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Dia da Água

Poços artesianos se multiplicam pelo Paraná

Poços caseiros não são raros na periferia: água do jeito antigo
Poços caseiros não são raros na periferia: água do jeito antigo (Foto: Franklin de Freitas)

Obra complexa de engenharia voltada à captação subterrânea nos diversos aqüíferos, os poços artesianos estão em alta. De acordo com o Instituto das Águas do Paraná, autarquia vinculada à Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema), o Estado conta atualmente com 19.407 poços em situação regular, ou seja, com outorga de direito de uso da água. E o número não para de crescer.

Em 2017, por exemplo, 800 poços foram outorgados em todo o Paraná, dos quais 17 em Curitiba. No ano passado, foram 2,1 mil autorizações de uso, 55 delas na Capital. Já neste ano, até o dia de ontem, cerca de 500 outorgas foram expedidas em todo o estado, 12 em Curitiba.

Jurandir Boz Filho, geólogo e diretor de recursos hídricos do Instituto, aponta que o crescimento reflete a melhora na estrutura para emissão de outorgas e também acompanha um crescente interesse da população por esses poços. “A medida que foi passando os anos, foi aumentando o interesse e a demanda devido à divulgação, mais empresas especializadas, pessoas indo atrás de financiamento”, explica.

Construir um poço, contudo, não é para qualquer um. Luan Suehara, gerente de logística da Perfugel, empresa curitibana especializada em poços artesianos, explica que esse tipo de obra é vantajoso para grandes consumidores de água.

“Se é para uma casa, para família, não vale a pena. R$ 200 (por mês) de água é um custo baixo para ter um poço, que tem um custo elevado”, explica ele, cuja empresa, que tem mais de 30 anos de expertise, perfura poços a partir de 100 metros de profundidade. “A procura é muito grande, principalmente no verão. Em Curitiba, padarias, indústrias e empresas diversas já nos contrataram”, complementa.

De acordo com o geólogo Airton Alba, também é comum verificar a existência de poços em condomínios. “Pelo menos 10% dos condomínios têm poços artesianos particulares. Pessoal com escola de natação, estabelecimentos que consomem muita água, todos eles usam. É uma economia brutal e ele vai tomar água mineral, uma água mais pura e mais mineralizada”, diz.

O geólogo, contudo, ressalta que, na Capital, para conseguir fazer um poço é necessário perfurações mais profundas, geralmente acima de 200 metros e com custo a partir de R$ 40 mil. Ademais, os curitibanos que investem num poço conseguem eliminar o custo com água, mas seguem obrigados a pagar a tarifa de esfoto. “E o esgoto é praticamente 50% do valor da conta de água. Então um condomínio que pagava R$ 20 mil de água vai continuar pagando de R$ 8 a R$ 10 mil de esgoto”, exemplifica.

A cada dez instalações de poços, nove estão irregulares
Em todo o Brasil, segundo estudo do Instituto Trata Brasil em parceria com o Centro de Pesquisas de Águas Subterrâneas da USP, existem mais de 2,5 milhões de poços artesianos, que extraem 17.580 m³ por ano, valor suficiente para abastecer toda a população do país por um ano. Acontece, porém, que a maior parte desses poços - algo em torno de 90% - é clandestina, estando sujeita a contaminações e problemas sanitários e ambientais.

De acordo com Jurandir Boz Filho, atualmente o sistema de fiscalização funciona apenas a partir de denúncias e não existe a fiscalização de rotina. Este, inclusive, é um aspecto que está sendo melhorado. “Está tendo a fusão do Instituto das Águas com o IAP e queremos melhorar isso”, explica ele, apontando ainda que poços não regularizados apresentam maior risco de contaminação e também atrapalham na gestão do uso da água, principalmente nas áreas com maior concentração de poços.

Governo promove ações no Dia da Água
Para celebrar o Dia Mundial da Água, o Governo do Paraná promove ações diversas de conscientização, preservação e sensibilização sobre biodiversidade. A principal das iniciativas é o lançamento do programa Educação Ambiental para Bacias Hidrográficas, com ações que serão realizadas até o dia 28 de abril em diferentes municípios paranaenses.

O objetivo é ampliar a discussão sobre a importância da preservação dos mananciais para que a água possa efetivamente estar disponível para todos. Serão base do trabalho as 16 bacias hidrográficas do Paraná. “A agenda de atividades está voltada para o objetivo maior da Secretaria que é o desenvolvimento sustentável em todas as regiões do estado”, ressalta o secretário do Desenvolvimento Sustentável e Turismo, Márcio Nunes.

Além disso, ao longo do mês também será feita a soltura de peixes nas bacias do Paraná e o plantio de árvores, entre outras ações.

Dia Mundial da Água
Celebrado em 22 de março, o Dia Mundial da Água foi criado em 1993 pela ONU com o intuito de alertar a população sobre a importância da preservação da água. Desde 2010, o acesso à água limpa e potável é reconhecido internacionalmente como um direito humano, mas ainda assim mais de 2 bilhões de pessoas não dispõem dos serviços mais básicos. Por isso, o tema da campanha neste ano é “Água para todos: não deixar ninguém para trás”, numa adaptação da promessa central da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

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