros 14% optam por Doria.

Acirrada desde o primeiro momento, a campanha em São Paulo no segundo turno teve uma subida de tom na reta final, com troca de acusações e bate-boca nos debates de televisão.

O ex-prefeito da capital usou inflamada retórica antipetista, buscando colar em França a pecha de aliado do PT, socialista e esquerdista. O atual governador, também seguindo a linha adotada no primeiro turno, se esforçou para qualificar o tucano como alguém que não honra sua palavra.

De acordo com a pesquisa, 38% dos eleitores assistiram ao debate da Globo, o último antes da votação, na noite de quinta-feira (25). No programa, os dois candidatos retomaram os ataques mútuos, depois de um encontro morno no evento promovido por Folha, UOL e SBT, na terça (23).

Quando questionados sobre qual candidato se saiu melhor no confronto da Globo, 44% dos entrevistados não souberam informar, 27% disseram que França foi o melhor, 23% responderam que foi Doria e 6% consideraram que houve empate.

Entre os que assistiram ao debate, 45% avaliaram que o político do PSB teve desempenho superior e 38% acharam que o melhor foi o postulante do PSDB.

Doria foi o candidato mais votado no primeiro turno, com 32% dos votos válidos, ante 22% de França, e durante quase toda a disputa do segundo turno liderou de forma isolada. Nos últimos dias, porém, a intenção de voto no tucano vem oscilando para baixo.

Em comparação com a pesquisa anterior, o ex-prefeito perdeu votos principalmente entre os mais jovens (queda de 47% para 41%), entre os menos instruídos (de 56% para 47%), entre os moradores da região metropolitana (de 55% para 46%) e entre os habitantes de cidades com até 50 mil habitantes (de 64% para 54%).

RIO DE JANEIRO

A distância entre as intenções de voto do ex-juiz Wilson Witzel (PSC) e do ex-prefeito Eduardo Paes (DEM) atingiu seu menor nível na véspera da eleição e está em seis pontos percentuais, de acordo com pesquisa divulgada neste sábado (27) pelo Datafolha.

O candidato do PSC permanece na liderança, com 53% das intenções de votos válidos, ante 47% do adversário. A diferença entre os dois era de 22 pontos percentuais há nove dias, tendo recuado para 12 há dois dias, chegado agora a seis.

O movimento indica, para o Datafolha, uma indefinição da disputa, já que a tendência de Witzel vem sendo de queda, enquanto Paes avança.

As intenções de votos válidos desconsideram os eleitores que declararam voto branco, nulo ou indecisão. Em relação aos votos totais, o levantamento mostra que 44% opta por Witzel (eram 47% da pesquisa anterior), 40%, Paes (contra 37% há dois dias), 9%, branco ou nulo, e 7% afirmam estar indecisos.

A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, o que deixa Paes e Witzel no limite de um empate técnico. O ex-juiz, contudo, tem maior probabilidade de estar na frente.

O Datafolha entrevistou 3.008 eleitores entre sexta-feira (26) e sábado. A pesquisa foi registrada sob o número RJ-08582/2018 no Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro.

Os dados mostram que Paes ampliou seu eleitorado na capital que governou por oito anos. Se há nove dias ele tinha 41% na cidade contra 46% do adversário, ele agora aparece com 52% contra 37%. No interior, Witzel permanece com vantagem semelhante à do levantamento anterior (49% a 31%).

O ex-juiz também mostra resiliência entre os eleitores fluminenses de Bolsonaro. Ele tem a preferência de 68% desse grupo, mesmo nível apresentado nas duas pesquisas anteriores. Paes aparece agora com 21% entre os adeptos do capitão reformado, um avanço tímido comparado aos 18% registrados há nove dias.

Witzel chegou ao segundo turno ao se associar na reta final da campanha do primeiro turno ao senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL). O presidenciável declarou neutralidade na disputa fluminense, e Paes tem tentado fazer acenos ao capitão reformado, embora não declare apoio como faz o candidato do PSC.

A estratégia de Paes voltada para o eleitorado do presidenciável do PSL ainda não funcionou, segundo mostram os dados do Datafolha.

Por outro lado, o ex-prefeito ampliou sua votação entre os eleitores de Fernando Haddad (PT) nos últimos dois dias. Enquanto na quinta-feira (25) 65% dos que optam pelo petistas escolhiam Paes, esse percentual chegou a 74% neste último levantamento.

O Datafolha também pesquisou a avaliação dos candidatos no debate da TV Globo. Quase metade (49%) dos entrevistados assistiram ao último confronto entre Witzel e Paes. Desse grupo, 49% avaliou que o ex-prefeito se saiu melhor, enquanto 34% preferiu o desempenho do ex-juiz.

Witzel chegou ao segundo turno ao se associar na reta final da campanha do primeiro turno ao senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL). O presidenciável declarou neutralidade na disputa fluminense, e Paes tem tentado fazer acenos ao capitão reformado, embora não declare apoio como faz o candidato do PSC.

MINAS GERAIS

O empresário Romeu Zema (Novo), que concorre pela primeira vez, chega à véspera da eleição com 70% dos votos válidos e deve ser eleito governador de Minas Gerais, segundo pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (27).

Antonio Anastasia (PSDB), senador e ex-governador, tem 30% dos votos válidos. Na última pesquisa, do dia 25, o tucano tinha 32% contra 68% de Zema.

Zema foi o candidato mais votado no primeiro turno, com 43% dos votos válidos contra 29% do tucano. O candidato do Novo liderou com folga todas as pesquisas de segundo turno.

Para a contabilidade dos votos válidos são excluídos os votos em branco ou nulos e os indecisos, é assim que a Justiça Eleitoral contabiliza e divulga o resultado oficial da eleição.

Considerando o total de votos, Zema tem 57% (tinha 56%) e Anastasia, 25% (tinha 26%). Um total de 17% não têm candidato: brancos e nulos são 9% (eram 8%) e indecisos, 8% (eram 9%).

A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

O índice de menções corretas ao número do candidato é mais alto entre os eleitores de Zema (76%) do que entre os de Anastasia (61%).

Para 16% dos eleitores mineiros, o voto ainda pode mudar. Estão totalmente decididos a votar em Zema 88% dos eleitores e em Anastasia, 78%.

O Datafolha perguntou ainda se os eleitores assistiram ao debate da Rede Globo, no último dia 25, e 32% responderam que sim. Entre os que assistiram, 49% opinaram que Zema se saiu melhor e 34% que Anastasia se saiu melhor.

O instituto ouviu 2.981 pessoas entre 26 e 27 de outubro em 72 cidades. A pesquisa foi contratada pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo e registrada no TSE com o número MG-03500/2018.

DISTRITO FEDERAL

Na véspera do segundo turno, pesquisa Datafolha mostra que Ibaneis Rocha (MDB) chega ao encerramento da campanha com 40 pontos percentuais à frente do governador Rodrigo Rollemberg (PSB) nas intenções de voto. Ele segue isolado na liderança, embora a diferença entre os dois adversários tenha diminuído.

Ibaneis tinha 75% dos votos válidos em levantamento divulgado no dia 18 deste mês. Oscilou para 74% na última quinta-feira (25) e agora caiu para 70%. Rollemberg estava com 25% no dia 18, oscilou para 26% na quinta e agora aparece com 30% dos votos válidos.

O cálculo de votos válidos exclui brancos, nulos e indecisos. A Justiça Eleitoral considera apenas os votos válidos na apuração das eleições, e é dessa forma que o resultado oficial é divulgado.

Considerando o total de votos, Ibaneis tem 62%, contra 26% de Rollemberg. Brancos e nulos somam 7%. Outros 5% não souberam responder.

O Datafolha também avaliou a certeza do eleitor em relação ao voto. Do total de entrevistados, 88% afirmam que já estão totalmente decididos. Para 12%, o voto ainda pode mudar.

O levantamento (DF-08579/2018), feito entre sexta-feira (26) e este sábado (27), foi contratado pela Folha e a TV Globo e ouviu 2.153 eleitores. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%.

No primeiro turno, Ibaneis teve 41,97% dos votos válidos, enquanto Rollemberg alcançou 13,94%.

À frente nas pesquisas desde então, o candidato do MDB cancelou a participação nos debates programados para esta semana em emissoras de televisão e concentrou a agenda em caminhadas por regiões do Distrito Federal.

PARÁ

O ex-ministro da Integração Nacional Helder Barbalho (MDB) deve vencer a eleição para o governo do Pará, indica pesquisa Ibope divulgada neste sábado (27).

O emedebista tem 57% dos votos válidos, contra 43% para o deputado estadual Márcio Miranda (DEM), apoiado pelo governador tucano Simão Jatene.

Os números revelam um quadro sem alterações na reta final. Na pesquisa anterior do Ibope, divulgada no último dia 18, Helder aparecia com 58%, contra 42% para Miranda.

A vitória de Helder representará a volta do clã Barbalho ao comando do Pará após 25 anos. Seu pai, o senador reeleito Jader Barbalho (MDB), ocupou o cargo por dois mandatos.

Coligado com o PSL, o emedebista, que perdeu a eleição em 2014, recebeu o apoio do PT no segundo turno. Ele ficou neutro na disputa presidencial entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT).

A pesquisa tem margem de erro de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos e foi encomendada pela TV Liberal, afiliada da Rede Globo. Está registrada no TSE sob o número BR07030/2018.